Maior do mundo


Depois da maior árvore de natal do mundo, inventado pela prefeitura de Natal e desmentido dias depois, o posto Ale traz para a cidade outro feito digno de Guiness Book. É o Puro Swing, um bonecão que, segundo se fala, é o maior boneco de posto já feito pela humanidade - a oitava maravilha do mundo (sic).

A invenção tem 30 metros de altura, alegria, swing e tosqueira, fica perto do aeroporto e tem até site oficial. Ele promete aumentar o turismo (claro, vou para Natal só para tirar uma foto com o bonecão) e foi feito para a promoção do posto na cidade.

Na página do feito é possível comparar o tamanho do boneco de posto com o nosso. Eu, por exemplo, que meço 1,75 sou 17 vezes menor que o sorridente Puro Swing. Ah e se o usuário tiver criatividade, ainda pode entrar para a história batizando o bonecão.

Foi usado mais de 600 metros lineares de tecido para a confecção da maravilha, ele tem braços de 11 metros e o raio de movimentação também é de 11 metros. O Puro Swing equivale a 364 outros irmãos menores e uma gorila de 15 metros e 7 toneladas não seria capaz de enfrentá-lo.

Além disso, o bonecão tem um tamanho capaz de chocar toda a sociedade potiguar e, caso for atingido por um raio, ele adquirá poderes cósmicos gerando um grave problema municipal na simpática e pacata Natal.

É de se impressionar.

Rir para não chorar


Acabei de ler no Diário de Natal. Guess what?

Pergunta que vale 1 milhão de reais:

QUEM ESTÁ COTADO PARA SER O NOVO SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA, NO GOVERNO DA BORBOLETA?

*dica: teremos serestas o ano inteiro!

Maravilha Alberto.

Coquetel Molotov - Segunda Noite


Com bem menos gente do que no dia anterior, a segunda noite do festival sofreu com o problema do atraso da banda Club 8 na hora de entrar no palco da Sala Cine UFPE, o que acabou gerando um conflito de horários com o show de Catarina (PE) no teatro da UFPE. O público foi obrigado a fazer escolhas. Eu escolhi por Club 8 e não me arrependi.

No inferninho… ops, Sala Cine tocaram mais três bandas: Akin (SP), Pocilga Deluxe (PE) e Zeca Viana e a Onomatopéia Bum (PE). Nada contra a sala, mas com o crescimento do festival acho que seria interessante a produção pensar a possibilidade de que no ano que vem as bandas gratuitas toquem no hall de entrada do teatro, onde se concentra a maior parte das pessoas e o calor apresenta índices suportáveis. Enfim, só entrei na Sala Cine para ver o belo show que o Club 8 fez.

Com voz, violão e uma vocalista que despertou comentários do tipo “gostosa-sa-sa-sa” entre os homens que acompanhavam a apresentação, os suecos soaram muito bem neste formato acústico e fizeram um show que dificilmente as pessoas que acompanharam vão esquecer. Muito parecido com a apresentação das também suecas do Hello Safaride no ano passado no mesmo formato acústico, com a diferença que o público desta vez estava em pé. Um som suave, com uma vocalista extremamente competente - quem esperou e viu o show de Club 8, sequer notou que a primeira apresentação no teatro da UFPE aconteceu simultaneamente.

No friozinho e conforto do teatro, o final de Catarina marcou o início de uma das minhas melhores descobertas feitas em festivais de música independente que já fui. Final Fantasy, projeto solo do violinista do Arcade Fire, Owen Pallet. No show era ele, o violino e uns samplers tirados no teclado, o resultado: uma sonoridade incrível que hipnotizou a maioria das pessoas que estavam no teatro (exceto pelo jardim de infância pernambucano que queria que Mallu começasse logo). Ele se define no release como um “cover de Strokes tocado no violino”, para mim ele é muito mais, seu monólogo com o instrumento impressiona. Vale muito a pena conhecer.

Para a alegria do jardim de infância que lotava o teatro da UFPE, Mallu entrou com seu banjo e uma roupinha branca para começar o seu show. Parecia um tanto envergonhada, não falou nada no microfone e foi logo mandando a primeira música. O público infantil delirava. Impressionante a quantidade de garotos e garotas esbanjando seus 14, 13, 12 anos no show da Mallu. Coisa que a meu ver tem um ponto positivo e negativo. O positivo é que se considerarmos que a última “musa” infantil jovem foi Sandy e que há um abismo de diferença entre a qualidade musical de ambas, chegaremos a conclusão que a próxima geração, ao menos, cantará músicas melhores do que “Imortal”. O ponto negativo é que boy é sem noção. Meu Deus, parecia que Mallu era uma santa, tamanha explosão infanto-juvenil no teatro e a galerinha levantava, ia lá pra frente gritar achando que só eles queriam assistir o show. Apesar disso foi um bom show. Destaque para a fofeza dela ao chamar “dois banquinhos e Marcelo Camelo” para cantar junto. Desta vez não houve chorôrô e ambos repetiram as mesmas duas músicas da noite anterior. Poderiam ter tocado outras. Ainda teve os covers de Jonhny Cash, para mim, muito bem executado (apesar dos gritinhos da cantora).

Peter Bjorn and John era a alegria/esperança/salvação indie da noite. Mallu saiu e levou com ela boa parte do jardim de infância do teatro. O grupo sueco foi a última banda do festival e da invasão sueca. E não fizeram feio. Entraram empolgados, com direito a uma colinha escrita em português que leram para o público e com um show para colocar todo mundo para dançar. Destaque para o hit “Young Folks” (música mais tocana no ITunes europeu no ano passado), momento “tira o pé do chão indie” como o jornalista Tádzio muito bem definiu, sem sequer ter visto o show.

A quinta edição do No Ar Coquetel Molotov o solidificou ainda mais como uma bela opção de festival de música no nordeste. Seja pela sua organização e as bandas escaladas, seja pelo preço. Para se ter uma idéia, o show de Shout Out Lounds e Peter Bjorn and John custará a bagatela de R$ 100 em São Paulo. As duas noites do Coquetel, pagando inteira custa ao todo R$ 60. Vale muito a pena ir para Recife e acompanhar este festival. Ano que vem, estarei lá de novo.

Resenha publicada também em: www.catorzeblog.wordpress.com

Coquetel Molotov - Primeira Noite


A quinta edição do Coquetel Molotov vai entrar para história musical brasileira. Apostar na estréia do ex-Hermano Marcelo Camelo no seu projeto solo e ainda por cima chamar Mallu Magalhães para tocar junto com ele foi uma tacada de mestre da produção. Foi porque, gostando de Los Hermanos ou não, Camelo é um compositor de talento raro, fora a simpatia que esbanja com o público e a qualidade das suas músicas. É um dos músicos mais talentosos da nova geração. E Mallu Magalhães nem se fala. Ouro puro.

Depois de muito suor para conseguir o ingresso de sexta (pasmem, blogueiros não recebem credencial) consegui entrar no infer… ops, Sala Cine UFPE para ver o show dos conterrâneos do Bandini. Vale ressaltar que na terça-feira esgotaram os ingressos, resultado do caô dos fãs de Los Hermanos. O Bandini fez um show com personalidade e de força. Entraram, ajeitaram os equipamentos, Galego soltou a deixa “Somos o Bandini, somos de Natal e todas as músicas são autorais” e aí começaram a tocar composições do EP “Time Can Break Your Heart” algumas músicas novas e o seu poderoso post-punk ressou pela sala. Show foi foda e, só para não perder o costume, o grupo sofreu com um probleminha no cabo de um dos instrumentos que rendeu algumas minutos de espera para o público. A banda só precisa superar mesmo um pouco o nervosismo e se soltarem mais no palco, além de arranjarem um bom técnico de som.

Ainda tocaram outras bandas na Sala Cine, mas não aguentei o calor e fui correndo atrás de uma cerveja gelada do lado de fora. Uma pena. Ouvi dizer que Burro Morto (PB) e Guizado (SP) fizeram shows excelentes. Depois de ‘refrescado’ (sem duplos sentidos) encarei a fila que se formava em frente a entrada do teatro da UFPE. A primeira banda do teatro foi Júlia Says. Não entendi o som deles até agora, aliás fiquei pouco tempo tentando entender. Não gostei na verdade do som. Do show, não posso dizer muita coisa porque saí. Esperei lá fora pela apresentação de Cidadão Instigado.

Cidadão Instigado entrou para uma apresentação competente. Eles foram escalados de última hora, depois do problema que a produção teve com os matogrossenses do Vanguart. Mesclaram músicas dos CD’s anteriores e algumas novas composições que deverão entrar no novo trabalho. O público se divertiu muito no show deles e o problema que a produção teve acabou muito bem. Até porque, Vanguart provavelmente repetiria o mesmo show que sempre fazem.

Shout Out Lounds foi a primeira das suecas a tocar. Gosto do som deles e ver as músicas ao vivo foi uma experiência muito boa. Logo de cara, o vocalista tentou arriscar algumas palavras em português, o que gerou um certo frisson no público. O show foi forte, potente, animado, um pouco diferente do último álbum deles Our Ill Wills, que é mais morgadão. As músicas ficaram mais animadas, principalmente aliada a alegria dos músicos que estavam ali. Parecia até mesmo que Recife era o paraíso dos suecos.

Na verdade, Recife foi o paraíso loshermanosmaníaco nesta sexta de Festival. No teatro não cabia mais uma viva’lma entre previnidos que conseguiram pagar R$ 10 até os azarados que tiveram que pagar o absurdo de até R$ 60 dos cambistas. Dá-lhe Camelo. Ele entrou, falou que tinha que ser ali seu primeiro show, o público delirou. Alías, o público delirou a cada respirada diferente que o homem dava. Impressionante a loucura dos fãs. Sentou no seu banquinho, pegou o violão e começou a tocar as músicas do seu disco solo. Impressionou-se com a fato do teatro inteiro cantar junto com ele as músicas lançadas apenas a uma semana atrás. E aí chamou a Mallu Magalhães. Antes disso falou que a menina mudou o modo dele ver a música. Ela entrou um tanto tímida, passou longos minutos abraçada com o ídolo, sentou no banquinho ao lado e quando começaram a tocar “Janta”, a menina não aguentou. Chorou muito. Aquele choro infantil e sincero. Ela mal conseguia cantar e dedilhar seu violão. Foi um momento realmente bonito. E aí, tocaram Morena, do último CD do Los Hermanos. Acho que dá para imaginar a reação do público.Depois disso, Mallu saiu e se sentou do lado do palco, assistindo ao show e talvez imaginando que aquilo tudo era um sonho. De hora em hora, ela abaixava a cabeça. Mal esperava ela pelo que estava por vir. Hurtmold ainda tocou uma música, Camelo tocou suas composições e aí terminou o show. Se despediu e saiu do palco. Passaram uns 5 minutos ele voltou só com seu banquinho e o violão. Enquanto todo mundo esperava que ele cantasse os sucessos Los Hermanos, ele manda Thubaruba. Ponto alto da noite. Mallu corre, chora no seu ombro e se arrisca no microfone, cantando junto com o ídolo. Surreal.

A primeira noite valeu o ingresso. Valeu muito mais. Camelo conseguiu mostrar personalidade e muito talento com suas novas músicas e os shows de Shout Out Lounds e Cidadão Instigado foram muito bons. Mas ainda faltava Peter Bjorn and Jonh e Club 8.

