O Natal de Luís

Dez horas da noite. Véspera de Natal. Luís esperava ansiosamente a virada, o momento mágico, a hora. Vestia uma camiseta azul, um short cinza e um tênis branco e meias que cobriam parte da sua canela. Tinha olhos castanhos brilhantes, cabelos encaracolados e um sorriso magistral. Seu porte físico era comum a de uma criança de 7 anos. Pequeno e corredor. Corria pela casa toda. Corria porque o tempo era curto demais para as coisas boas. Corria porque gostava de se sentir ofegante. Corria até quase cair de tanto correr.

O natal é um momento particularmente especial para Luís. Não só pelos presentes, mas pelo cheiro do natal. Cheiro de pessoas felizes, sorrindo umas para as outras, presenteando os parentes queridos, cheiro da sua família, unida em torno de uma árvore, conversando alegremente, o cheiro de primos brincando, o cheiro do vento que soprava com mais força nessa época, o cheiro dos filmes de Natal que passavam e passavam na televisão. E os presentes, o cheiro dos presentes. A cereja no sorvete que era o Natal para o menino. O momento mais esperado. Mal sabiam os seus pais o quanto aquilo tudo representava para Luís. O quanto aquilo era mágico.

Dez horas da noite e o Natal ainda estava longe para acontecer. Luís chama Pedro e João para descerem, brincarem de baixo do bloco em que moravam. A mãe não deixa. Luís insiste, insiste, insiste. A mãe deixa, mas com cuidado e só até as onze horas. Descem, mas antes de descer Luís vai até o quarto e pega um carrinho de controle remoto. Era o seu carrinho, o seu presente do Natal anterior. Era rápido, corria quase que nem Luís. E Luís o adorava. Desceu com os meninos pela escada, ansioso para brincar com o seu velho carrinho.

O piso no saguão do bloco onde ficava o apartamento de Luís era liso. De um liso, tão liso que o tênis dos meninos derrapava quando andavam por ele. Mas Luís não tinha medo. Luís corria no piso e correu até o portão que dava na rua. Quase caiu, mas chegou. Os meninos que seguiam Luís, iam devagar. Sabiam do risco de correr e se espatifar naquele piso e demoraram um pouco para sair da escada e chegar até o portão de saída que dava para o lado de fora do saguão, onde Luís os esperava ansiosamente.

O ar estava frio e a lua saía amarela por detrás das nuvens. O cheiro era de Natal, constatou Luís. As luzes natalinas brilhavam com força, quando os meninos decidiram apostar corrida com o carrinho. Era simples, um dos meninos controlava o carro, o outro corria e o terceiro marcava o tempo. João foi o primeiro. Correu, correu, correu, correu. Luís estava no tempo. Xii, foi ruim heim. O carrinho ganhou com folga do menino João.

Luís sabia que João não era bom de corrida. O negócio dele era videogame. No jogo, ninguém o vencia. Mas Pedro era diferente. Pedro era alto, cabelo chanel, olhos azuis, o preferido das meninas. E Pedro corria. E muito. Luís gostava de Pedro. Era o seu melhor amigo. Mas hoje queria vencer o menino esguio de olhos azuis que se preparava para correr enquanto ele controlava o carro e João media o tempo. Deu o sinal, PUM! Correu, correu, correu, correu. Passou. Ganhou. Um pulo de alegria. O tempo? Inacreditável. Trinta segundos. O carrinho fizera trinta e cinco e João, quarenta e oito. Luís tinha que vencer. Queria vencer.

Os olhos castanhos de Luís brilhavam enquanto ele se preparava para o momento. Ele sentia que iria fazer uma bela corrida, afinal, ele corria muito. Ele sentia que alguma coisa mágica iria fazê-lo correr como nunca. Pedro estava no tempo e João no carrinho. Minutos de tensão. Luís passou a mão no cabelo. Sentiu o vento e o cheiro do Natal passar por ele. Olhou para as luzes brilhantes, ouviu a música natalina e PUM! Correu. Correu. Correu. Correu. Correu. Correu. Correu. Correu. Correu. Passou do carrinho! Correu. Correu. Correu. Correu. Decolou. Luís Decolou.

Luís correu tanto, mas tanto que tinha decolado. Sem volta. Quando ele olhou estava no ar, perto das nuvens, correndo pelo céu azul escuro do natal. Rápido sob o luar amarelo. Ele estava feliz. Muito Feliz. Seu sorriso magistral iluminava a noite. Luís virou lenda. A lenda do menino corredor do Natal, a lenda do belo sorriso que ilumina o natal dos garotos corredores. A lenda dos olhos castanhos brilhantes que aparece todo o ano para presentear os bons meninos com carrinhos rápidos de controle remoto.

