Paixão Verde

Eu virei torcedor Palmeiras em um jogo perdido do campeonato brasileiro creio que de 94. Lembro como se fosse ontem aquele distinto dia. Era um sábado, eu e meu irmão do meio estávamos assistindo o falecido Passa ou Repassa com Celso Portioli no SBT. E, em meio aquele jogo de perguntas e respostas, mudamos de canal para a Globo. E a emissora estava transmitindo o clássico São Paulo x Palmeiras no Morumbi. O estádio com o símbolo do São Paulo, como chamamos ao ver o escudo do clube no gramado. Eu olhei para o meu irmão e disparei: vou torcer pelo Palmeiras e ele, vou torcer para o São Paulo.

Tiro e queda. Apesar da pressão dos meus tios para virarmos corinthianos ou flamenguistas e do nosso padrasto para aderirmos ao tricolor carioca, eu e meu irmão, naquele momento, estávamos fazendo a escolha da nossa futura paixão. E mesmo com toda a pressão da família para optarmos por outros times, ficamos com as nossas escolhas do sábado ensolarado do Passa ou Repassa. Foi um opção que fizemos que iria refletir em mim e nele até o fim de nossas vidas. Não terminamos de assistir aquele jogo, não tivemos paciência para tal. Eu lembro que mais tarde vimos o resultado; três a zero (ou a um) para o tricolor paulista. Resultado que fez o meu irmão brincar comigo por causa da derrota do meu time.

A partir de então eu me acostumei a ver um time vencedor. O Palmeiras, no auge da era Parmalat. Campeão Brasileiro de 94, ainda lembro de uma entrevista que vi com Luxemburgo, creio que na Globo, a qual ele falava da conquista do título. Eu cresci vendo as grandes conquistas do meu time e chorando as grandes derrotas. Acompanhei grudado na televisão a Copa do Brasil de 98, que levou meu time para a libertadores do ano seguinte. Vi a reformulação do elenco ocorrida no início daquele ano, com a chegada de um novo técnico; Luiz Felipe Escolari, o Felipão. Lembro bem do Alex, quando chegou ao Palmeiras, ainda como jogador desconhecido e o seu destaque na libertadores de 99 e nos anos seguintes. E o São Marcos, como esquecer dele? Defesas milagrosas. O penalti agarrado batido por Marcelinho na semi final da libertadores do ano 2000. Lembro de jogos memoráveis como as finais das libertadores de 99 e 2000. Na primeira, num jogo que quase arrancou meu coração, contra o Deportivo Cali que terminou com a vitória do verdão nos penaltis. E a de 2000, contra o Boca, num primeiro jogo memorável no La Bombonera, um 2x2 que matou do coração tanto torcedores do palmeiras quanto os do time argentino. Lembro daquela derrota pro Vasco de virada com um show de Juninho Paulista. Lembro bem do choro.

E hoje, sete anos depois disso tudo, vejo o meu verdão, o meu time vencedor, amargando uma fase sem títulos, sem ídolos e como mero coadjuvante nos campeonatos que disputa. Um time talvez longe de ser aquele memorável de 99 e que amarga derrotas dentro da sua própria casa. Um time de uma torcida fanática que tanto sofre com o momento atual do clube, mas que ao mesmo tempo sonha com um milagre de uma conquista do seu quinto campeonato brasileiro. Um pentacampeonato que talvez nos fizesse lembrar dos gloriosos tempos de Academia de Futebol.

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