Por Que Assistir O Passado?



Como postado abaixo, o longa argentino-brasileiro, O Passado, irá estrear no cinemas da terra do sol na próxima sexta-feira.

Vou enumerar alguns motivos que me fizeram aguardar ansiosamente o lançamento desse filme:

o 1º Motivo:

É dirigido por um dos melhores diretores brasileiros da atualidade. Hector Babenco. Apesar de ter nascido na argentina, é naturalizado brasileiro e foi o diretor de Carandiru. Além disso, na década de 80, em pleno descenso do cinema brasileiro, conseguiu uma indicação de melhor diretor com o filme O Beijo da Mulher Aranha.

2º Motivo:
Tem no elenco o melhor ator latino americano da atualidade. O mexicano Gael Garcia Bernal. Além disso, é o último trabalho cinematográfico de Paulo Autran, ator brasileiro que morreu recentemente.

3º Motivo:
Foi escolhido o melhor filme de uma das principais mostra competitiva de cinema do Brasil. A mostra de cinema de São Paulo.

4º Motivo:
O roteiro é adaptado do argentino Alan Pauls e conta a história de amor de uma separação. Rimini, personagem principal, separa-se de Sofia, depois de 12 anos de casamento. Sofia então passa a perseguir o seu ex-marido, que procura o amor em outras mulheres. Um tanto melancólico. O cenário? Buenos Aires e São Paulo.

5º Motivo:
Não há nenhum filme bom passando no cinema. A grande maioria (não vi todos), são os velhos enlatados norte-americanos de sempre.

6º Motivo:
Cinema brasileiro de qualidade deveria fazer todo mundo levantar a bunda da poltrona e deixar o controle da TV de lado para ir ver o trabalho.

7º Motivo:
Raramente um filme não americano bom estréia por aqui. Geralmente os não americanos que estreiam são os que fazem algum barulho no mercado cinematográfico. Mas nem todos não americanos que fazem barulho são bons. E nem todo filme brasileiro que estreia por aqui é bom. Não Por Acaso, por exemplo, do carioca Philippe Barcinski, mesmo com a distribuição da Globo Filmes e da Fox Filmes não chegou nem perto de estrear por essas terras. Resultado? Tive que baixar para assistir.

Enfim, se estes sete motivos não te fizerem ir ver o filme, o problema é seu que provavelmente perderá um filme muito bom. Amanhã estarei no cinema para conferir. Talvez eu escreva algo sobre o filme depois que vê-lo. Talvez não. Nunca se sabe né. Essas coisas dependem da inspiração e também do filme. Chega de lero-lero. Segue abaixo o trailler:

Com 5 semanas de atraso, O Passado estréia em Natal

Acabei de conferir. Depois de ter que amargar cinco semanas de incertezas quanto a estréia do longa do nosso hermano-brasileiro Hector Babenco, os cinemas de Natal vão exibir o filme a partir de sexta-feira. Mais tarde postarei alguma coisa sobre o filme.

Saibam, de antemão, que foi ele que me rendeu este post no início do mês.

Falta de postagens

Trabalhos da faculdade, computador quebrado e um pouco(?) de preguiça. Esses são os motivos da falta de atualização deste distinto blog.

A partir de segunda-feira, provavelmente, voltarei a postar em ritmo normal.

A Intuição

- Duas rosas brancas.

A mulher, ainda estranhando um pouco o pedido daquele rapaz que aparentava ter algo em torno de 20 anos, esboçou algo parecido com um sorriso e pediu que esperasse um momento.

Passaram um, dois, três momentos, e ele ainda aguardava o seu pedido. Ansioso para receber as rosas e depois pensar o que fazer com elas. Seu joelho tremia levemente, num sinal de desconforto e pressa. O pedido das rosas brancas veio como um impulso. Ele simplesmente saiu do seu pequeno apartamento com isso na cabeça. Duas rosas brancas. Duas rosas brancas. Duas rosas brancas, para quê? Não sabia. Tinha certeza que teriam que ser 2, rosas e, ainda por cima, brancas.

