A Princesinha do Folk


Lembro de uma vez ter lido no e-zine Armênios sobre a quantidade excessiva de bandas brasileiras que seguem a tendência britânica de fazer o rock e esquecem que a raíz do ritmo vem dos Estados Unidos. Para corrobar a sua tese, o autor do texto cita o fato de existirem poucas bandas que tocam o folk por aqui, música típica norte-americana eternizada pela belíssima voz rouca e sincera do grande Bob Dylan.

Pois é, saindo de toda essa tendência do rock tocado por aqui e fugindo da mesmice samba/eletrônico das novas cantoras brasileiras, Mallu Magalhães (foto), de apenas 15 anos e de uma voz tocante e "fofa", vem chamando a atenção da mídia e da crítica com um folk-a-bily ou folk-roll, definições dada pela própria cantora em entrevista para TV Cultura, muito bem tocado e interpretado. A garota demonstra maturidade ao compor e cantar as suas músicas em inglês, e uma baita criatividade na composição das músicas e na escolha do ritmo.

A menina é atualmente fenômeno no Myspace e nos blogues da vida e toda esse hype lhe rendeu, pelo que soube, uma matéria que sairá na próxima Rolling Stones. Fiz essa belíssima descoberta ao passar no blog de Pedro Dória e conferir esse quote do jornalista Rodrigo Levino sobre o talento fora do comum da cantorazinha. "(...)Depois me rendi por afeição à sua música. Mallu canta e compõe folk, de violão e gaita em punho e é fruto dessa geração que aprende a navegar na internet antes de sair para ver o sol. Não precisou revisitar Cartola nem Nelson Sargento, ela gosta é de Bob Dylan, Johnny Cash e Moldy Peaches. (...)"

Vale a pena conferir o som da menina.

O que foi o Oscar 2008

Chato e previsível. Essas são as melhores definições para o que foi o maior evento do cinema mundial. Isso para não falar das apresentações musicais, com toda certeza, criadas com o intuito de fazer o telespectador cair no sono. Juro, meus leitores, que quase cedi às tentações da minha cama durante o evento, mas fui forte e consegui, afinal, mais de 3 horas de cerimônia, com direito a muita enrolação, a piadas sem graça e a dublagens chatas (quem dera dominar o inglês nestas horas). Enfim, fato é que resisti e fiquei um tanto decepcionado. O que que custava um pouco de surpresa e dar a Juno o prêmio de melhor filme? Seria bem mais polêmico e divertido e além disso seria pano pra manga pra muito assunto nos blogs nesta semana.

Mas enfim, meu destaque positivo vai para Diablo Cody. Quem diria? Blogueira e ex-stripper ganhando um Oscar de melhor roteiro original, um dos prêmios mais importantes da academia. Isso mostra que existe vida inteligente (e muito) nas blogosferas da vida. O negativo vai para o prêmio de melhor atriz coadjuvante, faturado pela insosa Tilda Swinton do filme Conduta de Risco. A boysinha (em bom potiguês) Saoirse Ronan de apenas 13 anos do incrível Desejo e Reparação tem uma atuação firme e exemplar no longa. Pra mim, merecia muito mais a estatueta do que a fraca empresária que arruinou a vida de Michel Clayton.

Bem, acertei 6 das 10 que apostei, uma boa média, apesar da incrível previsibilidade do Oscar deste ano. "Onde os Fracos Não tem Vez" ganhou todos os prêmios dos sindicatos de Hollywood, maiores indicadores do Oscar, e os críticos do evento nem tiveram a coragem de desfazer essa previsibilidade e dar a estatueta pra outro filme. A ilustrada, por exemplo, acertou 8 dos 10. Tava fácil demais. Agora é esperar o próximo ano e torcer para que venham com algumas surpresas.

Abaixo a lista dos vencedores do 80º Oscar.

