Rapidinhas

Na véspera de Mada, o portal Dosol começou a anunciar o Festival Dosol. Ele está previso para acontecer nos dias 1 e 2 de novembro, possivelmente no mesmo esquema que foi ano passado: o bar Dosol e o Armazem Hall para receber o público. A despeito da falta de patrocínio do ano passado, o festival Dosol deste ano vem com a Oi Futuro e a cerveja Sol. Esperança de bom rock na cidade.

Falando em MADA, este ano a organização está mais enrolada do que o normal. Ficaram de divulgar as bandas e o festival Radar Indie no site oficial hoje e não divulgaram. O que rolou foi um release para a imprensa sobre a seletiva, mas nada no site. Enfim, local é mesmo o Armazem Hall, as bandas serão: Mobydick (RN), Decreto Final (RN), Bandini (RN), Nordestenato (RN), Rastafeeling (RN), Amps & Lina (PE), Jazzmantra (RN), Kabelo (SP), SeuZé (RN), The Deadsuperstars (PE). O radar indie vai rolar no sábado, a partir das 20h e a entrada é dois kilos de alimento (pra quem não tem ingresso do MADA).

Saindo da música e indo para a literatura. Minha amiga, poeta Marina Morena me relembrou um blog de poesia da qual ela faz parte e que é muito bom. É o 7 cabeças. Lá está o melhor da web-poesia brasileira, quem gosta, sai ganhando. O endereço é http://blogdesete.blogspot.com/. Mais do que recomendado.

Ainda no viés literário. Marcelino Freire lança seu novo livro em terras potiguares, terça-feira lá na Siciliano do Natal Shopping a partir das 19h. Boa pedida para quem gosta dos contos e do blog dele. Parece que na segunda-feira, o mestre Nei Leandro de Castro, também estará lançando seu livro novo. Mas até agora, não tive nenhuma confirmação.

Cinema. O novo filme de Breno Silveira (é, aquele mesmo de Dois Filhos de Francisco), Era Uma Vez, para variar um pouquinho, não estreou em Natal. A história parece ser meio boba, meio novelinha, mas mesmo assim quero ver como o diretor carioca se comporta numa produção pequena. Pelo menos acho que vai ser melhor que A Múmia.

Trailer de Era Uma Vez

O Batman para crianças


Não é o melhor Batman. O melhor Batman continua sendo o Begins. Isso não faz com que o Cavaleiro das Trevas seja um filme ruim. Não é. Mas também passa longe do que foi - principalmente em termos de ousadia do roteiro - o primeiro filme da dupla Chris Nolan e Christian Bale como diretor e personagem principal. Para ser sincero, o novo Batman não passa de um excelente filme para crianças.

O longa dura duas horas e durante esse tempo vemos um personagem, que deveria ser coadjuvante, ganhar ares de principal relegando ao nosso pobre homem morcego o pífio status de segundo plano. O Coringa rouba todo glamour do Batman, tanto na sua caracterização, quanto na interpretação. A interpretação do falecido Heath Ledger ao Coringa é fenomenal. Toda a crítica cinematográfica mundial ficou embasbacada com o talento do Caubói de Brokeback Mountain e já estão até pedindo que a academia conceda um Oscar póstumo ao ator. O que, além de merecido, muito provavelmente vai acontecer. O único problema disso tudo para O Cavaleiro das Trevas é que o nome do filme não é Coringa, mas sim Batman.

É difícil dizer se a escolha em dar ênfase ao papel do Coringa aconteceu antes ou depois da morte de Ledger. O fato é que esse é a maior fraqueza do filme. Quem assistiu Batman O Cavaleiro das Trevas (e não se cegou com a atuação de Heath Ledger) ficou esperando aquele herói sombrio e humano, aquele Christian Bale arrasador que conseguia nos fazer acreditar que o homem morcego poderia ser real. E tudo o que viu foi um morceguinho manso. A grande força do primeiro filme de Christopher Nolan era a atuação de Bale como Batman e essa caracterização mais próxima da realidade, bem diferente dos outros filmes de heróis que continuaram batendo em infantilidades como super poderes e etc... No Cavaleiro das Trevas vemos um Batman que, na própria roteirização do filme, é um mané, um mero coadjuvante frente a um Coringa sensacional. Não foi só a atuação de Bale que foi fraca, foi o roteiro que não deixou o homem morcego crescer e ser aquele personagem que encantou milhares de espectadores há três anos.