- Aqui estão, custam 8 reais.

Oito reais!? Por duas rosinhas brancas? Que absurdo, pensou, mas o impulso era mais forte de que o sentimento suvino que lhe abateu ao saber do preço das rosas. Tirou da carteira uma nota de 10 reais, esboçou algo que queria parecer com um sorriso simpático. Esperou o troco, quando a moça falou:

- Desculpe a demora, tive alguns problemas para encontrar as rosas.

Olhou de forma simpática para a moça. Recebeu o troco. Saiu da loja, pensando qual seria o futuro daquelas rosas brancas. Rosas brancas. Para quê danado fui comprar rosas brancas hoje? Sentiu então uma vontade forte de tomar vinho. Precisava tomar uma garrafa de vinho tinto. De preferência barato. A boca salivava. Vinho tinto. Esqueceu as rosas por um momento, seguiu a um supermercado próximo, comprou uma garrafa de vinho tinto. Custou uns seis reais. Quatorze reais o custo dos seus impulsos de hoje até agora.

Seguiu para a sua casa, ouvindo Bob Dylan e pensando porquê isso. Vinho tinto, rosas brancas. Pensou. Talvez a sua intuição quisesse sexo. É! Não há nada mais estimulante sexualmente para ele do que vinho. E as rosas? Ah, as rosas são para conseguir a mulher. Sonhou. Busto farto, pernas de tirar o fôlego, batom vermelho e cara de safada. Cara de safada não. Tem que ter cara de inocente. É mais gostoso. Chegou no seu apartamento. Abriu a porta. Colocou o vinho na geladeira. As rosas em cima da mesa. E esperou a sua intuição indicar a próxima coisa para conseguir efetuar a sua relação sexual. Pensou. Sem camisinha. Muito tempo que não faço sexo. Cinco meses, talvez. E sem camisinha não rola. Não quero ser pai assim, tão cedo. É, é isso, a Intuição quer que eu compre camisinha. Vou comprar camisinha.

Trancou a porta do apartamento. Desceu. Foi a farmácia mais próxima. Comprou três pacotes de camisinha. Nisso daí foi cerca de oito reais. Meu Deus, estou gastando muito dinheiro. Saiu da farmácia quando, de repente, pá, trombou com alguém. Não teve nem tempo de ver quem era. Trombou, abaixou-se, pegou as suas camisinhas. Envergonhado, olhou para ela. Busto farto. Tá, as pernas não eram lá essas coisas, mas dava pro gasto. Não tinha batom. Será? Pensou ele. Arriscou um oi. Mas não conseguiu nada além do que um pedido de desculpas meio assim, como quem não quer dar. Dar nem as desculpas, nem, digamos, nada mais. É, as pernas não eram lá essas coisas. Seguiu para o apartamento.

Elevador. De repente, pernas. Não, não eram pernas. Eram esculturas. Era ela? Tá, o busto não era grande, e o nariz era meio tronxo. E o queixo? O que era aquilo embaixo do queixo? Uma verruga? Ah vai, coloca a bandeira do Brasil na cabeça e come por amor a pátria, pensou. Arriscou um, qual andar? Ela, o seu gostosão! Assustou-se. Não era bem uma voz fina. Aliás, não era uma voz fina. Era grossa. Temeu. O elevador chegou no andar. Saiu. Ela, ou ele, olhava-o esperando para ser convidado, ou convidada, para entrar. Ele nem olhou. Entrou depressa no apartamento. Trancou a porta. Respirou aliviado.