Resenha postada também no novo blog: www.catorzeblog.wordpress.com
Cheguei ontem do Coquetel Molotov com ânsia de vômito e muito sono. Durmi uma média de 3 horas por dia quando eu tava em Recife. E a estrada Natal/Recife tá péssima.

Tirei algo em torno de 400 fotos, das quais, pelo menos, umas 150 ficaram realmente boas e eu as quero editar.

Além disso, como de costume, tem a minha resenha sobre os dois dias do festival. Não tive tempo para fazer por causa das fotos.

Até hoje a noite eu pretendo escrevê-la e postar algumas fotos.

Vou inaugurar meu blog novo com a resenha, mas também vou deixá-la aqui.

Aguardem

Marcelo Camelo e Mallu Magalhães


Foi emocionante.

Camelo chamou Mallu, ela entrou com aquele jeitinho de menininha dela. Os dois passaram um tempo abraçados, até que sentaram e começaram a tocar "Janta", música do CD solo do ex-los hermanos com a cantora.

O teatro lotado começou a cantar junto. Foi impressionante. E Mallu chorou. Chorou muito, enquanto Camelo cantava. Quando chegou na parte dela, ela mal conseguia falar.

Depois que terminou a música, eles juntos ainda tocaram "Morena", do último CD do Los Hermanos. O público delirou.

Depois disso, Mallu ficou sentada ao lado do palco assistindo o término do show.

Até que no final, Camelo sai, volta, senta no banco e impressiona todo mundo ao cantar tchubaruba, hit de Mallu Magalhães. Ela corre até o microfone, abraça denovo Marcelo Camelo e canta junto com ele.

Foi lindo. Valeu todo o esforço de vir pra Recife acompanhar o Coquetel. Fora que Cidadão Instigado, Shout Out Lounds fizeram um show do caralho. E Bandini representou Natal muito bem na sala Cine UFPE.

Domingo posto resenhas com fotos.

Coquetel Molotov e Novidades

Tô de malas prontas para Recife para assistir o Coquetel Molotov deste ano.

Nesta edição tocam as bandas suecas Shout Out Lounds e Peter Bjorn And Jonh, além de Club 8, Mallu Magalhães, Cidadão Instigado e o primeiro show solo de Marcelo Camelo. Fora outros grupos dos quais não consigo lembrar o nome agora.

Ah, vale frisar que os ingressos de hoje se esgotaram na terça. Tudo graças ao barbudo do Camelo. 

Vou sem ingresso, tentar ter sorte, comprar na hora e assistir o show.

Os potiguares do Bandini também tocam hoje. Tô torcendo para que eles façam um bom show. Eles tem uma sonoridade excelente, mas muito azar com o som. 

Domingo postarei minha resenha/impressões sobre os dois dias do Coquetel. 

Novidades

Dentre as novidades, está meu projeto escrito-literário-jornalístico-fotográfico novo. É o Catorze-Blog, hospedado no wordpress

Devo me dedicar mais a ele, assim que o layout e os detalhes estiverem nos trinques. Mas não desativarei este, quiçá deixarei de postar.

Mas a proposta e o layout do blogdorosk vão mudar em breve. 

Aguardem.

Foto do dia



Festival DoSol 2008

Enquanto o MADA deste ano colecionou críticas pela falta de critério na seleção das bandas independentes, o DoSol surpreende. No site oficial, o produtor Anderson Foca vem divulgando as bandas que tocarão nos dias 1 e 2 de novembro na Rua Chile e de 11 a 14 de novembro na Casa da Ribeira.

Dentre as potiguares, Foca teve a sensibilidade de pegar o fino do que é produzido por aqui. Brand New Hate, Lunares, Camarones Orquestra Guitarrística, Barbiekill e Rosa de Pedra são as bandas que ultimamente movimentam mais o cenário musical potiguar. Para mim, ainda faltava Bonnies e Automatics para chutar o pau da barraca. Como as duas já são veteranas, entendo o ausência delas na programação.

Além delas, temos confirmado: Forgotten Boys (SP), Torture Squad (SP), Carbona (RJ), Mukeka Di Rato (ES) e a banda norte americana The Donnas. Uma escalação que vale já o ingresso para todos os dias do Festival.

Ainda ha mais para ser divulgado e sinto cheiro de novidades por vir. Pelo andar da carruagem, tudo indica que este ano o Festival DoSol será um dos melhores do nordeste e o melhor de Natal.

Veremos.

Era uma Vez Breno Silveira


Quando o longa "2 Filhos de Francisco" de Breno Silveira foi o filme brasileiro escolhido para representar a nação canarinha no Oscar 2006, deu para sentir forte cheiro de peixe no ar. Peixada. Sob a batuta da Globo e a fama de uma das duplas sertanejas mais populares do Brasil, o mais-ou-menos longa entrou na lista de filmes brasileiros rejeitados pela academia Hollywoodiana com o seu devido merecimento. Dois anos depois e sem peixe assado, Breno tenta a sorte com outro mais-ou-menos: "Era uma Vez...".

A história é de Dé, morador do morro do Cantagalo no Rio de Janeiro que trabalha num quiosque de vendas de cachorro quente em Ipanema. O jovem apaixona-se por Nina, menina nascida em berço de ouro que mora num apartamento de luxo. Os dois namoram, tem todo aquele romance e problemas por serem de origens diferentes. Ai já viu: família não quer. Problemas. Problemas. Tráfico de drogas no meio disso tudo e toda essa novelinha até um desfecho tragicômico.

Para um filme em que o diretor brasiliense resumiu de "Cidade de Deus intimista" ficou mais parecido com um tentativa frustrada de ser um Sheakspere contemporâneo. As técnicas de edição podiam ser melhores exploradas e o roteiro, repensado. É uma pena que muitos filmes brasileiros insistem na fórmula narrativa e de produção das novelas para dar certo. Cinema é outra linguagem. No final das contas, "Era uma Vez..." termina sendo um conto de fadas mal contado.

Apesar disso tem uma boa fotografia, um elenco estável e uma trilha sonora que desce, (a não ser pelo Claudinho e Bochecha na cena em que o mocinho beija a sua amada). Vem também recheado do estilo documentarista de fazer ficção que é a vanguarda atual do cinema brasileiro e muito bem explorado por diretores como Fernando Meirelles e Walter Salles. E que em outubro terá outro estreante: Bruno Barreto. Pronto, só isso. O resto são alguns detalhes copiados de filmes como "Tropa de Elite" (o caso da maconha) e "Cidade de Deus" (o baile funk e o morro) e os outros "filmes de favela" insistentemente lançados todos os anos no mercado cinematográfico brasileiro.

No meio disso tudo o destaque positivo é a referência que o filme faz ao livro-reportagem "Cidade Partida" de Zuenir Ventura e também o ator Thiago Martins, que interpreta o protagonista. Fora isso e, agora, sem peixada o novo longa do ex-diretor de fotografia deverá ter um destino não tão glorioso como "2 Filhos de Francisco". Uma pena, mas merecido.

Só espero que o badalado "Linha de Passe" de Walter Salles, que estréia este mês no Brasil (não sei em Natal), não decepcione.

O jornalismo que forma

A primeira vez que tive contato com Gabriel Garcia Marquez foi na blogosfera. Li, no falecido e-digitais o conto "Avião da Bela Adormecida" e foi amor à primeira vista. Meu segundo contato foi com uma notícia dizendo que ele acabava de lançar "Memórias das Minhas Putas Tristes". Corri para livraria e comprei o livro. Depois li quase tudo o que ele havia escrito. Hoje considero o colombiano o meu autor preferido.

Eu comecei a me interessar por literatura e jornalismo cultural, quando eu tinha dez anos e estava em Brasilia. Na casa do meu pai tive contato com a edição de domingo do jornal "Correio Brasiliense". Folhando aquele objeto estranho, encontro um caderno mais estilizado. Batata. Toda vez que eu abria um jornal, procurava esse caderno e sempre o lia.

Foi assim que conheci os grupos de teatro de Natal. Era dessa forma que iria procurar o filme que ia assistir. Lendo o jornal, comecei a querer escrever igual. Para isso, comecei a ler. Primeiro Harry Potter e Senhor dos Anéis. Depois Machado de Assis e Graciliano Ramos (nesse meio tempo passei a me interessar por rock também). Não sou de uma família que cultiva o hábito de leitura. Os livros que minha mãe tem eram todos religiosos. E ela não lia. Não convivi com meu pai. Com exceção da minha avó e de um tio distante, ninguém da minha família lia.

Tive a mesma educação que meu irmão teve. Ele não se interessa por literatura, nem por jornalismo. Posso dizer hoje que fui (e ainda sou) 'formado' culturalmente pelo jornalismo cultural. Por meio do jornalismo, conheci a maior parte dos livros, das bandas e dos filmes que gosto hoje. A partir das revistas que leio e dos blogs que visito, eu escolho qual filme assistir ou que livro vou ler. Ainda me formo culturalmente pelo jornalismo. Infelizmente os jornais natalenses hoje em dia não têm mais opinião. São feitos a base de releases enviados diretamente pela assessoria de grupos culturais. Ele não forma e nem informa ninguém. É um jornalismo acomodado.

Formar não é ensinar a ler. É mostrar para o leitor que existe produção cultural, é instigar o leitor a pensar sobre determinada obra de arte, sobre determinado filme. É fazê-lo ver que ir ao teatro é bom, que ler um bom livro nos engrandece. É escrever com segurança, clareza e inteligência suficiente para conquistar o leitor e fazer com que ele, ao menos, procure a editoria de novo. Mesmo ele não gostando de leitura. Um texto bem escrito seduz. O jornalismo cultural tem esse poder. Pena que uma série de 'escribas' acreditam que a linguagem e o objetivo dessa editoria é para escrever apenas para os 'cults'. Pena.

O jornalismo, sobretudo o cultural, tem a sua função na educação. O jornalismo atinge a massa, cria opinião. Fazer jornalismo é também informar o leitor que Machado de Assis é o maior romancista brasileiro, ou que Chico Buarque também pode ser um grande escritor. É mostrar para o leitor que existe qualidade no cinema brasileiro atual. É, sobretudo, instigar a curiosidade do leitor. A partir da curiosidade, ele poderá alçar novos vôos. Grande parte da "falta de cultura" do povo é culpa da mídia. Ela não instiga. Não faz pensar. Repete a agenda cultural. Não é a toa que os jornais hoje vendem pouco. Eles não são mais instigantes como antigamente e, besteira por besteira, muita gente prefere ficar na frente da TV. É mais fácil.

Os potiguares talvez participariam mais da cultura local, se os meios de comunicação ressaltassem que aqui temos um grupo de teatro premiado pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte). Um dos mais importantes prêmios do país. Ou que temos um escritor do quilate de Nei Leandro de Castro. Dizer que temos grandes músicos potiguares, também não é pecado. O problema é que há um ciclo vicioso, os ditos jornalistas culturais da cidade acham que o povo não se interessa por cultura e continuam escrevendo apenas para o seu grupinho. Os empresários pensam da mesma forma e insistem em continuar a rotina de publicação de releases nos cadernos de cultura. E o povo continua desinformado e sendo chamado de idiota por 'cults' e empresários.