Melhor Filme
"Onde Os Fracos Não Têm Vez"

Melhor Diretor
Ethan Coen e Joel Coen ("Onde Os Fracos Não Têm Vez")

Melhor Ator
Daniel Day-Lewis ("Sangue Negro")

Melhor Roteiro Original
"Juno" (Diablo Cody)

Melhor Documentário
"Taxi to the Dark Side"

Melhor Documentário de Curta-Metragem
"Freeheld"

Melhor Trilha Original
"Desejo e Reparação" (Dario Marianelli)

Melhor Fotografia
"Sangue Negro" (Robert Elswit)

Melhor Filme Estrangeiro
"Os Falsários" - "Die Fälscher" (Áustria)

Melhor Montagem
"O Ultimato Bourne" (Christopher Rouse)

Melhor Atriz
Marion Cotillard ("Piaf - Um Hino ao Amor")

Melhor Mixagem de Som
"O Ultimato Bourne" (Scott Millan, David Parker e Kirk Francis)

Melhor Efeitos Sonoros
"O Ultimato Bourne" (Scott Millan & David Parker e Kirk Francis)

Melhor Roteiro Adaptado
"Onde Os Fracos Não Têm Vez" (Joel Coen e Ethan Coen)

Melhor Atriz Coadjuvante
Tilda Swinton ("Conduta de Risco")

Melhor Curta de Animação
"Peter & the Wolf"

Melhor Curta Documentário
"Le Mozart des Pickpockets"

Melhor Ator Coadjuvante
Javier Bardem ("Onde Os Fracos Não Têm Vez")

Melhor Direção de Arte
"Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet" (Dante Ferretti)

Melhores Efeitos Visuais
"A Bússola de Ouro" (Michael L. Fink, Susan MacLeod, Bill Westenhofer e Ben Morri)

Melhor Maquiagem
"Piaf - Um Hino ao Amor" (Didier Lavergne e Loulia Sheppard)

Melhor Animação
"Ratatouille"

Melhor Figurino
"Elizabeth: A Era de Ouro" (Alexandra Byrne)

Oscar 2008

Não sou nenhum especialista em cinema, mas em função da promoção do Cinemark e da minha mania de me meter nas coisas, fiz, sexta-feira, a minha fezinha para os vencedores do Oscar que será hoje. É bom esclarecer que não vi todos os filmes indicados em todas as categorias, até por questões óbvias de muitos não terem sequer estreado aqui, ou seja, podem aparecer absurdos nos meus palpites. E, ah, vou comparar os meus chutes aos do blog da Ilustrada da Folha:

Os meus:

Filme - Onde os Fracos Não Têm Vez
Diretor - Joel e Ethan Coen ("Onde os Fracos Não Têm Vez")
Ator - George Clooney ("Conduta de Risco")
Ator Coadjuvante - Javier Bardem ("Onde os Fracos Não Têm Vez")
Atriz - Ellen Page ("Juno")
Atriz Coadjuvante - Saoirse Ronan
Roteiro Original - Diablo Cody ("Juno")
Roteiro Adaptado - "Sangue Negro"
Filme Estrangeiro - The Counterfeiters ("Austria")
Filme de Animação - "Ratatouille"

Ilustrada da Folha

Filme: "Onde os Fracos Não Têm Vez"
Melhor diretor: Joel e Ethan Coen ("Onde os Fracos Não Têm Vez")
Melhor ator: Daniel Day-Lewis ("Sangue Negro")
Melhor atriz: Julie Christie ("Longe Dela")
Melhor ator coadjuvante: Javier Bardem ("Onde os Fracos Não Têm Vez")
Melhor atriz coadjuvante: Cate Blanchett ("Não Estou Lá")
Melhor roteiro original: Diablo Cody ("Juno")
Melhor roteiro adaptado: Joel e Ethan Coen ("Onde os Fracos Não Têm Vez")
Melhor filme estrangeiro: "The Counterfeiters" (Áustria)
Melhor animação: "Ratatouille"

Das 10 categorias "chutadas" por mim, seis batem com a Ilustrada. Que são as seis mais óbvias. As outras quatro, são meio polêmicas e são de filmes que não assisti, que fui mais pela intuição do que pela razão. Enfim, hoje a noite sai o resultado e amanhã vou compará-los. Lembrando que a cerimônia será transmitida ao vivo pela TNT às 22h30min

Atualização

Amanhã atualizo isso aqui, tava preparando uns textos mas não deu certo. Se tudo der certo, amanhã colocarei as minhas apostas pro Oscar, domingo.

BERE é adiado novamente

O festival de música Barulho Estranhos Ruídos Esquisitos foi adiado para o mês de maio deste ano. O BERE, como é chamado, estava marcado inicialmente para acontecer em novembro do ano passado, mas por conta de problemas com patrocínio e com a agenda cultural dos artistas, o festival foi adiado para dezembro de 2007 e posteriormente para março de 2008. A mudança de data de março para maio ocorreu por conta problemas de saúde de um dos organizadores do evento. A produção garantiu que esse seria o último adiamento e que em maio o festival finalmente aconteceria.