Bem, e agora? Já tinha gastado vinte e dois reais. E não sabia o que fazer com aquelas coisas. Rosas brancas. Vinho. Camisinha. Só faltava o mais importante. Pensou. A agenda. Ah, a agenda telefônica. Ela irá me salvar. Fechou os olhos, abriu a agenda. De olhos ainda fechados, colocou o dedo em algum lugar da página. Abriu os olhos. Nada, o dedo apontava para um espaço vazio. Essa intuição tá brincando comigo. Repetiu três vezes, até chegar em Janaína. É, é gordinha, tem cara de safada. Ah vai, tem peito. E as pernas não são esculturais, mas dão pro gasto. Sempre deu bola pra mim, aquela dandinha. É hoje. Ligou. Ela atendeu. Tá namorando. Com uma mulher! Djabo e eu aqui, na secura.

Triste e desconsolado com a Intuição, abriu o vinho. Tomou um gole. Colocou Chuck Berry no som. Uma rosa branca na boca. Lembrou-se dela. A boneca. Essa sim era perfeita. Busto farto, pernas grossas, batom vermelho. Ah, e aquele rostinho inocente. Um tesão. Encheu a boneca. E ao som da guitarra de Berry, no torpor do vinho, com uma rosa branca na boca e outra entre os grandes seios plastificados dela e a camisinha para não sujar o apartamento, teve a melhor trepada da sua vida. Até então.

A Menina que Pedia Livros

Estava no carro, dirigindo, um pouco atrasado para o curso de inglês, quando, ao parar no sinal, fui abordado por uma garota que queria limpar os vidros do meu carro. Acostumado com esse tipo de abordagem nos sinais daqui, falei que não precisava, esboçando um sorriso amarelo. Ela, insistente, pediu que lhe desse ao menos 10 centavos. É óbvio que eu tinha 10 centavos na carteira, mas tirar o cinto de segurança, colocar o carro em ponto morto, abrir a carteira, e tirar 10 centavos, levaria tempo demais e demandaria um esforço que a minha eterna preguiça de ser, inviabilizava. Era mais fácil falar que não tinha, assim o fiz. A menina então, com um jeito meio timido, pediu para que eu lhe desse pelo menos 'um livro daqueles pra mim ler em casa". Não soube como reagir. Olhei para o lado, no banco do passageiro estavam os meus livros de inglês. Falei isso pra ela, então, triste se afastou. Nem teve tempo de ouvir eu falar que se fosse de literatura, daria com o maior prazer.

Isso me fez pensar. Nunca esperararia tal atitude da menina de rua de olhos tristes que queria limpar o parabrisa do meu carro. O lado mais cético do meu ser chegou a pensar que ela, talvez, quisesse o livro para vender. Mas, mesmo assim, o intervalo entre o ganhar o livro e o vender o livro seria o suficiente para, despertar nela, e talvez em seus companheiros, uma curiosidade mínima de abri-lo e tentar ler, ao menos, o primeiro parágrafo da história. E quem sabe o primeiro parágrafo da história não a levasse ao segundo? E depois ao terceiro? E depois ao livro todo? Livros bons são assim, causam dependência psicológica. Não se consegue ler uma página sem querer ler a segunda, nem a terceira, nem a quarta. Pensei também quanto ao dever do poder público de disponibilizar obras, pelo menos as essenciais, para a sociedade. Sobretudo, às pessoas pobres. A literatura alimenta a alma. Mas, enfim, essa questão do poder público nem é tão legal de discutir. Desanima. Amanhã vou procurar uma obra infanto-juvenil boa que estiver encostada na minha estante de livros e darei para algum desses meninos (ou meninas) que me abordarem no trânsito. Pelo menos, ficarei com a consciência menos pesada de não ter nenhum livro bom no momento para presentiar a garota.