Cositas

Nas próximas semanas as atualizações do blog serão menos constantes. Meu acesso no computador está reduzido. Estou recebendo familiares que não via a anos aqui em casa e por conta disso estou quase sem tempo para a internet.

Mas é temporário e tentarei fazer as listas dos melhores de 2007 para a semana que vem.

Vou tentar mandar também uma crônica (ou conto) natalino. Esse período me deixa inspirado.

Antes de finalizar o post tenho duas notícias péssimas.

A Velvet Café e Música e a Limbo Livros Selecionados encerrarão as suas atividades este mês.

Natal deveria estar de luto. Dois dos melhores lugares da cidade morrerão, assim, amiúde.

Tristeza. E agora, o que será de nós?

O War da Rede

Quem nunca jogou War?

É uma pergunta difícil de responder. Mas enfim, para os que nunca tiveram o prazer de se divertir com o War, segue uma breve descrição:

O jogo consiste num tabuleiro com o mapa e a marcação de vários países. Os jogadores recebem, inicialmente, cartas divididas igualmente que equivalem a cada país do mapa. Cada um então põe um "exército", uma bolinha da cor escolhida pelo jogador, em cada país e recebe uma carta com o seu objetivo. Os objetivos variam de conquista territorial, conquista de continente a eliminação de exércitos de outra cor. De acordo com as conquistas, que se dão por meio do jogo de dados e de regras de ataque e defesa, o jogador recebe mais exércitos para distribuir nos territórios e tentar cumprir seu objetivo.

Obviamente ganha quem conseguir terminar o seu objetivo. Há ainda uma variação na regra que cria o objetivo de conquistar o mundo, o que torna o jogo mais excitante do que ja é.

War é um jogo que acirra ânimos, já vi amizades quase morrerem por causa da perigosa mistura de álcool e o jogo de tabuleiro. Mas é muito divertido, excelente para tardes de ócio com os amigos.

No wikipedia tem um artigo interessante e com algumas curiosidades sobre o jogo, para quem desconhece.

E no site Warnet você pode simular uma partida do jogo com os amigos. Basta se cadastrar, criar uma sala e chamar o pessoal para se divertir. No site é possível jogar com a regra "original" do jogo e com as variações existentes no momento da troca e nos objetivos. É bem legal para quem fica zanzando pela rede sem fazer nada. Além disso, a página realiza alguns campeonatos, pra quem quer se "profissionalizar" no jogo. Um excelente lugar para exercitarmos nosso espírito de megalomania.

Ps. post escrito enquanto eu jogava e, pela primeira vez, ganhava uma partida no site!

Carlos Eduardo no Xeque Mate

Ontem foi o último dia de gravação do programa Xeque Mate da TVU.

Gravamos dois programas, um com o coordenador do curso de ecologia e fundador do curso, professor Aristotelino. O programa foi muito bom, tratamos o contexto ambiental aqui da cidade e no cenário internacional. Uma hora de programa que passam voando. O programa deve ir ao ar só em janeiro.

O segundo entrevistado foi o prefeito da cidade Carlos Eduardo. O prefeito comentou a decoração natalina, o fim da CPMF, a urbanização de Natal e falou dos projetos para 2008. Desviou o foco quando o assunto foi sucessão e sentiu-se desconfortável quando foi tratado a urbanização da favela do Passo da Pátria. A melhor entrevista com político que fizemos no Xeque Mate. Uma dica: assistam até o final, a cereja do sorvete. A entrevista vai ao ar na próxima sexta-feira, dia 21, às 19 horas na TV universitária, está imperdível.

Presidência do Senado

Garibaldi Alves Filho, ex governador do Rio Grande do Norte, sobrinho do oligarca potiguar Aluísio Alves, primo do deputado federal Henrique Eduardo Alves, parente próximo dos prefeitos de Parnamirim, Agnelo Alves e de Natal, Carlos Eduardo Alves, ex-opositor do PT e da CPMF e que trocou o seu voto quanto a absolvição de Renan Calheiros, votando a favor do crápula, acaba de ser eleito presidente do Senado.

Estamos bem (?) na fita. O provincianismo potiguar vai ferver. Não estranharei se soltarem fogos comemorando a vitória de Garibaldi para presidente do Senado. Não será estranho também ver seus opositores locais que viviam de criticá-lo, elogiando a garra e competência do ilustre político potiguar.