A organização aproveitou o ensejo para divulgar também alguns nomes que passarão pelo festival em maio. Dentre eles está Bandini (RN), banda formada por alguns membros do Barbiekill (RN) com uma proposta post-punk, bem diferente do eletro-rock característico do quinteto potiguar. Outro destaque vai para o Mellotrons (PE), um dos referenciais de indie-rock no cenário pernambucano que já teve passagens por grandes festivais independentes do Brasil. A produção também revelou que uma banda da Bahia está pré-confirmada para o festival. Segundo Pablo Honney, organizador do evento, a banda tem destaque no cenário alternativo nacional, "mas não é nem Pitty nem Harmonia do Samba" avisou em tom de brincadeira.

O programação oficial do evento e os detalhes como preço e local serão divulgados oficialmente no dia 1º de março. Mas a produção garantiu que o preço dos ingressos serão baratos.

A lista das bandas já confirmadas que irão tocar no festival:

Nuda(PE)
Mellotrons(PE)
Bandini(RN)
Sobre Rosas e Diamantes(RN)
Monacega(RN)
Segredo dos Elfos(UK/RN)
Super Amarelo(AL)
My Midi Valentine(AL)

Juno


Um nome esquisito. Uma produção independente. Um elenco desconhecido. E um roteiro escrito por uma ex-digitadora, ex-stripper e atual blogueira que usa de uma linguagem nada casual em seus textos. Motivos mais do que suficientes para um filme passar muito longe do mainstream certo?

A resposta seria "sim, correto rosk" para 99% dos filmes que seguem mais ou menos essa lógica descrita no parágrafo anterior que afasta, infelizmente, muitos bons filmes do mercado cinematográfico mundial. Foi "ihu, você errou rosk" felizmente para Juno, um longa tão bom ou melhor que a Pequena Miss Sunshine, o azarão do oscar de 2007, que vê um substituto à altura para o seu cargo no prêmio da academia deste ano.

Juno encanta. Essa é a melhor definição para a cara de bobo que todo mundo faz ao final do filme. Lendo a sinopse, confesso ao leitor que esperava encontrar mais uma das centenas comédias norte-americanas de execução completamente clichê das quais da primeira cena dá para se intuir a última. E, neste caso, com um agravante: uma lição de moral para as jovens adolescentes que engravidam. Mas felizmente Juno passa longe disso com uma história envolvente, diálogos sensacionais, uma interpretação genial da canadense Ellen Page e um filme que passa longe de querer dá lição de moral. Mostra as coisas como elas são. Isso sem falar da personagem principal, responsável por fazer o público inteiro se apaixonar pelos seus trejeitos diferentes, engraçados e, às vezes, até sensíveis.

O filme conta a história de Juno, uma menina de 16 anos, digamos, diferente da qual nos acostumamos nos velhos besteirois americanos. Ela é inteligente, entende de música, sociável e cheia de um sarcasmo e uma ironia capazes de deixar até o lendário Seu Saraiva no chinelo. Pois bem, continuando, Juno, entediada, decide fazer sexo com um amigo da escola. Até aí, ok, mas ela esqueceu de um detalhe: fazer sexo engravida às vezes. Pois é, ficou grávida. Ai já viu né? Contar pros pais, pensar no futuro dessa criança e lidar com a imaturidade dela e do seu amigo e até cogitar aborto. Tudo isso entra no filme de uma forma inteligente e muito divertida que rendeu ao roteiro, assinado por Diablo Cody, uma blogueira, ex-digitadora e ex-stripper, a indicação do Oscar. E ao filme, of course, de azarão para Melhor Filme.

Com toda a certeza, dos filmes indicados pro Oscar que eu vi, Juno é a minha favorita. Melhor Filme e Melhor Atriz e Roteiro Original. Ator Coadjuvante, Javier Bardem (ou talvez Philip Seymour Hoffman) e Ator Principal, George Clooney (Vale ressaltara que ainda não vi o Sweeney Todd de Johnny Deep). Opa... Enfim, mas este é o post da fezinha do Oscar, que to preparando.

Mas atenção, se o leitor tiver sorte de pegar uma boa legenda, o filme pode ficar ainda melhor. Porque, convenhamos, a legenda que saiu nos cinemas, pelo menos nos daqui, está uma tristeza e tira um pouco da graça de alguns diálogos. O ideal mesmo é assistir no PC e depois, se quiser conferir a diferença da legenda, ver no cinema. Eu fiz isso e senti bastante diferença em algumas cenas.