Apesar do desânimo do poder público quanto ao incentivo a leitura de pessoas carentes. Pelo menos algo de bom ele está realizando aqui em Natal. E esse algo é o II Encontro Natalense de Escritores que vai acontecer do dia 22 ao 24 de Novembro, na rua Chile, Ribeira. Com painéis muito bons e com muita gente boa discutindo. Fazer esse tipo de evento é bom para a literatura natalense. Incentiva novos escritores, forma novos leitores, movimenta culturalmente a nossa cidade, tão desmovimentada. Gente como Veríssimo, Zuenir Ventura, Carlos Heitor Cony, dentre tantos outros, com toda certeza trará frutos bons. A idéia é muito boa. Mas como nem tudo são flores, prevejo, infelizmente, painéis esvaziados. O incentivo por parte de campanhas e de divulgação é muito pequeno ainda. Sobretudo nas regiões carentes. Existe pessoa pobre que gosta de literatura e talvez não saiba disso. Incentivar a ida desse público para um evento como esse é mais que o essencial. E não só a ida para o encontro, como a leitura de boas obras. Aquele papo de que brasileiro não gosta de ler é furada. Não incentivam a leitura do brasileiro. E o que acontece: a menina que talvez tivesse lido um livro no colégio, que gostava de escutar histórias e que era pobre demais para consumir literatura e que precisava limpar parabrisas no sinal para garantir um mínimo de dignidade da vida, precisa pedir "um livro daqueles pra mim ler em casa", enquanto muita gente enche a boca pra dizer que brasileiro não gosta de ler. Revoltante.

En Lo Que Sea


O Lo Que Sea, do espanhol o que seja ou, seja lá o que for? Enfim, depois de dezembro, Lo Que Sea, deixará de ser apenas uma expressão da língua dos nossos hermanos e passará a ser um (sic) coletivo de cinema, música e literatura com a organização de Michel Heberton, Rudá Almeirda, Tiago Lopes e Juliana Fernandes. Os quatro pretendem "despoluir" a música da cidade e criar público para um tipo de som mais experimental, com vistas a um festival, talvez daqui a 2 anos, como revelou um dos integrantes, Michel Heberton. E, para começar, nada melhor que uma festa, em um dos melhores salões de beleza glamour da cidade que transforma-se, a noite, em um simpático café, O Nalva Melo Café Salão, localizado na Duque de Caxias, 110, no centro histórico de Natal.

O evento vai acontecer no dia 15 de dezembro, a partir das 23h com discotecagens de música boa, WC-Sessions e exibições de vinhetas do coletivo. Antes de estar tudo certo para o evento, consegui uma pequena entrevista via borboleta com Michel na qual ele fala sobre o evento e o projeto futuro do coletivo.

rosk:
e vai rolar o que no dia?

Michel:
Rapaz, discotecagem de todos os gostos. WC sessions - fotos no banheiro, vai ter umas projeções, vinhetas do coletivo, gente bonita e pá.

rosk:
hmmm

rosk:
e a ideia é virar um festival mesmo?

Michel:
daqui há dois anos;.

rosk:
e ano que vem, quais são os planos?

Michel:
rapaz, produção de curtas, festas, pequenos shows, e quem sabe uma edicao da revista

rosk:
revista sobre musica e literatura?

Michel:
e cinema, e o que tivermos interesse de falar. somos livres bóe.

O Lo Que Sea é mais do que recomendado pelo blogdorosk. Entrada? 2 reais.

Os Contos Peregrinos


Doze Contos Peregrinos é um livro do autor colombiano Gabriel Garcia Márquez, ganhador do prêmio Nobel de literatura de 1982 com o fantástico Cem Anos de Solidão. Márquez é um dos pivôs do realismo fantástico, escola literária surgida na América Latina que trata o irreal, o místico como algo cotidiano, comum.

Neste livro, estão reunidos contos escritos e reescritos durante 18 anos pelo autor e contam histórias de latino-americanos na europa seguindo a linha fantástica, característica do seu estilo. Além disso, tem um prólogo ao qual o Márquez revela a dificuldade de se escrever um conto e as suas agonias de escritor e lança uma frase mortal, da qual desconhece a autoria, mas concorda com o teor "o bom escritor é mais apreciado por aquilo que rasga do que pelo que publica".