Outro buraco em que o filme cai é no maniqueísmo. Ta certo que histórias em quadrinhos são, em essência, produtos da divisão entre o bem e o mal. Mas em Cavaleiro das Trevas - repare caro leitor que o título poderia dar brecha a idéias interessantes - isso é exagerado. O Batman é fraco. Tudo bem ele ser incorruptível, mas por que não deu uma sova de verdade no Coringa quando ambos estavam juntos na cela? Ou então, porque não se revoltou com Harvey Dent que ele salvou e por uma frescura virou vilão? O que me parece é que a produção tentou evitar cenas mais fortes e pesadas e a dose de inovação presentes no primeiro longa; tudo para poder disponibilizar o filme para crianças e se tornar um blockbuster de consumo fácil. Se fosse para deixá-lo tão infantil, seria melhor que nem fizessem a continuação.

O filme é uma decepção para quem achou que iria ver o Batman sombrio do longa anterior. Mesmo assim, vale o ingresso. Os saudosistas que me perdoem, mas Heath Ledger consegue ser um Coringa melhor que foi o grande Jack Nicholson. Fora isso, a produção ficou legal, os efeitos especiais também. Se o leitor não tiver o que fazer, é uma boa opção para passar o tempo, ou então para levar o filho (ou irmão mais novo) ao cinema. Não mais do que isso. A verdade é que Batman O Cavaleiro das Trevas facilmente seria esquecido e provavelmente seria mais um dos milhares de blockbusters medíocres lançados todos os anos, isso se Ledger não tivesse feito a atuação da sua vida.
Informações extra-oficiais.

O Radar Indie vai rolar dia 1 e 2 de agosto, no Armazem Hall na Ribeira. Não será mais na Capitania das Artes, como estava sendo 'divulgado' até então. Dentre as bandas, vai rolar Amps & Lina (PE), Dombem e outras.

A entrada será de graça, mas só terá acesso ao convite quem comprou uma das senhas dos três dias do MADA.

Isso tudo deve ser divulgado oficialmente esta semana pela produção.

Bonnies disponibiliza duas musicas novas



O banda potiguar os Bonnies lançaram no seu site oficial nesta segunda-feira (21/07) mais dois singles do seu novo EP, que deverá sair até o final do ano, três anos depois do lançamento do primeiro trabalho. As músicas "Tão Calmo" e "Não me deixe triste" estão disponíveis no site da banda e no Myspace. O grupo aproveitou também para lançar um clipezinho para a música "Tão Calmo", que é na verdade um apanhado de imagens que mistura os desenhos psicodélicos da banda e o pessoal tocando nos shows. As duas músicas fazem parte do pacote de 13 trabalhos novos que a banda promete trazer junto com o novo EP, que será lançado pela Mudernage Discos.

A impressão que se tem ao ouvir esse novo trabalho dos Bonnies é que eles estão mais calmos. O quarteto parece que decidiu abandonar um pouco aquela loucura instrumental e vocal, característica do primeiro EP e decidiram fazer um trabalho mais bem cuidado nos arranjos. É algo como um rockability experimental. Isso demonstra maturidade do grupo, o que pode gerar bons frutos. O que da para perceber também é que os fãs da banda esperam ansiosamente o lançamento do disco que, segundo o site oficial, será feito numa festa. Só espero que o álbum venha com músicas de pegada também como "PRAM!" e "Não Toque na Minha Baby" e a galera não perca a presença de palco característica dos shows deles.

Lição Pernambucana

Com temperaturas médias de 15 graus Celsius no inverno, Garanhuns é o principal centro cultural de Pernambuco durante o mês de julho. Isso porque durante duas semanas a cidadezinha localizada no Planalto da Borborema, a 230 km de Recife, realiza seu famoso Festival de Inverno. Conhecido pela diversidade da programação e por trazer grandes atrações musicais, o evento ocorre anualmente desde 1991 e leva uma legião de turistas para a cidade e é parada obrigatória no chamado circuito do frio pernambucano.