O terceiro e chuvoso dia do MADA

Quando a produção decidiu mudar a data da edição de 10 anos do MADA de maio para agosto foi com o objetivo de evitar as chuvas. Em Natal, o período de chuvas dura normalmente de maio a julho. A produção só não contava com um ano atípico na cidade. São Pedro não poupou água. Começou tímido com um chuvisco no início do show de Cordel do Fogo Encantado para culminar num toró que durou o resto da madrugada. Uma pena para Josh Rouse e Seu Jorge, que fizeram bons shows para quase ninguém.

A primeira banda a se apresentar no último dia foi a potiguar Rosa de Pedra, que contou com reforço do grupo de dança Cia Xamânica. Eles tocaram as 21h, enquanto eu estava na parada de ônibus, a mais de uma hora, esperando o bendito 56. Não vi, mas pelo que disseram, não perdi muito.

Me parece que o que eu realmente perdi foi o som dos paraibanos do Sem Horas. Um rockability muito bem executado. Tudo culpa do maldito sistema de transporte público de Natal, que não permite o cidadão a deixar o carro em casa para se divertir a noite com segurança e eficiência. Tristeza.

Enfim, cheguei assim que os cariocas do Macanjo subiram no palco. Não gostei da banda. O show foi animado, o público se divertiu. O som é bem executado, mas as músicas são ruins, parecem trilha da novela Malhação e coisas do tipo. É aquele maldito pop óbvio. Sinceramente, as bandas independentes das edições anteriores do MADA eram melhores.

Depois de Macanjo, os animados mineiros do Falcatrua subiram no palco. Confesso que gostei do som deles. Ainda ficou muito longe do nível das apresentações das bandas independentes do ano passado. Fizeram alguns covers, animaram o público que os assistiram. Vale ressaltar: bem maior do que a platéia da quinta e da sexta-feira. Destaque para o vocalista da banda numa empolgação tocante.

A Mallu Magalhães entrou no palco um tanto tímida, com aquele jeito de criança, mas fez um show muito bom. O primeiro, realmente empolgante, na noite. Já é clichê falar que a menina esbaja talento ou é um hype. Isso todo mundo sabe. Gostei de vê-la no palco, um acerto da produção, que poderia ter sido maior se, logo depois dela, Josh Rouse tocasse.

Quando ela saiu do palco, o céu ameaçava fechar. Cordel do Fogo Encantado entrou abençoado por uma chuvinha tímida que refrescava a sensação de calor presente na platéia. A cenografia do palco e a iluminação estavam perfeitas. E isso vale um parêntese, um dos grandes acertos do MADA neste ano foi essa preocupação cenográfica, primeira vez que acontece na cidade. O show de Cordel foi aquilo que todo mundo esperava. Um espetáculo. Na minha opinião, o melhor show do festival. Com direito a um público encharcado implorando por mais uma música.

Cordel saiu no meio de uma tempestade. A essa altura já chovia e ventava muito. Josh Rouse, um dos shows que mais queria ver, tentou emplacar com o seu folk com uma pitada de referências latinas. Mas o toró atrapalhou tudo. E, como não bastasse, o pobre do Josh ainda teve que tocar depois do espetáculo do Cordel. Função ingrata. A produção poderia muito bem deixá-lo para tocar depois da Mallu e fechar com Cordel e Seu Jorge. Até por uma lógica de sonoridade e platéia. Infelizmente, só alguns gatos, literalmente pingados, ficaram para aproveitar o show de Josh. Muito bom, aliás.

Quando o pobre do Seu Jorge entrou, a maior parte do público ou já tinha debandado, ou estava na tenda curtindo o bate estaca. Mesmo assim o carioca conseguiu fazer uma boa apresentação, animou os corajosos que encararam o dilúvio. Tocou Jorge Ben Jor e alguns clássicos. Não posso falar muito porque, neste momento, eu estava encharcado, na tenda eletrônica, tentando me esquentar com o abafado e a quantidade de pessoas que havia lá e rezando para que a minha dor de cabeça e tosse constante não se transformasse em algo pior.

Para fechar, ainda rolou Montage (CE) para os corajosos. Atração surpresa, divulgada dias antes do Festival. A essa altura, eu estava num táxi a caminho do meu chuveiro elétrico e de roupas quentes, para depois dormir o domingo inteiro. Seria bem legal, se São Pedro não tivesse mandado tanta água.

O saldo final do MADA foi positivo. As headliners, sem dúvida, foram as melhores. Em compensação, as bandas independentes não foram lá muito boas. Ainda prefiro o formato antigo, com mais bandas e menos tempo para cada uma. O que salvou mesmo foi a estrutura do Festival. Tudo muito bem organizado, o som estava melhor, com reservas a um ou outro problema. Havia uma área coberta maior também, a tenda estava melhor organizada, assim como a feirinha. Além disso, o investimento em cenografia e iluminação dos shows foi um espetáculo a parte.

Uma pena que São Pedro ignorou a tentativa da produção de afastá-lo do festival e deus as caras no último dia.

A segunda 'bacana' noite do MADA

A segunda noite do MADA foi boa. Apesar de alguns pesares. Como o problema no som e a ‘surpresa da produção’. Lá pelas 23h, apresentador anunciou para o desesperos de muitos. "E para você que gosta de Rappa, depois do último show da noite, o vocalista da banda Falcão estará 'quebrando o barraco' na tenda eletrônica". Confesso que senti arrepios. E, sinceramente, eu não queria pagar para ver o 'barraco quebrando'.

Assim como não paguei para ver os natalenses "The Volta", a primeira banda a tocar na noite. Banda que, segundo o seu relise, depois de um tempo parados estavam the volta. Trocadilho cruel. É um daqueles grupos de pop óbvio, com um vocal digno dos melhores apresentadores de rádio da capital. O som não é bom e sinceramente não entendo ainda porque eles foram convidados. Não são bons e nem público tem na cidade. Não valia a pena.

Outra que não valeu foi Isaac e a Síntese Modular. Fiquei pensando onde a produção estava com a cabeça quando decidiram escalar a banda. Eles começaram o grupo há três meses, podiam esperar pelo menos o pessoal ficar mais calejado para tocar no festival. Tá certo que os músicos da banda já são tiozões na cena musical potiguar. Mas faltou entrosamento e o som não colaborou. A intenção do pessoal (algo como um pop-rock com efeitos psicodélicos) é até interessante. Mas infelizmente não desceu.

Por falar em som, não entendi bem o que aconteceu. Não sei se entre Isaac e a Síntese Modular e os paulistas simpáticos do Curumim houve um apagão. Fato que o som deu pau. Atrasou tudo. E se os paulistas não estivessem de bom humor, teria sido uma merda. Com o som ainda ruim eles começaram a tocar rifs a lá samba-rock e a conversar com a platéia. Até o troço decidir funcionar. Isso chamou o público que dançou muito e se divertiu com o samba-funk-derivados da banda e a simpatia dos músicos. Foi muito bom, o segundo melhor show das bandas independentes da noite tanto pela empolgação, quanto pelos músicos.

Só não conseguiram superar o que foi o show dos gaúchos do Poliéster. Eles tocaram antes de Isaac. É impressionante como o rock gaúcho consegue revelar uma série de bandas muito boas para o cenário musical brasileiro. A minha única tristeza no show deles foi a quantidade de pessoas que havia. Quase ninguém. Isso frustrou um pouco Porsche, o vocalista, que tentava a todo custo fazer os gatos pingados que assistiam a banda se animar um pouco. Não deu certo. A música e a sonoridade são muito boas, uma espécie de rock-pop divertido. Talvez fosse melhor que se apresentassem num palco menor, como no DoSol, para um público mais rocker.

O outro destaque da noite, entre as independentes, foi o pessoal do Lunares. É impressionante como grupo está caminhando rápido e evoluindo a cada show. Eu lembro da primeira apresentação do grupo, na Cientec, acho que em 2006, quando eles ainda só tocavam cover. A evolução em dois anos foi algo surreal e as músicas próprias estão muito boas. Para mim eles já estão entre as melhores bandas potiguares da nova safra. Se continuarem investindo na sua sonoridade e nas apresentações, com toda certeza, o grupo terá um belo futuro musical.

Os baianos do Subaquatico não convenceram. O seu som 'das ruas baianas' é algo meio batido, sem nenhuma novidade. Não foi pior que Isaac e The Volta, mas também não foi bom. O grupo também enfrentou o mesmo problema que a gauchada. Não tinha quase ninguém. Imagino o quanto deve ser chato para uma banda independente tocar só para meia duzia de jornalistas e alguns curiosos.

Autoramas começou muito bem. Fizeram uma entrada sensacional, neguinho enlouqueceu na platéia. Todo aquele afã. Mas depois ficou morno, até esfriar. Foi uma das melhores aberturas que vi. Mas depois, não sei se é porque eu nunca fui lá um fã de Autoramas, o negocio foi ficou chato e eles fecharam o show com mais gente no outro palco esperando Pato Fu do que curtindo o final do show.

Aliás, antes de falar do Pato Fu, algo merece um destaque. A vocalista, Fernanda Takai. Ela é uma espécie de maestro do público e da banda. Com uma presença de palco da bela frontgirl de dar inveja, o show de Pato Fu é um sério candidato para ser um dos melhores da edição de 10 anos do Mada. Divertido, com um set que variou entre os sucessos batidos da banda e algumas músicas um tanto enterradas. E um destaque: “Capetão", foi um show a parte. Tanto na iluminação (primeira vez que vejo isso em Natal) quanto na 'interpretação' da vocalista. Sensacional.

Quando deu o problema com o som, la atrás, antes do Curumim entrar, previ: Lobão tocaria cinco músicas, teria uma birra e abandonaria o palco, como sempre faz quando o som não esta bom. Mas parece que o apresentador da MTV estava de bom humor na segunda noite do MADA. O show dele foi legal, apesar de eu não conseguir gostar das músicas de Lobão. Ah, destaque para a entrada: fizeram um efeito com a música do lobo mal. Muito legal.

Na tenda, quem mandou muito bem foi o pessoal do Coletivo Lo Que Sea. Com um set divertido de indie rock, fizeram negada rebolar até o chão no espaço. No geral, melhor do que as festas promovidas pelo Coletivo. Outro destaque, que ainda não sei se é positivo ou negativo, foi a famigerada Madame Mim. Não a vi na tenda. Apenas ouvi as histórias, um tanto quanto estranhas. As más línguas andam dizendo que ela mostrou a bunda para a platéia. Enfim, sorte que eu estava no palco e não vi essa cena bizarra.

Não fiquei para ver Falcão quebrar o barraco na tenda. Não quis nem imaginar. Não bastasse o Rappa na quinta-feira. Só falta agora o pessoal se mudar para Natal e fazer show todo final de semana. Não, não, isola, melhor nem pensar. Enfim, o saldo final da segunda noite foi bom. Melhor que a primeira, apesar do pequeno público. Aliás, o público este ano do festival foi fraco. Acho que isso também é reflexo do caráter das headliners, a única que realmente da povão é o Rappa. O que, para quem gosta de música, é muito bom. Mas ruim para o investimento feito pela produção e para as bandas independentes, em que muitas tocam para quase ninguém.

E que venha o sábado.

O que foi a Quinta do MADA

O primeiro dia dos dez anos do maior festival de música de Natal foi regular. A chuva que, ora caía, ora parava e a cerveja Sol a três reais contribuíram para isso. Mas o determinante foi a escolha das bandas. Principalmente da esperada headliner, O Rappa, que fez o mesmo show, em que Falcão falou a mesma coisa, com direito aos mesmos pulos de Falcão e a mesma lição de moral. Já são cinco anos de mesmice. Um saco.