Muitos dirão, é uma vitória do RN. Eu digo, é uma vitória de Garibaldi. Ele sendo presidente do senado, ou não, não mudará em nada as condições em que vivemos. O senador potiguar só terá status e mídia.

E, desculpem os que acreditam, mas status e mídia não representa efetivamente nada, nem uma migalhinha de pão para o nosso pobre RN.

São Paulo, O Lugar Comum

Na oficina de sábado (que, para o nosso prazer, foi mais um bate papo descontraído) com o jornalista Humberto Werneck, dentro da programação do Colóquio Rumos Jornalismo Cultural, promovido pelo Itaú, na capital paulista, o escritor e jornalista falou da importância e do cuidado extremo que nós devemos ter com os nossos textos. Em meio a várias boas dicas, Humberto falou uma que ouço desde quando me meti a escrever. Evitar o lugar comum.

Definir a minha estadia em São Paulo é, justamente, ignorar a dica dada por Humberto e por todos os professores de texto que tive. A melhor expressão para descrever a cidade é um lugar comum batido, mas que expressa de forma bem próxima o que eu vi por lá. São Paulo não para. É uma realidade que constatei em plena madrugada na capital paulista com estações de metrô lotadas, apesar do relógio marcar 4 horas da manhã. Segundo uma amiga do Rumos que morou por lá, a capital paulista é um excelente lugar para estudar o caos urbano dos grandes centros. Afinal, São Paulo é um caos urbano de pessoas insones. Aliás, pessoas é o que mais existe em São Paulo.

Nunca vi tanta gente junta na minha vida. Em todos os lugares que fui, com exceção da sala de cinema da Fundação Cásper Líbero em que vi o filme alemão A Vida dos Outros, todos os locais que visitei estavam abarrotados de gente. Na avenida paulista olhar para frente é deparar-se com um mar sem fim de pessoas e carros misturados, andando de um lado para o outro e, nas margens desse mar, prédios imensos e muito bonitos A maresia desse oceano paulista é uma fumaça transparente, leve, soltada pelas toneladas de gases tóxicos que são expelidos diariamente por ali. Uma visão surreal para quem não está acostumado. Andar na paulista, ouvindo o barulho de buzinas infernais (ô povo que gosta de buzinar heim) e tendo essa visão me fez entender porque tanta gente tem problemas de stress no Brasil.

Mas não é só de gente, carros e poluição que é feita a cidade de São Paulo. É de pizzarias também. Próximo do hotel em que eu ficava, num perímetro curto de 3 quadras, contei 4 pizzarias. Ou seja, mais de uma pizzaria por quadra. O interessante e bom disso é que a pizza lá é barata. Paguei 20 reais para comer uma pizza grande (lá eles não tem gigante) maravilhosa meia portuguesa, meia mussarela, com mais o refrigerante de 2 litros. Coisa impossível de acontecer em terras potiguares. Fora isso, havia uma variedade de sabores que me deixou boquiaberto. A grande maioria das pizzarias, pelo que percebi, usam forno a lenha e as pizzas são todas muito boas. Bem diferente daqui que paga-se absurdos por elas.

Outra peculiaridade é a boa educação do povo paulista. Fui bem atendido em todos os lugares em que estive. E, ao contrário do que eu pensava, o paulista não é frio. É um povo que gosta muito de conversar e de ser prestativo. Interessante isso, porque o perfil do natalense é diferente. É um povo mais frio, muitas vezes mal educado* que se interessa muito pela vida alheia, apesar de ser muito honesto e hospitaleiro. Em São Paulo você pode estar com uma melancia pendurada no pescoço que você não é olhado. Em Natal, basta uma roupa diferente para você ser taxado de isso ou aquilo. Por outro lado, ao voltar do hotel para o aeroporto, senti toda o conservadorismo paulistano quando, conversando sobre pedofilia com o taxista, ele afirmou indignado: "o que mais me deixa irritado com esses pedófilos é que eles querem comer os meninos. Se fosse as menininhas, vai lá, eu até entendia, tem umas que parecem mulher, mas não sei porque o interesse em (sic) comer o rabo de menino". Como se comer as menininhas diminuísse o absurdo e o terror que é a pedofilia.

São Paulo me impressionou também pela sua efervescência cultural. Cinema, teatro, dança, música, literatura, artes plásticas, arte urbana, arte mobile... Tudo o que se desejar e um pouco mais você encontra na capital paulista. Pena que o meu tempo livre por lá foi pequeno para aproveitar pelo menos parte do que a programação cultural que cidade podia me oferecer. Perdi a exposição de Yoko Ono que ocorria no Centro Cultural Banco do Brasil e a mostra do minuto que acontecia, salvo engano, no espaço Unibanco. Mas, ao menos, consegui ver um excelente filme, visitar uma feira de arte mobile muito interessante e curtir She Wants Revenge e Phoenix no Memorial da América Latina.