Quem quiser baixar Juno com a legenda certinha, recomendo este site. O link direto pro filme é este. Mas lembrando: os downloads são via Bit Torrent.

Abaixo, o trailler legendado (com a legenda boa, hehe)

A Agenda

Bem, a coitada não durou nem 3 meses, mas já vou desistir dela.

Os motivos são dois:

1 - Em Natal só acontece as mesmas coisas todos os meses, raramente é que tem algo legal digno de ser posto numa agenda. Tudo bem que neste mês temos Matanza no DoSol (pela zilionésiama vez em Natal), Teatro Mágico no Centro de Convenções e o Monobloco na Continental (tá certo também que o preço dos últimos dois é um absurdo). Mas é exceção, a maioria dos meses são das mesmas festinhas recheadas de bandinhas de hardcore lá no DoSol. Tem quem goste. Eu não.

2 - Garanto que se eu me esforçasse e tivesse tempo para tal, talvez eu pudesse fazer a agenda mensalmente, até naqueles meses mais fraquinhos. Mas tempo, ultimamente para mim, vem se tornando algo escasso. Se algum leitor quiser colaborar com essa parte da agenda, será muito bem vindo.

Enfim, é isso. Amanhã (ou depois) sai, finalmente (já to tentando escrevê-la a quase uma semana), a minha resenha sobre Juno e possivelmente um post com a fezinha do oscar, já tradicional aqui no blog.

O Canto

Eram belas aquelas penas brancas. De uma forma bem confusa podia perceber que elas refletiam a luz do sol e iluminavam ainda mais aquele lugar sujo e feio que morávamos. Ela andava num molejo, num gingado que chamava a minha atenção e me fazia desejá-la de uma forma que talvez ela não imaginasse o quanto. Seu olhar, por vezes, cruzava o meu, mas era carregado de um desdém e de uma superioridade que baixava a minha crista e me fazia sentir um moleque recém saído do ovo.

Não entendia porque, de certa forma, ela não prestava atenção em mim. Talvez não fosse belo o suficiente para conquistar o seu coração, ou ainda fosse pequeno demais para conseguir o interesse dela. O certo era que eu precisava aprender a cantar antes de tentar qualquer coisa com aquela beleza branca que passava tardes naquele caminhar rebolado à minha frente. Cantar porque eu sabia que ela gostava de cantar e gostava ainda mais de parar e observar os machos cantando belas canções que falavam de amor, de perseguições e de milho. E o meu cocoricó ainda era fraquinho e nada belo.

Entreguei-me, então, as aulas de canto, com os mais velhos, para ver se algo bonito poderia sair do meu bico para conquistá-la. Ensaiei diversas letras, comuns, velhas, novas e até as mais modernas, mas nada me saía, nada me fazia atingir a beleza necessária para que conseguisse conquistar aquele pequeno e difícil coração, ou para que, até mesmo, a atenção dela fosse desviada para mim. As noites passavam frias e silenciosas, sem que eu conseguisse sequer captar a melodia e a poesia necessárias para que o galinheiro, e principalmente ela, pudesse notar toda a grandeza da alma que habitava o meu pequeno ser. E todo o amor que me invadia.

A crista me crescia, ao mesmo tempo que as penas dela ficavam cada vez mais brancas. E as suas amigas, sumiam uma a uma para nunca mais voltar. Notava naqueles pequenos olhos fortes a tristeza que o destino lhe impunha com tamanhas perdas. A irmã dela já havia ido e tinha deixado dois pintinhos órfãos que ela trataria de cuidar. Os pintinhos eram filhos do galo maior, um galo imponente, forte e de bela crista que cantava canções que falavam do verde da grama e do prazer que a terra molhada lhe dava. O galo maior era poeta e cobiçado por todas as galinhas, menos por ela na sua indiferença magistral e na sua bela forma de andar com as patinhas levantadas.