A banda uruguaia Motosierra, apesar da excelente presença de palco do grupo, dos rifs pesados, da negada enlouquecida e da crítica natalense que dizia ser a melhor escolha do MADA, não me convenceu. É gritaria, não consigo gostar de gritaria. Um vocal rasgado que me lembra ritmos como grind core e porcarias do gênero. A banda só não é ruim por conta do instrumental, que é do caralho. Para mim foi que nem Sol quente: não desceu.

Quem me surpreendeu foi o grupo natalense Brand New Hate. Sangue novo na cena local, a banda fez um show empolgado, mostrou personalidade no som e vontade. Eles são bons. Apesar de a minha situação alcóolica estar no auge no momento do show do grupo (três doses de tequila + conhaque + umas latinhas de Sol).

Sweet Funny Adams e Rastafeeling também fizeram bons shows. Incrível como os veteranos da banda de reggae conseguem contagiar com o seu som. E os pernambucanos fazem um som sóbrio e um show acima da média. O resto das bandas (tirando Poetas Elétricos, que não vi), não vale a pena comentar.

Sobre a estrutura do festival, gostei da feirinha e a tenda eletrônica ganhou dois pontos positivos. Um palco. Bem melhor que as edições anteriores em que DJ's ficavam apertados. E bandas. O Barbiekill inaugurou o espaço. Com o jeito, digamos, descolado do performer Daniel Podicrê e dos integrantes da banda, eles mostraram composições novas e boas, que sai um pouco da linha eletro-rock, empolgaram a platéia com o single "Chiclete" e fizeram um show divertido.

De resto, na tenda, foi o mesmo bate estaca de sempre.

A quinta-feira foi isso. Sinceramente, não me empolgou. Espero que hoje as coisas melhorem. Autoramas e Pato Fu prometem um show ótimo. Das independentes, to interessado particularmente por Lunares (RN), Curumim (SP) e Poliéster (RS). O rock gaúcho costuma dar boas contribuições para o cenário nacional.

Agora é esperar.

Amanhã é o MADA

Os blogs sobre música da cidade já estão atentos. A imprensa musical (?) potiguar está de olhos abertos. Amanhã é o primeiro dia do MADA.

Os disruptores já fizeram a sua resenha crítica das bandas do festival. Vale a pena ler.

O BlogdoRosk vai disponibilizar, como faz todos os anos e a despeito da situação alcoólica do pobre rosk, o seu 'o que achei' do Festival.

Parece que será o melhor, apesar dos pesares.

É pagar para ver.

O Sorriso

Os cabelos dela paralisados no ar, o perfeito contraste entre o verde do seu vestido e o tom pastel da sua pele, os olhos fechados, o mundo acabando... Vi a fotografia quando a observava dançar. Era linda dançando. Parecia que o universo todo se esgotava dentro dos seus passos. Me senti vivo vendo aquilo. Desejei ela para o resto da minha vida. Desejei morrer vendo-a sorrir. Desejei estar para sempre ao lado dela. Pena que não estava com a máquina fotográfica para registrar aquele belo momento. Pena.

Eu a conheci quando minha vida tomava o rumo em meio a putas e goles incessantes de álcool. Escrevia meus versos e andava sem rumo em frias e escuras noites. Ela usava um vestido preto, um par de óculos de grau e seus cabelos loiros caiam na altura do ombro. Olhos grandes de quem tem muito o que contar, tinha por volta dos 1,60m e uma bela fisionomia. Não era a mulher mais bonita do mundo. Nem a mais bonita entre as que me relacionei. Quando ela se aproximou para pedir um cigarro, senti que havia algo nela de estranho. O sorriso.

Ao olhar para ela pela primeira vez, tive o cuidado de guardar na minha memória cada vão espaço do seu rosto. Quando eu cheguei no sorriso, me arrepiei. Tremi. Era algo de outro mundo. Aquele minúsculo espaço de tempo em que os lábios se alongavam e os olhos diminuíam gerou em mim uma montanha-russa de sensações, que iam desder os calafrios, até alucinações visuais. Me vi chapado, tonto, desorientado com a força daqueles lábios se abrindo.

Notei que ela percebeu o meu fascínio. Ela me olhou, analisou meu estado deprimente com pena. Enquanto que nesse breve momento de silêncio, uma centena de frases, palavras, versos, músicas, passaram pela minha cabeça. Com a voz ainda trêmula, só consegui perguntar "vo-você vem semp-pre a-aqui?". Ela riu. O meu corpo, que já começava a ter indícios de abstinência, teve o prazer de mais uma boa dose do seu sorriso. Ela respondeu "não, é a primeira vez...". Ainda zonzo, só consegui pronunciar o meu nome. O dela era 'Fernanda'. Mas eu podia chama-la de Fê.

Fê, Fê, Fê. O nome ecoou na minha cabeça. Atriz, ah, eu também fui ator. Livros. Poesia, não, não, para mim quem manda é Leminski. "É matéria prima que se transforma em raiva ou em rima". Risos. Enquanto falávamos e ela sorria, meu corpo era tomado por uma sensação de prazer única. Uma sensação que vinha daquele sutil apertar dos olhos, daquela energia amarela que emanava do seu rosto, daquele cheiro de outono da sua pele pastel. Sentia de repente que meu coração pararia caso ela fosse embora. Queria uma overdose daquilo, vê-la sorrir a cada momento da minha vida, a cada instante, a cada segundo. Virou uma obsessão que tomava conta de cada célula do meu corpo. Eu não podia ficar mais sem aquele sorriso.

Trocamos telefones, emails, mensagens. Ela se foi e senti que roubaram um pedaço de dentro de mim. O tempo passou. Quase não nos falamos. A cada dia que eu passava longe dela, essa sensação de vazio aumentava. Eu adoecia, fraquejava. Precisava urgentemente de mais uma dose do sorriso dela. Pior que eu não sabia como explicar isso. "Alô, estou viciado no seu sorriso, estou morrendo sem ele, por favor me procure". Não, soaria piegas demais. Não tive coragem. Passei a beber mais, a me drogar mais, para ver se os efeitos fariam bem ao meu corpo. Nada. Eu emagrecia, minha pele amarelava, meus olhos, afundavam. Era um defunto vivo. Não conseguia mais viver.

Foram três semanas de martírio, até que a encontrei dançando. Era uma casa de shows escura, com luzes que piscavam irritantemente e que tocava um ritmo parecido com funk. Ela estava de vestido verde. Como alguém podia ficar tão bonita de vestido... O mundo estava sob os seus pés. Tive vergonha de me aproximar naquele estado. Sentia que a sua presença revigorava meus sentidos de uma forma estranha. Ela dançava como se nada existisse. Dançava, dançava e dançava. E só eu parecia notar aquela beleza, aquela cena que compunha uma imagem perfeita. Me esforçei para gravá-la em todos os seus detalhes. Eu estava fascinado.

Ela se aproximou de mim suada. Dava para sentir o seu cheiro evaporar de cada um dos poros do seu corpo. Sua presença iluminava tudo o que havia próximo de mim. Deu-me dois beijos no rosto. Falou do balé e do teatro. Lançou outro daqueles seus sorrisos. Não agüentei. Não resisti. Chamei-a num canto e falei. Falei que não conseguia mais viver sem o seu sorriso. Falei que meu corpo padeceria sem a sua presença. Falei que sem o seu olhar, morreria. Ela não acreditou. Se ofendeu, até. Me chamou de cafajeste. Falou que não caia naquela conversa para boi dormir. Falou que conhecia muito bem o meu tipo. Mandou que eu não mais a procurasse. Ela não me entendeu. Foi embora.

Não mais a vi. No desespero, procurei-a. Liguei várias vezes para ela. Deixei mensagens. Falei que ela estava me matando. Ela não respondia. Aliás, respondeu apenas uma vez, para pedir que eu não mais a incomodasse. Emagreci. Perdi 20 kg. 40 kg. Fui internado. Estou internado. Ninguém sabe o que tenho. Tentei explicar. É o sorriso dela doutor, é o sorriso dela. Ninguém me entendeu.

*revisado

Rapidinhas

Na véspera de Mada, o portal Dosol começou a anunciar o Festival Dosol. Ele está previso para acontecer nos dias 1 e 2 de novembro, possivelmente no mesmo esquema que foi ano passado: o bar Dosol e o Armazem Hall para receber o público. A despeito da falta de patrocínio do ano passado, o festival Dosol deste ano vem com a Oi Futuro e a cerveja Sol. Esperança de bom rock na cidade.

Falando em MADA, este ano a organização está mais enrolada do que o normal. Ficaram de divulgar as bandas e o festival Radar Indie no site oficial hoje e não divulgaram. O que rolou foi um release para a imprensa sobre a seletiva, mas nada no site. Enfim, local é mesmo o Armazem Hall, as bandas serão: Mobydick (RN), Decreto Final (RN), Bandini (RN), Nordestenato (RN), Rastafeeling (RN), Amps & Lina (PE), Jazzmantra (RN), Kabelo (SP), SeuZé (RN), The Deadsuperstars (PE). O radar indie vai rolar no sábado, a partir das 20h e a entrada é dois kilos de alimento (pra quem não tem ingresso do MADA).

Saindo da música e indo para a literatura. Minha amiga, poeta Marina Morena me relembrou um blog de poesia da qual ela faz parte e que é muito bom. É o 7 cabeças. Lá está o melhor da web-poesia brasileira, quem gosta, sai ganhando. O endereço é http://blogdesete.blogspot.com/. Mais do que recomendado.

Ainda no viés literário. Marcelino Freire lança seu novo livro em terras potiguares, terça-feira lá na Siciliano do Natal Shopping a partir das 19h. Boa pedida para quem gosta dos contos e do blog dele. Parece que na segunda-feira, o mestre Nei Leandro de Castro, também estará lançando seu livro novo. Mas até agora, não tive nenhuma confirmação.

Cinema. O novo filme de Breno Silveira (é, aquele mesmo de Dois Filhos de Francisco), Era Uma Vez, para variar um pouquinho, não estreou em Natal. A história parece ser meio boba, meio novelinha, mas mesmo assim quero ver como o diretor carioca se comporta numa produção pequena. Pelo menos acho que vai ser melhor que A Múmia.

Trailer de Era Uma Vez

O Batman para crianças


Não é o melhor Batman. O melhor Batman continua sendo o Begins. Isso não faz com que o Cavaleiro das Trevas seja um filme ruim. Não é. Mas também passa longe do que foi - principalmente em termos de ousadia do roteiro - o primeiro filme da dupla Chris Nolan e Christian Bale como diretor e personagem principal. Para ser sincero, o novo Batman não passa de um excelente filme para crianças.

O longa dura duas horas e durante esse tempo vemos um personagem, que deveria ser coadjuvante, ganhar ares de principal relegando ao nosso pobre homem morcego o pífio status de segundo plano. O Coringa rouba todo glamour do Batman, tanto na sua caracterização, quanto na interpretação. A interpretação do falecido Heath Ledger ao Coringa é fenomenal. Toda a crítica cinematográfica mundial ficou embasbacada com o talento do Caubói de Brokeback Mountain e já estão até pedindo que a academia conceda um Oscar póstumo ao ator. O que, além de merecido, muito provavelmente vai acontecer. O único problema disso tudo para O Cavaleiro das Trevas é que o nome do filme não é Coringa, mas sim Batman.