Nesse momento do texto me sinto, novamente, impelido a descumprir a regra do lugar comum para falar de São Paulo. A terra da garoa. Não há definição que se aproxime mais do que é o clima de lá como essa. Várias vezes, durante a tarde, ao caminhar pela paulista, fui surpreendido pela garoa paulistana. Parece que o clima de lá tem algum tipo de crise existencial, ou é mulher em TPM. Não sabe o que quer. Quando você menos espera, chuva. E chuva forte. O mesmo quanto a temperatura, o clima de lá não sabe se é quente ou frio. Pior que essa peculiaridade me pregou peças. Quando saí preparado para o frio, no sábado, pensando que sabia como funcionava a lógica climática da cidade, calor. Muito calor e pobre de mim que não tive tempo de voltar para o hotel e me trocar.

No geral, o saldo foi positivo. Gostei da cidade, apesar da loucura que deve ser morar e trabalhar lá. É óbvio que a minha simpática cidade provinciana em termos de qualidade de vida é bem melhor que a capital paulista. Mas a falta de oportunidades por aqui e, sobretudo, a falta de uma programação cultural mais diversificada, de investimentos nessa área (precisamos urgentemente de mais teatros) e a desvalorização do profissional do jornalismo, me fazem achar que talvez São Paulo seria um lugar interessante para viver. Não sei é algo a ser pensado. O que sei é que quebrei regras com esse texto, não foi Werneck? Desculpa, mas afinal, regras nasceram para serem quebradas.

Itaú Cultural

Estou em São Paulo acompanhando a programação do Rumos Jornalismo Cultural organizado pelo Itaú Cultural. Hoje é o último dia com uma uma aula expositiva com o jornalista e escritor Humberto Werneck.

Durante o evento, que começou no dia 6 de dezembro, passaram pela sala vermelha do Itaú nomes como Cremilda Medina, Cuca Fromer, Tutty Vasques entre outros grandes nomes do jornalismo cultural brasileiro e um nome de peso internacional: o editor de cultura do El País da Espanha, Pablo Guimón.

Ou seja, o nível dos debates foi lá em cima.

E o nível do público não deixou a desejar. Ontem, por exemplo, dentre estudantes de jornalismo, jornalistas e blogueiros que assistiam atentos a mesa sobre o texto no jornalismo cultural, estava a escritora paulistana Lygia Fagundes Telles. À propósito, um amor de pessoa.

Quando voltar, feliz pela riqueza que está sendo a minha passagem por São Paulo, escreverei sobre o Colóquio e a minha estadia na capital paulista.

Ps. Ainda to devendo a agenda de dezembro

Nota do dia

Hoje é um dia histórico. Corinthians rebaixou para a série B do Campeonato Brasileiro. E a TV digital estréia em São Paulo, acompanhando o sistema brasileiro de TV digital. A TV Brasil também começou hoje no sudeste brasileiro. Em alguns meses, as novidades estarão chegando em terras potiguares. E o glorioso (?) timão enfrentando o América e o ABC, a TV digital e a TV Brasil, ali em meados de julho.

ps. Procurando eventos para fazer a agenda de dezembro

Lugares legais para se visitar em Natal

A província de Natal é uma cidade com um imenso apelo turístico. Estima-se que recebe anualmente mais de um milhão de turistas. Muito deles, estrangeiros. O povo natalense é muito receptivo. Receptivo até demais, eu diria. A quantidade de turistas estrangeiros está ficando tão grande que, em alguns lugares, você olha para os lados e pensa não estar mais no Brasil. Se não fosse pelo calor constante, a brisa ocêanica e a gritante carência de infra-estrutura e falta de obras básicas, problemas típicos do chamado terceiro mundo, acreditaria estar em alguma cidadezinha européia.

Estava pensando com o tico e teco estes dias. Os principais pontos turísticos estão recheados das nossas maravilhosas belezas naturais, mas completamente sem nenhuma rota dedicada a cultura e a história da cidade. Nisso, pensei em enumerar locais de relevância histórica /cultural da cidade, esquecidas pelas rotas turísticas tradicionais.