O festival é divido em palcos e pontos de cultura espalhados em vários locais de Garanhuns, cada um deles com uma programação específica e o principal (Guadalajara) é que recebe os 'músicos de grande porte' durante a noite. A programação dos palcos varia entre música instrumental em alguns e até música gospel em outros, sem esquecer, é claro, do forró e de músicas folclóricas. Estima-se que durante os 15 dias, a pequena 'Suiça Pernambucana' de pouco mais de 160 mil habitantes receba cerca de 1 milhão de turistas para ver o festival, curtir o frio e aproveitar a cidade.

O grande diferencial do Festival de Inverno, pelo menos o desse ano, é que ele não se limita a simples apresentações musicais, sarais poéticos ou apresentações de teatro, existe uma preocupação com a formação cultural das pessoas. Nos pontos de cultura acontecem oficinas e debates com o objetivo de gerar um intercâmbio cultural entre as pessoas e os convidados vindos de outras regiões. E, pelo que li, se debate desde música independente e os festivais alternativos até rádios comunitárias. Um belo pedaço de carne de sol suculento no prato que é a programação do Festival.

E o melhor é que as pessoas efetivamente participam do evento. Para quem pensa que o público de lá vai só por causa das grandes bandas está enganado. As atrações locais, tanto folclóricas quanto as pops, são muito bem recebidas e os palcos estão sempre lotados. Aliás, vale frisar que o povo pernambucano nutre um tipo de orgulho peculiar quanto a produção local, lá eles efetivamente prestigiam e aplaudem o que é de casa. E ai de quem falar mal da cultura pernambucana com algum nativo... Lição que cidades como Natal deveriam aprender.

É bom observar que a ação do poder público na cultura em Pernambuco é um dos determinantes para esse 'afã' que o pernambucano tem pela sua terra. O Festival de Inverno, por exemplo, é patrocinado principalmente pela prefeitura e pelo governo estadual. Pelas bandas de lá, nos colégios, os alunos desde cedo aprendem as danças típicas, conhecem os grandes nomes da cultura pernambucana, são levados a gostar do que é produzido na sua terra. Bem diferente do que acontece aqui onde as crianças (e adultos também) mal sabem quem foi Câmara Cascudo ou tem algum tipo de orgulho da cultura local.

Fora isso a prefeitura de Garanhuns está de parabéns. O policiamento da cidade e a preocupação com a limpeza são marcantes, mesmo com a falta de educação das pessoas; que não param de jogar o lixo no chão. Por volta das 5h da manhã recolhem todo o lixo da cidade e deixam tudo limpinho para o outro dia. E, depois de turista, policial é o que se mais vê nas ruas. Resultado: shows com públicos de 70 mil pessoas, sem maiores problemas.

Mas como nem tudo são flores, a produção peca quanto a divulgação do que acontece na cidade. A programação divulgada está dividida por palcos, não por dia, o que dificulta para o turista, além disso, não há orientação de como chegar aos palcos. Ou seja, se você não conhece Garanhuns, provavelmente irá se perder. Sorte é que a cidade é pequena. Falta também um site oficial com toda a programação do evento (pelo que pesquisei, só tem a do ano passado), notícias, fotos e orientações para turistas. Aliás, esse trabalho de assessoria parece ser feito só pelo site oficial do município e, desde sábado, pelo portal Nação Cultural, lançado durante o show de Nação Zumbi.

Apesar disso, o que Garanhuns faz devia servir de exemplo para as outras cidades do nordeste. Aliás, na verdade, o que Pernambuco faz pela sua cultura deveria servir de exemplo. É bonito para alguém que vem de Natal, onde fazer cultura é ser herói, tanto por causa da deficiência de políticas públicas para formação de platéia na cidade, como pela insensibilidade do empresariado local, ver uma cidade do interior com 15 dias no ano destinado a cultura e trabalhar durante esse período a diversidade e a formação. Isso faz acreditar, pelo menos para mim - um otimista nato -que fazer cultura não é tão difícil como dizem. Basta querer.

O Cavaleiro das Trevas

Na minha opinião, Batman Begins e a trilogia Bourne é a prova que o cinema comercial norte-americano ainda tem resquícios de vida inteligente.

Amanhã é a estréia mundial do esperado Batman - O Cavaleiro das Trevas, continuação do Batman Begins.