É difícil dizer se a escolha em dar ênfase ao papel do Coringa aconteceu antes ou depois da morte de Ledger. O fato é que esse é a maior fraqueza do filme. Quem assistiu Batman O Cavaleiro das Trevas (e não se cegou com a atuação de Heath Ledger) ficou esperando aquele herói sombrio e humano, aquele Christian Bale arrasador que conseguia nos fazer acreditar que o homem morcego poderia ser real. E tudo o que viu foi um morceguinho manso. A grande força do primeiro filme de Christopher Nolan era a atuação de Bale como Batman e essa caracterização mais próxima da realidade, bem diferente dos outros filmes de heróis que continuaram batendo em infantilidades como super poderes e etc... No Cavaleiro das Trevas vemos um Batman que, na própria roteirização do filme, é um mané, um mero coadjuvante frente a um Coringa sensacional. Não foi só a atuação de Bale que foi fraca, foi o roteiro que não deixou o homem morcego crescer e ser aquele personagem que encantou milhares de espectadores há três anos.

Outro buraco em que o filme cai é no maniqueísmo. Ta certo que histórias em quadrinhos são, em essência, produtos da divisão entre o bem e o mal. Mas em Cavaleiro das Trevas - repare caro leitor que o título poderia dar brecha a idéias interessantes - isso é exagerado. O Batman é fraco. Tudo bem ele ser incorruptível, mas por que não deu uma sova de verdade no Coringa quando ambos estavam juntos na cela? Ou então, porque não se revoltou com Harvey Dent que ele salvou e por uma frescura virou vilão? O que me parece é que a produção tentou evitar cenas mais fortes e pesadas e a dose de inovação presentes no primeiro longa; tudo para poder disponibilizar o filme para crianças e se tornar um blockbuster de consumo fácil. Se fosse para deixá-lo tão infantil, seria melhor que nem fizessem a continuação.

O filme é uma decepção para quem achou que iria ver o Batman sombrio do longa anterior. Mesmo assim, vale o ingresso. Os saudosistas que me perdoem, mas Heath Ledger consegue ser um Coringa melhor que foi o grande Jack Nicholson. Fora isso, a produção ficou legal, os efeitos especiais também. Se o leitor não tiver o que fazer, é uma boa opção para passar o tempo, ou então para levar o filho (ou irmão mais novo) ao cinema. Não mais do que isso. A verdade é que Batman O Cavaleiro das Trevas facilmente seria esquecido e provavelmente seria mais um dos milhares de blockbusters medíocres lançados todos os anos, isso se Ledger não tivesse feito a atuação da sua vida.
Informações extra-oficiais.

O Radar Indie vai rolar dia 1 e 2 de agosto, no Armazem Hall na Ribeira. Não será mais na Capitania das Artes, como estava sendo 'divulgado' até então. Dentre as bandas, vai rolar Amps & Lina (PE), Dombem e outras.

A entrada será de graça, mas só terá acesso ao convite quem comprou uma das senhas dos três dias do MADA.

Isso tudo deve ser divulgado oficialmente esta semana pela produção.

Bonnies disponibiliza duas musicas novas



O banda potiguar os Bonnies lançaram no seu site oficial nesta segunda-feira (21/07) mais dois singles do seu novo EP, que deverá sair até o final do ano, três anos depois do lançamento do primeiro trabalho. As músicas "Tão Calmo" e "Não me deixe triste" estão disponíveis no site da banda e no Myspace. O grupo aproveitou também para lançar um clipezinho para a música "Tão Calmo", que é na verdade um apanhado de imagens que mistura os desenhos psicodélicos da banda e o pessoal tocando nos shows. As duas músicas fazem parte do pacote de 13 trabalhos novos que a banda promete trazer junto com o novo EP, que será lançado pela Mudernage Discos.

A impressão que se tem ao ouvir esse novo trabalho dos Bonnies é que eles estão mais calmos. O quarteto parece que decidiu abandonar um pouco aquela loucura instrumental e vocal, característica do primeiro EP e decidiram fazer um trabalho mais bem cuidado nos arranjos. É algo como um rockability experimental. Isso demonstra maturidade do grupo, o que pode gerar bons frutos. O que da para perceber também é que os fãs da banda esperam ansiosamente o lançamento do disco que, segundo o site oficial, será feito numa festa. Só espero que o álbum venha com músicas de pegada também como "PRAM!" e "Não Toque na Minha Baby" e a galera não perca a presença de palco característica dos shows deles.

Lição Pernambucana

Com temperaturas médias de 15 graus Celsius no inverno, Garanhuns é o principal centro cultural de Pernambuco durante o mês de julho. Isso porque durante duas semanas a cidadezinha localizada no Planalto da Borborema, a 230 km de Recife, realiza seu famoso Festival de Inverno. Conhecido pela diversidade da programação e por trazer grandes atrações musicais, o evento ocorre anualmente desde 1991 e leva uma legião de turistas para a cidade e é parada obrigatória no chamado circuito do frio pernambucano.

O festival é divido em palcos e pontos de cultura espalhados em vários locais de Garanhuns, cada um deles com uma programação específica e o principal (Guadalajara) é que recebe os 'músicos de grande porte' durante a noite. A programação dos palcos varia entre música instrumental em alguns e até música gospel em outros, sem esquecer, é claro, do forró e de músicas folclóricas. Estima-se que durante os 15 dias, a pequena 'Suiça Pernambucana' de pouco mais de 160 mil habitantes receba cerca de 1 milhão de turistas para ver o festival, curtir o frio e aproveitar a cidade.

O grande diferencial do Festival de Inverno, pelo menos o desse ano, é que ele não se limita a simples apresentações musicais, sarais poéticos ou apresentações de teatro, existe uma preocupação com a formação cultural das pessoas. Nos pontos de cultura acontecem oficinas e debates com o objetivo de gerar um intercâmbio cultural entre as pessoas e os convidados vindos de outras regiões. E, pelo que li, se debate desde música independente e os festivais alternativos até rádios comunitárias. Um belo pedaço de carne de sol suculento no prato que é a programação do Festival.

E o melhor é que as pessoas efetivamente participam do evento. Para quem pensa que o público de lá vai só por causa das grandes bandas está enganado. As atrações locais, tanto folclóricas quanto as pops, são muito bem recebidas e os palcos estão sempre lotados. Aliás, vale frisar que o povo pernambucano nutre um tipo de orgulho peculiar quanto a produção local, lá eles efetivamente prestigiam e aplaudem o que é de casa. E ai de quem falar mal da cultura pernambucana com algum nativo... Lição que cidades como Natal deveriam aprender.

É bom observar que a ação do poder público na cultura em Pernambuco é um dos determinantes para esse 'afã' que o pernambucano tem pela sua terra. O Festival de Inverno, por exemplo, é patrocinado principalmente pela prefeitura e pelo governo estadual. Pelas bandas de lá, nos colégios, os alunos desde cedo aprendem as danças típicas, conhecem os grandes nomes da cultura pernambucana, são levados a gostar do que é produzido na sua terra. Bem diferente do que acontece aqui onde as crianças (e adultos também) mal sabem quem foi Câmara Cascudo ou tem algum tipo de orgulho da cultura local.

Fora isso a prefeitura de Garanhuns está de parabéns. O policiamento da cidade e a preocupação com a limpeza são marcantes, mesmo com a falta de educação das pessoas; que não param de jogar o lixo no chão. Por volta das 5h da manhã recolhem todo o lixo da cidade e deixam tudo limpinho para o outro dia. E, depois de turista, policial é o que se mais vê nas ruas. Resultado: shows com públicos de 70 mil pessoas, sem maiores problemas.

Mas como nem tudo são flores, a produção peca quanto a divulgação do que acontece na cidade. A programação divulgada está dividida por palcos, não por dia, o que dificulta para o turista, além disso, não há orientação de como chegar aos palcos. Ou seja, se você não conhece Garanhuns, provavelmente irá se perder. Sorte é que a cidade é pequena. Falta também um site oficial com toda a programação do evento (pelo que pesquisei, só tem a do ano passado), notícias, fotos e orientações para turistas. Aliás, esse trabalho de assessoria parece ser feito só pelo site oficial do município e, desde sábado, pelo portal Nação Cultural, lançado durante o show de Nação Zumbi.

Apesar disso, o que Garanhuns faz devia servir de exemplo para as outras cidades do nordeste. Aliás, na verdade, o que Pernambuco faz pela sua cultura deveria servir de exemplo. É bonito para alguém que vem de Natal, onde fazer cultura é ser herói, tanto por causa da deficiência de políticas públicas para formação de platéia na cidade, como pela insensibilidade do empresariado local, ver uma cidade do interior com 15 dias no ano destinado a cultura e trabalhar durante esse período a diversidade e a formação. Isso faz acreditar, pelo menos para mim - um otimista nato -que fazer cultura não é tão difícil como dizem. Basta querer.

O Cavaleiro das Trevas

Na minha opinião, Batman Begins e a trilogia Bourne é a prova que o cinema comercial norte-americano ainda tem resquícios de vida inteligente.

Amanhã é a estréia mundial do esperado Batman - O Cavaleiro das Trevas, continuação do Batman Begins.

Com o mesmo diretor (Christopher Nolan) e o mesmo ator principal (Christian Bale).

Vale um clichê: em time que está ganhando não se meche.

A produção conta ainda com um marketingum tanto quanto mórbido: A morte de Heath Ledger - ator que interpreta o Coringa no novo Batman - colocou ainda mais lenha na fogueira de quem aguarda ansiosamente, desde 2005, a continuação do longa de Chris Nolan.

Além de ter gerado mídia para o filme e ainda por cima trazer consigo uma leva de fãs de Heath, que talvez nem fizessem tanta questão de ver Batman, mas agora correrão para garantir os seus ingressos e assistir ao seu último filme.

Aposto que os produtores - descontando a parte humana do negócio - viram esse 'lado bom' da morte de Heath Leadger.

Só espero que o filme chegue, no mínimo, aos ombros do último Batman.

Thrailler legendado

O MADA de novo

Fontes confiáveis dizem que o Radar Indie, a prévia do Festival, vai ser realizada no início de agosto (dois dias), lá na Capitania das Artes (?) de graça. Até agora não vi nada de oficial...

Também estranhei Capitania das Artes ao ouvir, nunca vi shows por lá, mas é de graça né...

As duas melhores bandas do Radar vão tocar no MADA.*

Outra notícia que saiu, agora diretamente do portal NoMinuto e assinada por Alexis Peixoto - um dos caras que mais entendem de música aqui em Natal - é que além dos uruguaios do Motosierra, o norte-americano Josh Rouse está confirmado para o festival.

É a primeira que ele vem ao Brasil.

Josh fez tilhas para o seriado Grays Anatomy's e os filmes Vanilla Sky e Quase Famosos.

Pessoalmente, apesar do Motosierra ser considerado uma das melhores bandas de rock da América Latina e de eu apostar num show muito bom, pelo que pude ouvir no Myspace prefiro o som do Josh.

Indepentende disso, as headliners deste ano são as melhores. Tem diversidade, boas apostas e atrações que no geral agradam todo mundo. Só faltou a grande banda internacional que tanto foi especulada no inicio do ano.

Talvez ainda falte muito feijão em Natal para isso.

Ouça aqui Josh Rouse

Ouça aqui Motosierra

*No site oficial do MADA já saiu a programação, será apenas uma banda selecionada pelo Radar Indie que tocará no evento.