Há alguns anos, vi publicado em um blog o conto O Avião da Bela Adormecida. A suavidade da escrita, a poesia da narrativa me fizeram ir atrás do autor daquelas belas palavras. Vi então que o conto havia sido tirado de um livro chamado Doze Contos Peregrinos, de um colombiano de nome Gabriel Garcia Márquez. Fui procurar saber quem era e descobri que ele tinha acabado de lançar mais um livro, Memórias das Minhas Putas Tristes. Fui imediatamente na livraria, comprei o livro e me apaixonei por aquelas palavras. Em seguida, li Cem Anos de Solidão, Crônica de Uma Morte Anunciada, Amor nos Tempos de Cólera e Do Amor e Outros Demônios. Depois disso já me tornara mais do que fã do Gabo, até que, de bobeira numa livraria, me deparo com este livro e lembro que, por causa de um conto dele, conheci o meu autor preferido. Não poderia deixar de comprar a obra.

Os contos de Márquez são tão bons quanto os livros. Eles têm força, vivem poeticamente dentro de prosas bem encaixadas, de histórias criativas, de realidades verdadeiramente fantásticas. O último conto deste livro chama-se, O Rastro do Teu Sangue na Neve. De uma pureza, um lirismo, uma qualidade narrativa que encantam qualquer um e vale o dobro do preço do livro. É difícil explicar em palavras a sensação que a prosa, a narrativa, a história deste conto me causam. É como magia, algo como uma sublimação do conto, ele flutua em mim, mas não de forma instantânea, sim constante e que me vêm cada vez que eu lembro da história. É algo inexplicável comigo e que me faz ter medo até de reler o conto e perder a magia que se instaurou em mim depois de sua primeira leitura. Uma bela sensação. Recomendo a todos a sua leitura e as das demais histórias presentes neste livro.

Produtores independentes resgatam o imaginário nordestino


A arte de fazer rir. Essa é a temática do primeiro documentário do Projeto Vernáculo, realizado pela Fotogramas Cultura e Mídia, produtora cultural formada pelas recém formadas em Rádio e TV, Ianne Maria, Rita Machado e Cleidiane Vila Nova. O Projeto Vernáculo é patrocinado pelo Banco do Nordeste e consiste na criação de cinco vídeos-documentários sobre Cultura Popular do Rio Grande do Norte, o primeiro deles foi o A Gente Se Ri.

O documentário produzido pelo Fotogramas mostra uma das formas mais antigas de se fazer teatro e como ela foi adaptada para a cultura popular nordestina; o teatro de bonecos. Denominado de várias formas diferentes, dependendo do Estado em que esteja o Mamulengo (para os pernambucanos) é um resquício vivo da cultura oral nordestina e uma das formas que o homem pobre do interior do nordeste via de “cano de escape” para satirizar os seus “opressores” segundo a radialista e uma das produtoras do projeto Ianne Maria.

O vídeo alterna depoimentos de seis mamulengueiros de municípios diferentes do Rio Grande do Norte e mostra, a partir daí, como é feito o João Redondo (para os potiguares), desde a confecção dos bonecos de madeira até a elaboração da história e dos personagens. De forma descontraída, os artistas contam as suas histórias e “brincam” arrancando risadas do telespectador que acompanha o documentário.

Entre os entrevistados pela equipe do Fotogramas, está Josivan de Chico Daniel, filho e um dos maiores mestres de João Redondo do país, o potiguar Chico Daniel, falecido em abril desse ano. E também a Dona Dadi, uma mamulengueira de Carnaúba dos Dantas que enfrentou os preconceitos e as dificuldades de ser mulher em nome da vontade de brincar e de fazer essa arte.

Além disso, o vídeo conta também com um trecho de uma entrevista que a equipe do Fotogramas fez com Chico Daniel, pouco antes dele morrer em que ele fala da hereditariedade e da tradição que tem o João Redondo na sua família.