Com o mesmo diretor (Christopher Nolan) e o mesmo ator principal (Christian Bale).

Vale um clichê: em time que está ganhando não se meche.

A produção conta ainda com um marketingum tanto quanto mórbido: A morte de Heath Ledger - ator que interpreta o Coringa no novo Batman - colocou ainda mais lenha na fogueira de quem aguarda ansiosamente, desde 2005, a continuação do longa de Chris Nolan.

Além de ter gerado mídia para o filme e ainda por cima trazer consigo uma leva de fãs de Heath, que talvez nem fizessem tanta questão de ver Batman, mas agora correrão para garantir os seus ingressos e assistir ao seu último filme.

Aposto que os produtores - descontando a parte humana do negócio - viram esse 'lado bom' da morte de Heath Leadger.

Só espero que o filme chegue, no mínimo, aos ombros do último Batman.

Thrailler legendado

O MADA de novo

Fontes confiáveis dizem que o Radar Indie, a prévia do Festival, vai ser realizada no início de agosto (dois dias), lá na Capitania das Artes (?) de graça. Até agora não vi nada de oficial...

Também estranhei Capitania das Artes ao ouvir, nunca vi shows por lá, mas é de graça né...

As duas melhores bandas do Radar vão tocar no MADA.*

Outra notícia que saiu, agora diretamente do portal NoMinuto e assinada por Alexis Peixoto - um dos caras que mais entendem de música aqui em Natal - é que além dos uruguaios do Motosierra, o norte-americano Josh Rouse está confirmado para o festival.

É a primeira que ele vem ao Brasil.

Josh fez tilhas para o seriado Grays Anatomy's e os filmes Vanilla Sky e Quase Famosos.

Pessoalmente, apesar do Motosierra ser considerado uma das melhores bandas de rock da América Latina e de eu apostar num show muito bom, pelo que pude ouvir no Myspace prefiro o som do Josh.

Indepentende disso, as headliners deste ano são as melhores. Tem diversidade, boas apostas e atrações que no geral agradam todo mundo. Só faltou a grande banda internacional que tanto foi especulada no inicio do ano.

Talvez ainda falte muito feijão em Natal para isso.

Ouça aqui Josh Rouse

Ouça aqui Motosierra

*No site oficial do MADA já saiu a programação, será apenas uma banda selecionada pelo Radar Indie que tocará no evento.

Camarones Orquestra Guitarrística


Pouca coisa no rock é unanimidade. Aliás, pouca é exagero, quase nada. O grande quê do rock é a variedade de vertentes, de estilos, onde um odeia o outro e impõe rótulos para os seus colegas. Essa particularidade do estilo faz que todo mundo queira ter personalidade, ou ter atitude e ser único e diferente e blá, blá, blá. O grande problema é que ninguém consegue de fato atingir esse Santo Graal de todo rockeiro e acaba sendo mais um, fazendo parte de mais uma tribo ou um grupo de pessoas que ouve a mesma coisa e malha de quem ouve algo diferente.

Mas em meio a essa complexa relação de diferentes, algo une tanto o emo mais sentimental quanto o metaleiro mais from hell. A guitarra elétrica. Se elvis é o rei do rock, a guitarra certamente é a rainha. Ou até mesmo a alma. Não existe rock sem guitarra. Nunca existiu. Pode ser a vertente que for, ela tem que estar presente, nos solos, na base do ritmo. O som agudo, muitas vezes distorcido, é a marca de um ritmo que mudou paradigmas sociais e inspirou gerações de jovens.

Investir nessa unanimidade com um som criativo e puramente instrumental é a grande cartada da Camarones Orquestra Guitarrística. A fórmula é simples: três guitarras, um baixo, uma bateria e adaptações criativas de hits como a música tema de Pulp Fiction, o tema dos flintstones, Top Gear, além de belas releituras. Destaque para a versão de "Get Up, Stand Up" de Bob Marley, se eu não soubesse que era um reggae, acreditaria piamente que a música era um rock dos bons.