Camarones Orquestra Guitarrística


Pouca coisa no rock é unanimidade. Aliás, pouca é exagero, quase nada. O grande quê do rock é a variedade de vertentes, de estilos, onde um odeia o outro e impõe rótulos para os seus colegas. Essa particularidade do estilo faz que todo mundo queira ter personalidade, ou ter atitude e ser único e diferente e blá, blá, blá. O grande problema é que ninguém consegue de fato atingir esse Santo Graal de todo rockeiro e acaba sendo mais um, fazendo parte de mais uma tribo ou um grupo de pessoas que ouve a mesma coisa e malha de quem ouve algo diferente.

Mas em meio a essa complexa relação de diferentes, algo une tanto o emo mais sentimental quanto o metaleiro mais from hell. A guitarra elétrica. Se elvis é o rei do rock, a guitarra certamente é a rainha. Ou até mesmo a alma. Não existe rock sem guitarra. Nunca existiu. Pode ser a vertente que for, ela tem que estar presente, nos solos, na base do ritmo. O som agudo, muitas vezes distorcido, é a marca de um ritmo que mudou paradigmas sociais e inspirou gerações de jovens.

Investir nessa unanimidade com um som criativo e puramente instrumental é a grande cartada da Camarones Orquestra Guitarrística. A fórmula é simples: três guitarras, um baixo, uma bateria e adaptações criativas de hits como a música tema de Pulp Fiction, o tema dos flintstones, Top Gear, além de belas releituras. Destaque para a versão de "Get Up, Stand Up" de Bob Marley, se eu não soubesse que era um reggae, acreditaria piamente que a música era um rock dos bons.

A banda ganha pontos também por ser, de fato, a primeira a tocar esse ritmo em Natal. Poucas bandas de rock se dedicam ao instrumental. A única que chegou perto disso foi João e os Bons Jovens, mas a carência de shows, a falta de EPs e acho que até a falta de vontade dos músicos a fizeram ser apenas um mito. Uma banda que todo mundo gosta, mas que raramente toca. Os Bonnies no seu CD investiu em uma música instrumental e no ano passado lançou o single "PRAM!", junto com o videoclipe vencedor do Curta Natal. Fora isso, mas nada.

Em meio e esse diferencial, o grupo consegue fazer um show animado. É difícil ver de metaleiros a ‘eletro rockers’, curtir a mesma coisa. No show que fui, pude ver isso, neguinho dançava alucinado. Se o pessoal do Camarones realmente levar a cabo essa idéia e continuar compondo e readaptando clássicos da forma criativa que estão fazendo, boto fé que com alguns ajustes quanto a presença palco (chegou a hora de ter idéias para fazer algo diferente no palco), finalmente poderemos ter uma banda potiguar de rock bem projetada nacionalmente. Só espero que não caiam na maldição das bandas de Natal de nunca levarem realmente a sério a sua música.


Quer ouvir?

Clique aqui para baixar o EP Corre, Cabron, Corre.

Polícia, para quê polícia (militar)?

Na mesma semana em que a Polícia Militar do Rio de Janeiro, numa operação desastrosa (ainda considero desastroso um eufemismo para aquilo), dispara 15 tiros num carro e mata uma criança de 3 anos, a Polícia Federal, numa operação hollywoodiana, prende três peixes grandes da corrupção brasileira com direito a gravações da um deles tentando cinicamente subornar o policial para não ser preso. A faca e o queijo para o judiciário brasileiro - tão incompetente quanto a Polícia Militar carioca - prender esses 'caba de peia'.

A disparidade das ações reflete a qualidade do investimento, do material humano e a diferença de salários entre as duas polícias. Enquanto que para ser policial federal é preciso de, no mínimo, curso médio completo, além de se fazer uma bateria de testes, exames e posteriormente um curso de formação de seis meses em Brasília e receber um salário superior a 5 mil reais. Para ser policial militar basta o ensino fundamental, uma provinha de marcar, um curso de um mês (quando tem curso) para receber um salário de fome de, em média, R$ 900,00.

Fora isso, só no ano passado o Governo Federal investiu mais de R$ 800 milhões de reais na Polícia Federal. O investimento na polícia militar depende de cada Estado e geralmente é rodeado de ações corruptas de secretários e até mesmo comandantes da polícia.

Não seria a hora de se pensar numa unificação das polícias? Num salário-base único, num preparo mínimo e único e até estabelecer uma quantia mínima em investimentos?

Será que realmente o problema da segurança pública no Brasil é tão difícil assim de resolver? Ou basta seguir o que fez a PF nos últimos 10 anos?

Rapidinhas do MADA 2008 II

As headliners do MADA deste ano já saíram.

Entre os nomes, está o hype Malu Magalhães, a esperada Patu Fu e nomes como Lobão, Cordel do Fogo Encantado. Ainda virá a malhada O Rappa e a indie uruguaia Motosierra. Ah, esse ano terá também uma novidade; a festa Lo Que Sea acontecerá dentro da tenda dance do MADA, na sexta feira.

Sobre os nomes, o que da pra dizer é que Jomardo Jomas, produtor do evento, acertou. Tem diversidade sonora que vão desde nomes batidos no cenário nacional como Rappa e Pato Fu, a bandas com um som mais diferente do habitual, como Cordel e Lobão, e até grupo indie de fora. Fora as headliners, ainda terão as independentes: Autoramas, Falcatrua, Macanjo, Brand New Hate, Isaac e a Síntese Modular, Barbiekill. A produção espera fechar todos os nomes até o final deste mês.

Os nomes só não corresponderam as expectativas. O edital da Petrobrás que o evento ganhou e a marca de 10 anos fizeram surgir burbirinhos que nomes internacionais bons viriam a Natal. Nada até agora. A programação internacional do Abril Pro Rock foi bem melhor. Aliás, no aspecto de trazer bandas gringas boas, tanto o Abril, quanto o Coquetel Molotov (que é um festival relativamente pequeno) dão de 10 no MADA.

Falar nisso, a prévia do MADA - o Radar Indie - nem sinal. Achei a idéia da prévia muito boa, mas parece que não deu muito certo.

Outra coisa que senti falta também, não teria tipo uma retrospectiva dos melhores shows do MADA? Ainda tá de pé? Seria muito legal se rolasse.

Enfim, pelo sim, pelo não, comprei minha temporada hoje. Promoçãozinha para os usuários da comunidade, R$ 30 reais até terça-feira na Ecológica do Natal Shopping e do Midway. Depois disso o preço aumenta. E, pelo andar da carruagem, não sairá por menos de R$ 50.

Os cães tarantinianos


Em 1984, o magricela Quentin Tarantino era um viciado em cinema que trabalhava como balconista numa locadora de filmes, estudava atuação e tinha acabado de terminar de escrever seu primeiro roteiro. Onze anos depois o mesmo magricela era considerado um dos melhores diretores norte-americanos da atualidade e acabava de ganhar um dos maiores prêmios do cinema mundial: a Palma de Ouro de Cannes.

Entre os tempos de balconista até ser considerado gênio do cinema, Tarantino roteirizou e dirigiu três filmes. O primeiro "My Best Friend's Birthday" foi a conseqüência direta do seu primeiro roteiro e da sua parceria com Craig Hamann, seu amigo na locadora. Reservoir Dogs (Cães de Aluguel) foi a sua maturidade cinematográfica, a produção foi chocante tanto pela violência das cenas, quanto pela qualidade do roteiro. Pulp Fiction, lançado em 1994, foi o ápice de Tarantino. O longa recebeu indicações para prêmios no mundo todo, levou nada mais nada menos que a Palma de Ouro em 95 e conquistou uma legião de fãs.

Para chegar até Pulp Fiction e contar com atores do quilate de Samuel L. Jackson, Uma Thurman, John Travolta e Bruce Willis no elenco, nosso querido magricela precisava de prestígio. E nada melhor do que Cães de Aluguel como cartão de visitas para chegar aonde ele chegou. O filme é excelente. Mal temos tempo de nos acomodar na poltrona para assisti-lo e contamos com uma cena em que a câmera filma cada um dos personagens do filme num café discutindo assuntos como a letra de "Like a Virgin' de Madonna, as condições sócio-econômicas das garçonetes e a questão das gorjetas. E o melhor: de forma bem humorada.

A abertura é só a preparação para um filme que, antes de tudo, pode ser definido como inteligente. São seis criminosos que não se conhecem e usam codinomes para se identificar. O objetivo deles é roubar diamantes de uma joalheria e entregá-los para o seu recrutador: Joe, um bandido rico e experiente. Acontece que antes deles conseguirem fugir, a polícia chega. No filme, não se vê a cena do roubo, ela é costurada por meio da história de cada personagem, a história do filme começa depois do roubo e o eixo narrativo gira em torno da desconfiança: um dos seis bandidos era policial e entregou o esquema, por isso a polícia chegou tão cedo.

A descrição da história pode parecer comum ao cinema policial norte-americano. O grande 'quê' do filmes de Tarantino é a forma com que ele trata a violência: sempre nua e crua, recheada de sarcasmo e de referências à cultura pop. Isso fica claro na escolha que vai desde a trilha-sonora (muito boas em geral) até aos planos da câmera e as palhetas de cor escolhidas na pós produção. Além disso, o diretor é mestre em quebrar expectativas; quem já viu algum filme dele sabe. A violência tarantinana é mostrada sempre de forma cômica, recheada de diálogos inteligentes em que os personagens discutem tudo, seja os sanduíches do Mc Donalds, seja composições de Bob Dylan. E a caracterização dos seus personagens é genial: sempre um contraste entre as suas ações e a forma com que são mostrados.

Cães de Aluguel inaugura com maestria esse estilo tarantiniano de fazer cinema e essa forma politicamente incorreta de tratar da violência, sem se limitar a ser um filme daqueles de ‘violência pela violência’. A firmeza da direção, as boas atuações e, principalmente, a qualidade da história do longa-metragem são belos convites para o mundo do nosso querido diretor magricela, que anos antes não passava apenas de um empregado de locadora. A produção só não se tornou a maior obra-prima de Tarantino porque, anos depois, ele viria a roteirizar dirigir e atuar Pulp Fiction, a consagração do seu estilo.

Curso de Comunicação da UFRN leva tudo no Intercom Nordeste

Informações fervendo acabam de chegar.

O curso de comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte levou 11 prêmios no Intercom Nordeste, que acabou de acontecer na Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

A Unifor (Universidade de Fortaleza) que tem um dos melhores cursos de comunicação do nordeste ficou com 8.

No ano passado, o curso tinha levado, salvo engano, apenas 5 prêmios.

Desconfio que a UFRN seja a grande campeã do nordeste no Intercom. O que reflete o interesse e o talento dos alunos da instituição e a dedicação de alguns professores.

O Intercom é o maior congresso científico de Comunicação Social do país e acontece geralmente no final de agosto ou no mês de setembro. Para poder apresentar trabalho, é necessário que ele seja o vencedor na edição regional que acontece sempre entre os meses de maio e junho nas regiões do Brasil.

O Intercom nacional deste ano será sediado em Natal pela UFRN, Fatern, UNP entre os dias 2 e 6 de setembro. O pré congresso, que acontece uma semana antes, será na UERN em Mossoró. Estima-se que virão para o Intercom mais de 5 mil pessoas entre estudantes, jornalistas, pesquisadores.