Para a elaboração do documentário foram entrevistados 10 mamulengueiros de 6 munícipios diferentes do Rio Grande do Norte, num período de 6 meses de pesquisa e produção do material. A primeira exibição do vídeo foi na segunda metade de junho desse ano como trabalho de conclusão de curso de radialismo da UFRN. O lançamento oficial foi no dia 8 de agosto de 2007 no Teatro da Cultura Popular em Natal com a presença de alguns mamulengueiros entrevistados além de um coquetel de comida regional.

O teatro de bonecos no nordeste

Segundo os pesquisadores, o teatro de bonecos chegou ao Brasil junto com os jesuítas e como um das formas que eles usavam de catequização. A temática era sempre religiosa e relacionada com passagens bíblicas.

Com o passar do tempo os escravos e os camponeses foram absorvendo essa forma de fazer teatro e passaram a utilizar elementos do seu cotidiano e da sua própria cultura, como as lendas populares, as estórias de cavaleiros e as brincadeiras características do homem do interior. Além disso, houve uma forte influência do “Comedia Dell’Arte“ originário da Itália que apresenta um tipo de personagem velhaco, fanfarrão, contraditório e explosivo, uma das características dos personagens do Calunga (para os paraibanos). A junção desses elementos e a criação de um tipo de narrativa em que o homem do interior se vê desde o linguajar dos personagens, até as situações características do Mamulengo, criaram uma forma de arte divertida em que o sertanejo muitas vezes satiriza as situações de opressão ao qual ele é submetido.

Essa forma de arte foi bastante difundida, principalmente no nordeste e no interior de Minas Gerais. Há registros também da presença dela em São Paulo e no Rio de Janeiro, sob a denominação de João Minhoca. No nordeste as apresentações de João Redondo ocorriam entre as festas religiosas e movimentavam as cidades em que acontecia.

Chico Daniel, o grande bonequeiro

Uma das maiores referências em João Redondo do país foi Chico Daniel, falecido no dia 3 de março desse ano. Natural de Assu, interior do Rio Grande do Norte, Chico Daniel era sapateiro e fazia alegria no interior do Estado com as suas apresentações, sempre regadas à criatividade e a bom-humor. O “bonequeiro” morava em Felipe Camarão, bairro da periferia de Natal e morreu de ataque cardíaco minutos antes de sair para mais uma das suas apresentações.

Chico Daniel deixou um legado de amor à cultura popular e de filhos que, como ele, também se dedicam a arte de brincar, a arte de fazer rir. O bonequeiro morreu aos 63 anos de idade.

Trechos do Documentário


Essa foi a reportagem foi a que me rendeu a seleção no concurso do Itaú de Jornalismo. Cultural

Nota de Repúdio aos cinemas de Natal

Fazem 2 semanas que o filme O Passado do Hector Babenco estreiou em circuito nacional e nada de aparecer por aqui. As duas empresas de cinema aqui de Natal insistem, mais uma vez, no desrespeito ao público natalense, de não realizar as boas estréias no circuito daqui e, conseqüentemente, de repetir os mesmos filmes que estão a semanas passando. O Cinemark e o Moviecom estão a um mês exibindo o filme Hairspray - Em Busca da Fama e continuarão na próxima semana, enquanto isso nada do filme de Hector Babenco passar em terras potiguares.

Em função disso, um desrespeito ao meu ver, escrevi uma nota para as empresas de cinema daqui e mandei por email. Segue abaixo a nota.

Por que vocês não estreiam O Passado de Hector Babenco aqui em Natal? Acho isso o que vocês fazem aqui com estréias nacionais de filmes bons, um desrespeito. Agem como se o cidadão natalense não tivesse bom gosto para filmes e ficam repetindo durante semenas os mesmos filmes ruins e chatos, enquanto que nos outros cinemas da rede realizam todas as estréias nacionais. Um absurdo. Deixo aqui a minha nota de repúdio a essa atitude de vocês.