E o tempo ia passando e eu crescendo e morrendo por dentro por conta de tamanha indiferença. Até que um dia ela sumiu, não estava mais no galinheiro, não estava em lugar nenhum. Temi e senti meu coração sangrar por dentro. O dia se passou sem o sol se refletir naquelas belas penas, sem que eu pudesse ver, ao menos uma vez, aquele seu andar belo que tanto me chamava a atenção. A noite caiu e a minha tristeza foi habitando todo o meu pequeno corpo, até a minha crista, imponente, parecia fraquinha por conta do meu coração apertado. Não havia o menor sinal dela. Não saberia viver sem observar a luminosidade daquelas penas, a beleza daquele andar e nem muito menos a sutileza do olhar daquela galinha. Chorava por dentro, enquanto entoava uma canção que me vinha na cabeça, assim, de repente, mas que fazia meu cocoricó forte, tão forte que as outras galinhas passaram a me olhar de uma outra forma. Os galos-poetas que estavam próximos de mim olhavam admirados e ouviam emocionados aquela música triste que eu entoava em amor a ela que eu nunca mais veria, que eu nunca mais teria. O galinheiro encheu-se da tristeza daquela poesia de uma forma tão forte que mundo parecia um mar de lágrimas galináceas diante do destino terrível que nos espera. O canto foi tão forte que acabou com as minhas energias e, ao amanhecer, dormi com lágrimas nos olhos e a poesia no bico.

Acordei com um bicho estranho, de duas patas e duas mãos, segurando as minhas patas, pronunciando barulho numa língua estranha. Temi pela minha vida, mas senti que o fim talvez me aproximasse dela. Essa certeza acalentou o meu coração e me fez pedir para que, de certa forma, eu fosse para perto dela para que eu pudesse lhe mostrar a canção de amor que compus em nome dela. O tempo corria devagar quando senti uma mão gelada no meu pescoço, senti a força, senti o ar deixando de invadir o meu corpo, senti frio, apaguei. Quando vi, eu era uma canja, num almoço imenso. Mas pelo menos estava do lado da minha amada e dos seus belos olhos, agora sem vida.

Publicidade na UFRN

Muito se tem comentado num texto antigo deste blog que fala sobre a criação do curso de Publicidade e Propaganda na UFRN. À época eu escrevi uma notícia, a pedido de um professor, sobre este fato e a aproveitei para postar aqui.

Do mês passada pra cá me surpreendi porque vem aparecendo comentários no texto (santo Google, porque a notícia é velha) de futuros vestibulandos que pensam em fazer Publicidade, mas tem medo por conta da estrutura que o curso vai ter quando abrir. Inclusive, cheguei a me comunicar por email com uma dessas pessoas, tirando-lhe algumas dúvidas.

O que tenho a dizer como membro do C.A de Comunicação Social da UFRN e como já um pouquinho veterano no curso, é que Publicidade, com toda a certeza do mundo, vai abrir sem a estrutura adequada. Até por um motivo lógico de ser impossível reestruturar os cursos de jornalismo e radialismo, como foi prometido, e ainda criar um novo com 100% de estrutura em apenas um ano. Acredito que haverá sim uma condição mínima em 2009, mas bem longe da ideal, ou seja, professores e salas terão, mas laboratório que é bom. No entanto não acho que a falta de laboratórios seja um motivo forte para que não se faça vestibular para Publicidade e Propaganda na UFRN.

Primeiro porque a maioria dos cursos de graduação do Brasil são desestruturados. Tanto de universidades públicas quanto de particulares. E no nordeste então, as coisas se complicam. Isso tudo é fruto de uma falta tremenda de investimentos na graduação por parte do governo federal e das facilidades que existem hoje para a iniciativa privada abrir novos cursos sem a capacidade adequada. Ou seja, vai abrir sem estrutura, mas quase todos são sem estrutura mesmo, com a diferença de que na UFRN o aluno terá o diploma de uma federal o que, mercadologicamente falando, conta mais pro currículo, independente da capacidade do aluno, é claro.

Outro ponto a se destacar é um clichê que se ouve sempre quando se passa no vestibular: o que faz o curso é o aluno, se o cara for bom, não importa se a faculdade é ruim, ele será um bom profissional. Concordo em partes com essa afirmação. De fato, se a pessoa for dedicada, ela vai conseguir fazer um bom curso; no entanto, se a estrutura for péssima isso vai atrapalhar o desenvolvimento profissional dela. Mas nada que limite demais as suas capacidades. Vários profissionais de sucesso vieram de cursos ruins e muitos que fizeram cursos com a máxima estrutura estão desempregados.

Em Publicidade, no caso específico de Natal, os primeiros formados terão a vantagem de serem os únicos publicitários com o diploma de uma federal no mercado local. Além disso, existe um fio de esperança que este curso venha ter uma estrutura muito boa daqui a uns 2 ou 3 anos, porque ele será criado através de um plano de reestruturação e apoio dos cursos de graduação promovido pelo governo federal o famigerado REUNI. O projeto é polêmico, mas se realmente for tudo aquilo que promete (eufemismo para, se o dinheiro realmente vir), existem grandes chances do negócio andar a todo vapor. Se não for ou se você quer garantias de um curso com uma estrutura realmente boa, junte dinheiro pra pagar uma PUC ou uma Cásper Líbero da vida que é onde, talvez, se encontre o ideal.