Piada

O judiciário brasileiro é uma piada.

A (pré)candidata a prefeitura de Natal Fátima Bezerra está sendo multada por duas entrevistas que concedeu a televisões locais. Uma na TV União e outra na TV Ponta Negra. O detalhe é que a dona da TV Ponta Negra é a (pré)candidata concorrente de Fátima que, inclusive, tem um programa de TV na emissora e está todos os dias lá, mesmo com todos os jornais dizendo que ela será candidata.

Fora isso em Natal existe a gloriosa TV Tropical, emissora do paladino da justiça, o senador José Agripino Maia do DEM. Canal que tem a estranha mania de colocar no ar declarações completas feitas por ele no senado. Além disso, diariamente a emissora faz uma matéria com Agripino, sendo ele candidato a alguma coisa, ou não. O melhor de tudo: nunca foram punidos, mesmo a legislação brasileira proibindo senadores e deputados de serem donos de empresas de radiodifusão.

Piada.

Barulhos Estranhos Ruidos Esquisitos

Definitivamente a segunda edição do B.E.R.E teve azar. Não bastasse a vinda de Garagge Fuzz para Natal, que faria um show às 22h no DoSol Rock Bar, o MPBeco, festival de música organizado pelo S.A.M.B.A (Sociedade Amigos Beco da Lama), foi adiado do dia 31 de maio para o dia 7 de junho, devido as fortes chuvas que caíram na capital. Isso sem falar no rolo com os patrocinadores, nas inúmeras vezes que o festival foi adiado por vários motivos e na conseqüente diminuição de sua proposta. De dois dias na Estação Ribeira com feirinha e tudo mais, para apenas 4 horas, no Teatro Sandowal Wanderley com uma tímida mostra de artes visuais.

Por conta disso o festival não contou com mais de 100 pessoas no apertado teatro do Alecrim. Mas isso não o diminui em nada. A primeira banda a tocar foi o Monacega. Galera nova na cena de Natal com uma proposta ousada. Guitarra e bateria e um som experimental, forte em alguns momentos, fraco em outros. Fizeram um show bom, apesar de uns desafinos e da ausência de um dos guitarristas, que estava no MPBeco. Destaque para o "cover" da propaganda do menino que tem Sindrome de Down. Com um pouco mais de experiência, ensaios e shows, eles com certeza vão alcançar uma sonoridade muito interessante.

Entre Monacega e The Automatics, a produção bolou um minishow da banda Lunares, em formato acústico e fora do palco. Bela sacada. Eu particularmente ainda não sou um fã de Lunares, mas pelo show acústico, tanto pela coragem do quarteto, quanto pela qualidade sonora, posso afirmar que o minishow deles foi o ponto alto da noite. Eles tocaram apenas duas músicas do EP Dance! Dance! Dance! e conseguiram empolgar o público com suas músicas. O que me faz pensar em rever as minhas opiniões sobre o grupo.

A terceira banda da noite foi o The Automatics. Eles são uma banda interessante. Não são jovens, não usam cabelos lambidos, nem camisa apertadinha, nem cintos de rebite e não querem posar de rockeirinhos rebeldes. O máximo que o figurino do quarteto permite são os All Star's e os óculos escuros. De longe e sem conhecer, ninguém diria que eles fazem parte de uma banda de rock. De uma banda de rock do caralho. Eles tocam muito, isso é fato inquestionável. Mesmo depois de quase um ano parados, o quarteto mostrou um entrosamento e uma qualidade sonora difíceis de encontrar nas bandas natalenses. E o show foi muito bom, com músicas velhas e novas do EP Post_Fiction. Aliás, que belo EP. Assim que encontrá-lo a venda, não hesitarei em comprar.

Para fechar a noite, a banda Os Bonnies tocaram e mostraram um pouco do que será o novo disco do grupo. O que se pode dizer é que as músicas novas virão com mais força instrumental e menos gritaria, diferente do primeiro CD, mas sem perder a pegada rockability que fez muitos fãs irem ao delírio. O show foi um feijão com arroz à lá Chuck Berry bem temperado. Tocaram umas músicas antigas, alguns covers, as músicas novas, o sucesso "Pram" e finalizaram para o pouco mais de 40 pessoas que estavam presentes no teatro.

De modo geral, se for falar pelas bandas, o B.E.R.E foi muito bom. Pena que a sorte não colaborou e a produção certamente terá algum prejuízo. Só espero que essas dificuldades não os façam desistir para uma próxima edição.

Programação do cinema em Natal (30/05 a 5/06)

Cinemark

As Crônicas de Nárnia: Príncipe Caspian
12h00 - 15h10 - 18h30 - 21h40
As Crônicas de Nárnia: Príncipe Caspian
11h10 - 14h10 - 17h20 - 20h40 - 00h00
Homem de Ferro
12h30 - 17h40 - 23h20
Homem de Ferro
20h30 - 23h10
Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal
11h00 - 13h50 - 16h30 - 19h10 - 22h00
Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal
12h50 - 15h30 - 18h10 - 21h00 - 23h50
O Melhor Amigo da Noiva
12h10 - 14h20 - 16h40 - 18h50 - 21h10 - 23h30
Speed Racer
12h15 - 15h00 - 17h45
Speed Racer

Moviecom

As Crônicas de Nárnia: Príncipe Caspian(Dublado)
Moviecom Praia Shopping 6 Estréia - 14:45 - 17:35 - 20:30

As Crônicas de Nárnia: Príncipe Caspian(Legendado)
Moviecom Praia Shopping 4 Estréia - 15:50 - 18:45 - 21:30

Homem de Ferro(Dublado)
Moviecom Praia Shopping 3 14:20 - 16:45
Homem de Ferro(Legendado)
Moviecom Praia Shopping 3 19:15 - 21:40

Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal(Dublado)
Moviecom Praia Shopping 5 14:05 - 16:30
Moviecom Praia Shopping 5 15:30
Moviecom Praia Shopping 5 19:00 - 21:30

Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal(Legendado)
Moviecom Praia Shopping 7 14:20 - 16:50
Moviecom Praia Shopping 7 15:50
Moviecom Praia Shopping 7 19:20 - 21:50

O Melhor Amigo da Noiva(Legendado)

Moviecom Praia Shopping 1 15:10 - 17:15 Moviecom Praia Shopping 1 16:15
Moviecom Praia Shopping 1 19:25 - 21:30
Speed Racer(Dublado)
Moviecom Praia Shopping 2 14:50 - 17:35
Speed Racer(Legendado)
Moviecom Praia Shopping 2 20:15

Que tristeza, quatro salas exibindo apenas Crônicas de Nárnia, mais quatro Homem de Ferro e mais quatro Indiana Jones, mais quatro com Speed Racer. E as duas restantes vão para o incrível "Melhor Amigo da Noiva". Não sei como as duas empresas de cinema em Natal tiveram a coragem de fazer a mesma programação. Por isso que eu fico com o cineclube, que nesta sexta exibirá o vencedor da Palma de Ouro Baladas de Narayama, no Nalva Melo Café Salão a partir das 19h.

O Sistema

O Sistema é o senhor do mundo moderno. Nada na nossa vida funciona sem o Sistema. Ele é quem manda na maioria das situações que o mundo atual nos impõe. Se estivermos no médico e queremos usar o velho e bom cartão do plano de saúde, quem autoriza a consulta (ou não) é o Sistema. Se ele estiver feliz, dá tudo certo, a atendente passa o cartão na máquina, o Sistema gentilmente autoriza e vamos para casa sem maiores problemas. Ele é o responsável por nosso dinheiro, por nossas contas e muitas vezes pela nossa felicidade.

Como um bom Deus, o Sistema nem sempre acorda gentil. Ele também tem lá os seus dias chuvosos, que o faz tropeçar e cair, para a tristeza e desespero de nós súditos, ou então recheados de raiva dos seus seguidores, o que o faz premeditadamente cair e nos castigar com a sua ausência. E quando ele cai é um Deus nos acuda. O velho e bom cartão do plano de saúde não passa e ficamos com aquela cara de constrangido em meio ao olhar de uma atendente que, a toda custa, tenta inutilmente passar o cartão com a vã esperança do senhor Sistema ter recuperado o seu humor e a sua piedade para conosco e ter voltado.

Ninguém conhece os desígnios do Sistema para poder afirmar com certeza a que horas ele voltará. A espera e a demora geram, muitas vezes, um sentimento de ansiedade, frustração e, principalmente, constragimento quando temos a certeza que na nossa carteira não há um tostão furado. Sobretudo quando estamos no meio de uma compra esperadíssima, sabemos que finalmente naquele mês temos crédito para efetuá-la, mas o Sistema insiste em permanecer fora do ar, para o desespero da nossa carteira vazia e da atendente com o seu sorriso constrangido.

E isso quando estamos com sorte. Pior é no motel, com aquela loira de pernas grossas e belos olhos azuis, maravilhosa, que gastamos toda a nossa sorte e boa parte das nossas economias para levá-la lá e efetuar um ato de cópula de absoluto prazer e, ao final, passarmos o cartão de crédito para pagar o quarto e ouvir da atendente um "o Sistema está fora do ar". É uma sensação brochante, que nos deixa paralisado, sem saber como reagir e nem como falar para a mulher que não tenho mais nenhum dinheiro, que gastei tudo com aquela droga daquele champagne francês e com o jantar naquele restaurante de rico. A vontade que nos dá é se afogar na banheira, ou aproveitar o sono da nossa princesa para, cautelosamente, tirar R$ 50 da carteira e evitar maiores frustrações.

A notícia da queda do Sistema nos afeta de tal forma que, ao estarmos na fila do caixa, quando anunciam que o Sistema caiu, o desespero e a tristeza são absolutos. Pessoas choram desesperadas, os mais fracos desmaiam, as velhinhas rezam pela rápida melhoria Dele, ouvimos certa balbúrdia e, se o castigo demorar muito, vira até notícia no jornal. "Hoje O Sistema passou 24 horas fora do ar", "Pessoas se desesperam com a queda do Sistema" bradam as chamadas dos jornais. Todo mundo fica aflito, sem saber a que horas o Sistema voltará, ou se ele voltará algum dia para podermos pagar as nossas contas e levar a nossa vida capitalista feliz.

Mas quando menos se espera sua enorme bondade lhe faz voltar e nos premiar com a sua presença e então o atendente do banco pode dizer que o Sistema voltou e que não estamos sós. A fila explode em delírio. Abrem-se vinhos em nome da melhoria do Sistema, garotos gritam emocionados, velhinhas agradecem a Deus pela recuperação Dele e todo mundo consegue, feliz, pagar as suas contas, o motel, a consulta no hospital, ou aquele objeto de desejo e voltamos finalmente ao nosso capitalismo diário. Porque o Sistema é nosso pastor e nada nos faltará.

Obrigado por fumar


Quando eu vi pela primeira vez o cartaz do filme “Obrigado por Fumar” imaginei que seria mais um daqueles documentários, a lá Michel Moore, com chatices como o número de fumantes do mundo, quantas pessoas morrem, os impactos sociais e econômicos do cigarro na nossa época ou imagens de pessoas doentes e pulmões acabados por causa do tabaco. Coisa que todo mundo está cansado de saber e que, efetivamente, não faria nenhum fumante parar de usar seu cigarrinho. Aliás, só serviria para o espectador, depois de uma hora, descansar seus olhos enquanto o off interminável da lição de moral ainda continuava. Essa minha idéia sobre o filme durou até a primeira cena.