A banda ganha pontos também por ser, de fato, a primeira a tocar esse ritmo em Natal. Poucas bandas de rock se dedicam ao instrumental. A única que chegou perto disso foi João e os Bons Jovens, mas a carência de shows, a falta de EPs e acho que até a falta de vontade dos músicos a fizeram ser apenas um mito. Uma banda que todo mundo gosta, mas que raramente toca. Os Bonnies no seu CD investiu em uma música instrumental e no ano passado lançou o single "PRAM!", junto com o videoclipe vencedor do Curta Natal. Fora isso, mas nada.

Em meio e esse diferencial, o grupo consegue fazer um show animado. É difícil ver de metaleiros a ‘eletro rockers’, curtir a mesma coisa. No show que fui, pude ver isso, neguinho dançava alucinado. Se o pessoal do Camarones realmente levar a cabo essa idéia e continuar compondo e readaptando clássicos da forma criativa que estão fazendo, boto fé que com alguns ajustes quanto a presença palco (chegou a hora de ter idéias para fazer algo diferente no palco), finalmente poderemos ter uma banda potiguar de rock bem projetada nacionalmente. Só espero que não caiam na maldição das bandas de Natal de nunca levarem realmente a sério a sua música.


Quer ouvir?

Clique aqui para baixar o EP Corre, Cabron, Corre.

Polícia, para quê polícia (militar)?

Na mesma semana em que a Polícia Militar do Rio de Janeiro, numa operação desastrosa (ainda considero desastroso um eufemismo para aquilo), dispara 15 tiros num carro e mata uma criança de 3 anos, a Polícia Federal, numa operação hollywoodiana, prende três peixes grandes da corrupção brasileira com direito a gravações da um deles tentando cinicamente subornar o policial para não ser preso. A faca e o queijo para o judiciário brasileiro - tão incompetente quanto a Polícia Militar carioca - prender esses 'caba de peia'.

A disparidade das ações reflete a qualidade do investimento, do material humano e a diferença de salários entre as duas polícias. Enquanto que para ser policial federal é preciso de, no mínimo, curso médio completo, além de se fazer uma bateria de testes, exames e posteriormente um curso de formação de seis meses em Brasília e receber um salário superior a 5 mil reais. Para ser policial militar basta o ensino fundamental, uma provinha de marcar, um curso de um mês (quando tem curso) para receber um salário de fome de, em média, R$ 900,00.

Fora isso, só no ano passado o Governo Federal investiu mais de R$ 800 milhões de reais na Polícia Federal. O investimento na polícia militar depende de cada Estado e geralmente é rodeado de ações corruptas de secretários e até mesmo comandantes da polícia.

Não seria a hora de se pensar numa unificação das polícias? Num salário-base único, num preparo mínimo e único e até estabelecer uma quantia mínima em investimentos?

Será que realmente o problema da segurança pública no Brasil é tão difícil assim de resolver? Ou basta seguir o que fez a PF nos últimos 10 anos?

Rapidinhas do MADA 2008 II

As headliners do MADA deste ano já saíram.

Entre os nomes, está o hype Malu Magalhães, a esperada Patu Fu e nomes como Lobão, Cordel do Fogo Encantado. Ainda virá a malhada O Rappa e a indie uruguaia Motosierra. Ah, esse ano terá também uma novidade; a festa Lo Que Sea acontecerá dentro da tenda dance do MADA, na sexta feira.

Sobre os nomes, o que da pra dizer é que Jomardo Jomas, produtor do evento, acertou. Tem diversidade sonora que vão desde nomes batidos no cenário nacional como Rappa e Pato Fu, a bandas com um som mais diferente do habitual, como Cordel e Lobão, e até grupo indie de fora. Fora as headliners, ainda terão as independentes: Autoramas, Falcatrua, Macanjo, Brand New Hate, Isaac e a Síntese Modular, Barbiekill. A produção espera fechar todos os nomes até o final deste mês.

Os nomes só não corresponderam as expectativas. O edital da Petrobrás que o evento ganhou e a marca de 10 anos fizeram surgir burbirinhos que nomes internacionais bons viriam a Natal. Nada até agora. A programação internacional do Abril Pro Rock foi bem melhor. Aliás, no aspecto de trazer bandas gringas boas, tanto o Abril, quanto o Coquetel Molotov (que é um festival relativamente pequeno) dão de 10 no MADA.

Falar nisso, a prévia do MADA - o Radar Indie - nem sinal. Achei a idéia da prévia muito boa, mas parece que não deu muito certo.