Atenciosamente
Fábio Farias


Se você também se indigna com isso e quer fazer o mesmo, mande esse texto (ou qualquer outro) para praiashopping@moviecom.com.br e no cinemark entre nesse site e envie. Vamo lutar por uma programação de qualidade por aqui!

Projeta Brasil

Hoje, como consta na agenda fui ver o sétimo projeta Brasil.

Esse tipo de promoção deveria ser a semana inteira e na programação com todos os filmes nacionais lançados até a data. É uma boa iniciativa para levar o brasileiro para o cinema para prestigiar a produção nacional. Apesar de um ou outro sem noção, é bom ver cinema lotado para ver boas obras como Saneamento Básico e O Ano em que os meus pais sairam de férias.

O Ano é melhor que Tropa de Elite, para mim. Aliás, tem uma cena fenomenal, quando o garoto caminha sozinho na rua, enquanto todos assistem o final da Copa de 70, com a camisa do Brasil e com aquele cenário de carnaval esvaziado. Apreensivo, o garoto seguia até a casa do judeu que cuidava dele e que havia sido preso dias antes.A fotografia, a temática do filme e a cena se fundem nesse momento e ela vem com uma significação e uma carga dramática muito forte. Me arrepiei.

O único defeito do filme, para mim, foi o final. Não seguiu a ascensão narrativa, infelizmente. O tão esperado clímax decepcionou um pouco, mas isso não desfaz o filme. Ele consegue despertar vários tipos de emoções diferentes no telespectador e é nostálgico nos faz reviver um pouco a nossa infância. Destaque para a bela fotografia do filme e a boa atuação do ator-mirim Michel Joelsas.

Saneamento Básico é uma comédia que flui, com bons diálogos e situações que ocorrem naturalmente. A idéia foi muito boa, com direito a uma crítica sutil ao financiamento governamental de filmes. Mas o que mais me chamou a atenção nele foi a atuação de Wagner Moura, completamente diferente do Capitão Nascimento. Cheguei a me questionar se o Joaquim, personagem representado por ele, era realmente o mais novo Chuck Norris da internet.

De resto é isso, a iniciativa do Projeta Brasil é muito boa, mas ainda falta mais incentivos por parte das empresas de cinema do Brasil e mais qualidade nos filmes produzidos aqui. Mas isso é outra história...

A Velvet do Cinema



A Velvet é uma loja especializada em discos localizada em Natal aonde você encontra CD's de boas bandas, vinis raros, livros sobre música, DVD's de música e etc... Recentemente a loja abriu um novo espaço que comporta um café, deixando o lugar ainda mais prazeroso de se freqüentar. A Velvet Café e Música é um lugar em que você toma uma boa cerva, ouve música de qualidade e agora assiste a bons filmes.

Na quinta-feira a loja inaugurou uma pequena sessão de cinema que, segundo o seu dono, será semanal e com filmes escolhidos a dedo. Os filmes passarão todas as quintas às 18h00 e serão reprisados nos sábado às 11h30. O primeiro filme da sessão, que convenhamos não deixou a desejar, foi o elogiado e muito bom C.R.A.Z.Y que trata da história de uma família e os seus cinco filhos (cada filho com a inicial do nome do filme) diferentes, engraçados, dramáticos a partir do ponto de vista do quarto filho, o homosexual Zac e a sua relação com os seus familiares. O filme conquistou 10 dos 12 Genie (Oscar canadense) e tem uma trilha sonora filha da mãe (no melhor sentido de todos, é claro) com nomes como Pink Floyd e Stones. Segundo a crítica do Zeta Filmes o longa de Jean Marc Valee teve problemas de sair das fronteiras do Canadá por conta dos direitos autorais da trilha sonora e foi eleito, em 2005, como o melhor filme sem distribuição.

Vale a pena conferir tanto o filme quanto as sessões na Velvet. Um ótimo programa para as quintas e sábados.

Abaixo o trailler de C.R.A.Z.Y

top