A forma como o eixo narrativo se desenvolve nas linhas de Christopher Buckley (autor do livro que baseou o filme) até chegar a uma crítica à sociedade capitalista moderna em que somos guiados pela propaganda e onde a certeza é baseado em preceitos da ciência, é genial. A narrativa faz-se valer de um personagem que está dentro desse sistema e mostra de forma cínica, cômica e às vezes dramática o seu modis operandis para convencer as pessoas a usarem cigarros. A escolha por um personagem complexo que tenta convencer o tempo todo o espectador que ele é o mocinho, ao mesmo tempo em que as suas ações demonstram uma flexibilidade moral imensa, até chegar ao final quando pensamos que ele finalmente se redime e ele demonstra mais uma vez a sua personalidade, é a cereja do sorvete dessa história brilhantemente pensada. Não poderia haver estréia melhor para Jason Reitman na direção de longas. Primeiro porque, em tempos do “politicamente correto”, adaptar essa a obra de Christopher Buckley para as telinhas foi uma tacada de mestre.

Para um bom livro funcionar no cinema ele tem que assumir uma nova forma ao ser jogado nas telinhas. E aí que entra todo o mérito de Reitman. A escolha de Aaron Eckhart e a sua interpretação do personagem princiapal, o Nick Naylor é um dos pilares em que o filme se sustenta. O ator consegue personificar o lobista das empresas de cigarro que tenta o tempo todo convencer as pessoas que fumar não mata ao mesmo tempo em que as chantageia para melhorar a imagem do seu produto na mídia. Além disso, a narração feita pelo personagem principal e a forma como o longa é guiado dá uma sensação que mistura cinismo com comédia, algo que o seriado “Os Simpsons” faz brilhantemente. E esse cinismo todo ganha força, porque no final das contas o diretor conseguiu, numa tacada só, criticar as indústrias de cigarro, a política norte-americana e a mídia, principal cúmplice e objeto de manipulação do personagem principal. Isso sem ser chato e fazendo com que o espectador não desgrude um minuto os olhos da telinha.

E se alguém pensar que, porque é engraçadinho as críticas são superficiais, se engana. Não o são. Reitman consegue chatear os empresários do cigarro quando mostra claramente que eles não têm o mínimo interesse na saúde e na recuperação das pessoas, o que eles querem mesmo é que elas fumem e que novas pessoas se viciem no tabaco e toda aquela balela de dinheiro investido para a recuperação de fumantes, não passa de pose para melhorar a imagem das empresas na mídia. O diretor consegue ser cruel com o sistema de comunicação de massa quando demonstra o quão facilmente Nick Naylor conseguia manipular os programas de televisão a seu favor, por meio do seu carisma, além de conseguir subornar um produtor de Hollywood para exibir em seu filme protagonistas fumando, a fim de fazer propaganda para o seu produto. E quanto à política norte-americana é genial quando mostra a fraqueza das liberdades individuais tão pregadas pelos Estados Unidos e facilmente manipulada por meio da propaganda, além de toda a hipocrisia dos políticos-empresários norte-americanos incapazes de reconhecer os seus próprios erros.

O filme é uma bela narrativa sarcástica que rende boas risadas e ótimas reflexões. Um ponto positivo para o estreante Jason Reitman que conseguiu, sem ser chato, fazer um belo longa sobre os problemas do fumo e da sociedade norte-americana pós moderna.

A saga de um estagiário de jornalismo em Natal

O despertador do celular tocou às 6h30min da manhã. Abri os olhos, olhei o celular e constatei, triste e sonolento, que não havia nenhum erro, que ele não tocara mais cedo do que deveria e que realmente eu teria que encerrar por ali o meu sono. Levantei, cambaleante, e segui até o banho para ver se o contato com a água me ajudaria a despertar.

Banho tomado era hora de escolher a minha roupa. Ainda com os olhos querendo fechar, escolhi uma calça jeans, um par tênis e uma camisa polo listrada. Era o conjunto mais formal que tinha para ir ao meu primeiro dia de trabalho. Tomei um copo de leite com Nescau, escovei os dentes, passei desodorante, um pouco de creme no cabelo e estava pronto. Me olhei no espelho, fiz cara de quem passava confiabilidade e pensei: "espero não precisar ir para um lugar muito formal". Mesmo com todo aquele conjunto, o cabelo grande, a barba mal feita, os óculos de aro preto e a cara de sono não passavam o mínimo de formalidade.

Fui dirigindo num misto de raiva e alegria. Raiva porque acho um absurdo os seres humanos terem que acordar antes das 8 horas da manhã. Deveria haver uma lei que proibisse tal crime. A pior sensação do mundo é a do sono interrompido. Prefiro ir dormir mais tarde, do que acordar muito cedo. A alegria vinha porque eu tinha conseguido um estágio que é o sonho de boa parte dos alunos de jornalismo da UFRN. Eu não estava indo para uma assessoria de imprensa, eu me dirigia à redação de um jornal. Tá, beleza, não era um grande jornal. Mas era uma redação. Ia sentir na pele as pressões do dead line, ia sair na rua para depois escrever sobre os problemas do povo. Era a minha chance de fazer um jornalismo diferente, do qual eu sempre sonhei. Era o dia em que eu poderia mostrar que tinha talento para o jornalismo.

Cheguei pontualmente às 7h30m, conforme a editora executiva do jornal tinha me pedido no dia anterior. Estranhei, porque fora o motorista e uma das recepcionistas, ainda não havia ninguém. Isso me frustrou um pouco. Fui para a redação, ainda vazia, sentei em frente a um computador e comecei a ler um dos jornais que estavam por lá. Logo foi chegando os outros estagiários e a editora. Intrigante, o jornal era feito apenas por estagiários inexperientes, como eu. Só os editores e a editoria de política e de polícia que haviam profissionais formados exercendo a atividade. Os repórteres eram só alunos. Um dos colegas brincou, "Bem vindo ao Campus dois, Fábio". Minha tarefa no jornal era cobrir uma pauta de cidades e uma pauta do caderno de cultura. Cada um dos cadernos tinha uma editora diferente. A de cidades era uma mulher loira, que deveria ter mais ou menos 1,65m sem salto alto, rosto arredondado e bonito, uma pequena tatuagem nas costas, cabelo pintado de loiro. Ela gostava de conversar sobre as pautas e sobre o texto. Ela nos pautava muitas com coisas que via na rua ou por meio de informações que recebia de amigos. Nas sextas, ela escolhia um estagiário para cobrir uma pauta relacionada a turismo.

A editora de cultura pode ser descrita como o inverso. Tanto no aspecto físico, quanto no jeito. Tinha cerca de 1,70m sem salto, era morena, cabelos que passavam um pouco as orelhas, o rosto com um formato mais quadrado. Seu jeito de andar passa credibilidade e auto-confiança, ao mesmo tempo que sua forma de agir denotava uma personalidade explosiva e impositora. Era o "é assim e pronto" da redação. Não parecia uma pessoa muito afeiçoada à cultura, apesar de estar no mailling de muitos produtores culturais da cidade. Além da editoria de cultura, era a editora assistente e ainda respondia pelo caderno especial de fim de semana. Logo, não tinha tanto tempo para pensar na pauta e na matéria de cultura. E, em meio a isso tudo, sua visão cultural diferia completamente da minha, o que me deixou várias vezes frustrado.

Cansei do número de vezes que pensei exatamente no texto que iria dizer a ela sobre a editoria de cultura. Falar que cultura não é evento. Falar que poderíamos pensar em matérias de forma diferente. Cansei do número de vezes em que eu mesmo me pautava, fazia algo bem diferente do que ela pedia e via minha matéria perder a validade dentro do banco de textos que a redação possuía, cansei de sugerir a ela uma visão diferente das pautas e não via nela nem um fiozinho de empolgação. Tudo isso em troca da divulgação de companhias de comédia nada engraçadas, de shows que não fui, de lançamentos de livros que eu mal conhecia. Como Vicente Serejo muito bem frisou uma vez, em Natal não existe jornalismo cultural. Existe jornalismo de eventos. Os jornais são grandes assessorias de imprensa dos eventos culturais. Não opinam, não discutem, sequer lutam pela fomentação da cultura no Estado. Tudo é bom e pronto. É raro ver matérias que realmente se dedicam a discutir cultura, que fogem da fórmula mágica de elogiar tudo que é produzido. É difícil ver matérias que procuram olhar a cultura de Natal de uma forma diferente. Não discutem, só divulgam as mesmas pessoas, as mesmas comédias chatas que são exibidas no Teatro Alberto Maranhão, os mesmos eventos sempre. É frustrante demais.

Isso tudo sem falar no esquartejamento do texto. Pô, se tem algo que não gostou, me fala que eu mudo, não esquarteja o que escrevi. E por que eu não posso tentar dar um pouco mais de sensibilidade ao texto, sem perder a objetividade e a concisão jornalística? É crime uma matéria vir com um toque mais sensível? Se é crime ou não, eu não sei. Crime deveria ser o esquartejamento do texto, a mudança dele sem a consulta do autor. Dói ler algo que foi modificado sem que você soubesse. Dói ainda mais saber que aquela modificação foi em nome da "objetividade jornalística" e ver que ela tirou toda a cadência que o texto assumia. Entendo que deve haver objetividade, mas o jornalista precisa ser sensível. Principalmente quando falamos de matérias que envolvem o lado cultural da cidade. Por que tirar a cereja do texto, se é ela que chamaria mais o leitor?

E o pior disso tudo é que eu era apenas um estagiário sortudo. Eu estava num lugar onde a maioria dos meus colegas queria ocupar e se eu desse um piu de reclamação sobre o caderno, seria taxado de inexperiente e chato. Ficaria queimado no jornalismo potiguar e talvez não conseguiria mais encontrar emprego na área. E isso é cruel demais. É cruel porque o estagiário que deveria trabalhar apenas quatro horas, acompanhando um profissional e cobrindo no máximo uma pauta por dia não faz isso. Trabalha como um profissional por seis horas cobrindo duas pautas, muitas vezes sendo cobrado como um profissional, ganhando menos que um profissional e sem poder reclamar, porque se sair, não faltará substituto para ocupar aquela vaga e você perdeu uma grande chance de ficar no mercado. Isso sem falar que ao sair da redação, o estagiário tem aula. E o mercado muitas vezes impõe a ele uma decisão mesquinha: o trabalho ou o estudo? E o drama aumenta ao perceber que essa realidade é comum em todos os jornais de Natal e que isso contribui negativamente para a formação do profissional e para a qualidade do jornalismo potiguar.

A experiência acabou sendo mais frustrante do que positiva. Tá certo que o contato com fontes, que escrever diariamente sob a pressão do dead line, que estar dentro de uma redação teve certo valor pedagógico para o meu crescimento como jornalista. Mas isso me entristeceu demais. Me fez querer mudar de profissão. Ao final daquele ensolarado primeiro dia de trabalho, saí com a esperança de que aos poucos tentaria mudar aquela realidade. Ao final do primeiro mês, saí conformado com aquilo tudo e pensando em talvez em seguir outra carreira. Publicitário poderia ser uma saída. O que eu sei é que não agüentaria por muito tempo viver naquela realidade. Dói constatar isso, mas se pelo menos as coisas fossem diferentes... É nessas horas que eu pergunto, por que diabos eu fui querer ser jornalista?

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