Então, caro leitor, se você pensa em fazer Publicidade este ano vá em frente! Quando começar o curso, estude, estude e estude. Não se deixe levar pelas dificuldades que vão aparecer e se você for realmente bom - e bom é naquela proporção de 99% de esforço e 1% talento - você vai ter futuro no área. O único conselho que dou para quem for fazer e porventura passar, é para ir logo reservando uma roupa velhinha e ir se preparando psicologicamente para a recepção, porque a primeira turma será, hum, digamos, muito bem cuidada pelos veteranos.

O Samba

(27/01/06)

Aquele som estava alto e tudo estava girando. Aquele samba contava mais uma história de amor. Era um samba forte e lindo. Minha cabeça estava leve, aliás, meu corpo inteiro estava leve, efeito do excesso de álcool. Estava perdido no meio de uma multidão feliz, sambando aquela poesia e bebendo daqueles líquidos maravilhosos que fazem a terra girar. Meus companheiros estavam por ai, em algum lugar próximo ou distante, sambando, sorrindo e bebendo. Eu estava sozinho a ouvir aquela bela poesia cantada, que ninguém parecia prestar a atenção, no lirismo de sua letra. Ah, como era belo aquele samba.

A bebida estava acabando. Eu não me importava. O que importava era aquele barulho, aquele torpor, aquele samba perfeito. Minha consciência já não estava comigo. Só o samba. Algumas lágrimas rolavam quando percebia a genialidade do compositor. Aquele samba era feito para mim, falava de mim, dos meus amores, das minhas dores, da minha vida... Era agressivo na batida. Era sutil e belo nas palavras. Não sei se era o efeito da bebida, mas naquele momento era uma das coisas mais bonitas que ouvi.

Fechei os olhos e me entreguei totalmente ao samba. Dancei como jamais havia dançado em toda a minha vida. Senti-me vivo. Fortalecido no samba. Não desejava mais nada; só sambar, sambar e sambar. Eis então que me aparece uma morena de olhos brilhantes, tão imersa naquilo tudo quanto eu. Uma morena que, por um instante, me puxou de volta a terra e me fez notar a beleza da vida, a beleza do seu samba. Não, não era uma morena qualquer, era a morena. Linda, com seus cabelos enrolados caídos nos ombros. Ou o seu corpo que se movia, exatamente de acordo com a melodia da música, numa harmonia perfeita.

Ela sambava com perfeição, com emoção. Eu sentia nela toda a energia e toda a sutileza daquela música. Eu via nela todas as dores expressas nos versos do samba eu via nela um espelho de mim, com a diferença que ela era dotada de uma beleza estonteante. Embasbaquei-me e meu mundo, naquele momento, era só a morena dos olhos brilhantes que samba, samba, samba quase sem parar.

Ela era aquele noite. Perfeita e bela.

No ritmo desta noite quente eu sigo até os braços do samba. Pisando nas pedras do caminho até o encontro do bar e sentindo a batida do samba se misturar com a batida do meu peito. Um samba forte e lindo. Uma história de amor do jeito que deve ser uma história de amor: Cheia de ritmo, de vibração, de dança, alegria e amor. Ah, o amor! O amor que está em meus poros. No suor que escorre até meu colo. O amor que está no samba. E no povo.

E nesta dança eu me entrego. Esqueço da realidade e só penso na vida. Sim, na vida. A vida sem preocupações, sem violência, sem desemprego, falta de dinheiro, sem tristeza, sem pobreza... Penso que ali, naquele samba, nos minutos daquela batida perfeita, eu estou vivendo. Eu estou viva.

De olhos fechados, de respiração ofegante, de coração acelerado, de sorriso no rosto eu danço. E sinto alguém me observar. E sinto um arrepio no corpo. Ele ali, tão bobo, tão perdido, me olhando com um jeito tímido. Estamos tão pertos, numa dança tão nossa sem nem nos tocar. Eu senti o calor dele. O amor que estava em seus poros.

Ele me olhou nos olhos. E o nosso samba se encontrou.

Ps: Texto escrito a quatro mãos, há uns dois anos atrás, por mim e por Marina Morena espero que tenham gostado. Bom carnaval a todos e posts novos, provavelmente, só depois do carnaval.
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