O primeiro lugar que eu recomendaria é o Forte dos Reis Magos. Por motivos óbvios. A relevância histórica do local é absurda. O forte era usado pelos portugueses para evitar ataques dos corsários franceses que desembocavam na nossa terra em busca do pau brasil. E, em 1638, quando Natal deixou de ser natal para ser Nova Amsterdã (apenas dois locais do mundo tiveram esse nome, Natal e Nova York) o forte dos Reis Magos foi de domínio holandês e o seu nome fora mudado para Castelo Ceulen durante cerca de 20 anos, até a retomada portuguesas por essas terras.

O segundo local que não poderia faltar a um forasteiro que visita a cidade é a Ribeira/Cidade Alta. Centros históricos da cidade. Nestes locais estão localizado a maioria dos prédios antigos, construções dos séculos anteriores, muitas deterioradas pela falta de cuidado do poder público. A Ribeira e a Cidade Alta foram por muito tempo os principal locais da cidade. Neles temos o Teatro Alberto Maranhão, a rua dos sebos, a Praça José de Albuquerque (onde começou a cidade) e o Beco da Lama.

O beco da lama foi e ainda é o recanto da boemia dos intelectuais que nasceram, vivera, vieram, ou visitaram a cidade (não me recordo agora de nomes para citar). O beco consiste numa rua estreita cheia de bares com programação cultural diversa em algumas ocasiões do ano. Infelizmente é um local esquecido pelo poder público e que sobrevive por conta dos moradores e de uma associação chamada SAMBA (sociedade dos amigos do beco da lama). Muito, mas muito melhor que a badalada rua do salsa. E o preço, bem mais em conta.

E dentro do beco da lama, recomendo o bar da meladinha e o bar do chorinho. O primeiro leva esse nome por causa da sua bebida, especiaria da casa, a meladinha. Cana, mel e limão. Essa simples mistura, servida pelas meladetes, e tomadas de um gole só, resultam num efeito alcoolico quase transcendental. E não se engane, você pode ver diversas pessoas tentando realizar tal mistura, mas a original esta lá, no beco da lama. O segundo é um boteco, localizado a alguns metros do bar da meladinha. É um lugar simpático, com apresentações regulares de um grupo de chorinho dos moradores da região. Eles tocam numa mesa de bar, de frente a uma parede que tem um desenho muito legal do próprio grupo tocando. O clima do bar é excepcional com os clássicos da música brasileira bem tocados pelo grupo. Misturados com cerveja então, a alegria tá feita. É um excelente lugar para se visitar na noite.

Um outro ponto mais do que interessante é a Casa da Ribeira. O local é um Centro Cultural construído por iniciativa do grupo de teatro Clows de Sheakspere. Aconchegante, é um teatro com um café na parte de cima e um espaço para mostra artísticas, a Casa da Ribeira sempre tem uma programação interessante e de qualidade nos finais de semana. Um outro ponto interessante é que a Casa Cultural funciona num prédio do século 19 que, se não fosse a iniciativa do grupo, estaria em ruínas, assim como a maioria das construções antigas da Ribeira.

Outro lugar bom para se conhecer, caso o forasteiro goste de rock, é a Rua Chile, também na Ribeira. Na rua chile está localizada quase todos os bares dedicados a música rock da cidade. Nela temos o Dosol Rock Bar, o galpão 29 e agora o Armazem Hall que dá indícios de seguir o mesmo rumo das outras duas. Quando há um show "grande", geralmente fecha-se a Rua Chile para o evento.

Ainda na Ribeira, para quem gosta de cinema e música de qualidade, existe o Nalva Melo Café Salão. Local novo, recém inaugurado, bem próximo a Rua Chile e a Casa da Ribeira, na Tavares Lira, rua paralela a Rua Chile e a Frei Miguelinho(Casa da Ribeira). O lugar é um salão de beleza de dia e um café bastante aconchegante a noite. Por lá rolam apresentações culturais de bons artistas potiguares e nas sextas-feiras uma sessão ordinária do Cineclube Natal. Vale muito a pena conhecer.

Saindo da Ribeira, um lugar interessantíssimo é a Limbo Livros Selecionados. A Limbo localiza-se em Tirol, na Av. Afonso Pena, 666. A livraria é um espaço bem pequeno e que, segundo os seus donos, por causa do tamanho só entra lá o que for bom. É uma livraria que se orgulha de não vender livros de auto ajuda e best sellers sem qualidade. É o principal ponto de efervescência literária da cidade.

Um outro local legal é a Velvet Café e Disco que, recentemente, escrevi por aqui. Por isso, vou deixar o link da postagem.

Bem, esses são os principais locais que eu recomendaria a um amigo a conhecer, durante a sua estadia em Natal. É um trajeto pelo que tem de melhor na cidade, mas que infelizmente é esquecido.
top