Outra coisa que senti falta também, não teria tipo uma retrospectiva dos melhores shows do MADA? Ainda tá de pé? Seria muito legal se rolasse.

Enfim, pelo sim, pelo não, comprei minha temporada hoje. Promoçãozinha para os usuários da comunidade, R$ 30 reais até terça-feira na Ecológica do Natal Shopping e do Midway. Depois disso o preço aumenta. E, pelo andar da carruagem, não sairá por menos de R$ 50.

Os cães tarantinianos


Em 1984, o magricela Quentin Tarantino era um viciado em cinema que trabalhava como balconista numa locadora de filmes, estudava atuação e tinha acabado de terminar de escrever seu primeiro roteiro. Onze anos depois o mesmo magricela era considerado um dos melhores diretores norte-americanos da atualidade e acabava de ganhar um dos maiores prêmios do cinema mundial: a Palma de Ouro de Cannes.

Entre os tempos de balconista até ser considerado gênio do cinema, Tarantino roteirizou e dirigiu três filmes. O primeiro "My Best Friend's Birthday" foi a conseqüência direta do seu primeiro roteiro e da sua parceria com Craig Hamann, seu amigo na locadora. Reservoir Dogs (Cães de Aluguel) foi a sua maturidade cinematográfica, a produção foi chocante tanto pela violência das cenas, quanto pela qualidade do roteiro. Pulp Fiction, lançado em 1994, foi o ápice de Tarantino. O longa recebeu indicações para prêmios no mundo todo, levou nada mais nada menos que a Palma de Ouro em 95 e conquistou uma legião de fãs.

Para chegar até Pulp Fiction e contar com atores do quilate de Samuel L. Jackson, Uma Thurman, John Travolta e Bruce Willis no elenco, nosso querido magricela precisava de prestígio. E nada melhor do que Cães de Aluguel como cartão de visitas para chegar aonde ele chegou. O filme é excelente. Mal temos tempo de nos acomodar na poltrona para assisti-lo e contamos com uma cena em que a câmera filma cada um dos personagens do filme num café discutindo assuntos como a letra de "Like a Virgin' de Madonna, as condições sócio-econômicas das garçonetes e a questão das gorjetas. E o melhor: de forma bem humorada.

A abertura é só a preparação para um filme que, antes de tudo, pode ser definido como inteligente. São seis criminosos que não se conhecem e usam codinomes para se identificar. O objetivo deles é roubar diamantes de uma joalheria e entregá-los para o seu recrutador: Joe, um bandido rico e experiente. Acontece que antes deles conseguirem fugir, a polícia chega. No filme, não se vê a cena do roubo, ela é costurada por meio da história de cada personagem, a história do filme começa depois do roubo e o eixo narrativo gira em torno da desconfiança: um dos seis bandidos era policial e entregou o esquema, por isso a polícia chegou tão cedo.

A descrição da história pode parecer comum ao cinema policial norte-americano. O grande 'quê' do filmes de Tarantino é a forma com que ele trata a violência: sempre nua e crua, recheada de sarcasmo e de referências à cultura pop. Isso fica claro na escolha que vai desde a trilha-sonora (muito boas em geral) até aos planos da câmera e as palhetas de cor escolhidas na pós produção. Além disso, o diretor é mestre em quebrar expectativas; quem já viu algum filme dele sabe. A violência tarantinana é mostrada sempre de forma cômica, recheada de diálogos inteligentes em que os personagens discutem tudo, seja os sanduíches do Mc Donalds, seja composições de Bob Dylan. E a caracterização dos seus personagens é genial: sempre um contraste entre as suas ações e a forma com que são mostrados.

Cães de Aluguel inaugura com maestria esse estilo tarantiniano de fazer cinema e essa forma politicamente incorreta de tratar da violência, sem se limitar a ser um filme daqueles de ‘violência pela violência’. A firmeza da direção, as boas atuações e, principalmente, a qualidade da história do longa-metragem são belos convites para o mundo do nosso querido diretor magricela, que anos antes não passava apenas de um empregado de locadora. A produção só não se tornou a maior obra-prima de Tarantino porque, anos depois, ele viria a roteirizar dirigir e atuar Pulp Fiction, a consagração do seu estilo.
top