Polêmicas do Jornalismo


O curso de jornalismo é um curso polêmico, talvez o mais polêmico de todos. Primeiro porque neguinho entra e começa a estudar teoria da comunicação e vê que ainda não há algo certo sobre o que é comunicação. O que há são milhares de teorias diferentes. Prossegue estudando teoria até chegar em teorias do jornalismo e se depara com algo mais intrigante ainda, os teóricos ainda não sabem definir com precisão o que é jornalismo.

Até aí beleza. No campo profissional, temos outra polêmica: assessoria de imprensa é ou não é jornalismo? Para mim não é, mas se eu disser isso para outras pessoas é capaz delas quererem me matar. A outra é quanto ao fim do jornal impresso, há quem diga que em menos de 50 anos eles terão acabado, assim como os livros, eu discordo. E isso dá muito pano pra manga para discutir.

E existe ainda a polêmica quando se está trabalhando. O que vem primeiro, a linha editorial do jornal ou a sua própria ideologia? Deve-se abrir mão totalmente da ideologia para conseguir um emprego?

E assim vai, tem outras polêmicas também, como a da linguagem, será que manual de redação e estilo não limita a capacidade criativa e crítica do profissional? E quanto a objetividade, a questão básica, existe objetividade? E daí pegamos outra, existe imparcialidade? O que é ser objetivo (ou imparcial)?

E por fim temos a da academia. É realmente necessário um curso de jornalismo ou não seria melhor uma especialização de ciências sociais como na europa?

As Pelejas e o Cinema em Natal

Fui "atarefado", ou melhor, indicado por naldinho para falar acerca das expectativas da estréia do filme O Homem que Desafiou o Diabo, baseado no livro do potiguar Nei Leandro de Castro, dirigido pelo também potiguar Moacyr Góes e gravado em terras potiguares. E também da relação entre o cinema no RN e o cinema no cenário nacional.

A pré estréia do longa global, que conta no seu elenco com Marcos Palmeira, ocorreu na semana passada no cinemark em sessão fechada para imprensa, pessoal que participou da produção do filme e sortudos que conseguiram o ingresso. Tenho amigos que viram o filme e o classificaram como mediano.

A expectativa de quem gosta de cinema ou de quem leu o livro do Nei Leandro (por sinal, muito bom o livro) é de ansiedade. Nessa sexta será a estréia e com toda a certeza as salas de cinema aqui estarão recheadas desse público. Mas do ponto de vista do público em geral, não vejo muita expectativa. Houve mais na estréia do longa do Padre Marcelo que foi gravado por aqui também, o Maria, Mãe do Filho de Deus. Quanto a mim, perdi um pouco dessa expectativa pelo que alguns amigos me falaram sobre o filme. Mas, com toda a certeza estarei na estréia (se for possível) vendo o resultado do trabalho.

O que é indubitável é que o longa foi gravado e estreiará num momento de efervescência do cinema potiguar. E, talvez, depois da década de 60, num dos melhores momentos. Natal sempre foi uma cidade "cinematográfica" principalmente na época da ocupação americana nas nossas terras. Vários cinemas espalhados pela cidade e um cineclube muito atuante e forte, que foi o Cineclube Tirol. A década de 80 e até início dos anos 2000 foram a idade das trevas do cinema potiguar. Não havia produção cinematográfica e a exibição de filmes, com a falência dos cinemas da ribeira no final da década de 80, se reservavam a apenas 2 salas que passavam o circuito comercial e mais 2 que eram reservadas para o "circuito pornô".

A criação do curso de Rádio e TV e o ressurgimento do cineclube, sem falar no aumento do número de shoppings, contribuiu para melhorar esse quadro. E hoje temos uma produção de curta-metragens, sobretudo universitários, muito bom, oficinas de cinema se espalham pela cidade, uma exibição ainda fechada no circuito comercial, mas que tem ao menos mais opções do que antigamente e um cineclube atuante exibindo sempre bons filmes. Sem falar nos festivais de curta e longa metragem que antes não existiam e hoje temos três destes regulares. E, fora isso, alguns longas sendo produzidos por aqui, por pessoas daqui. É claro que o cinema potiguar ainda está muito atrás da maioria dos grandes centros urbanos do Brasil. No entanto, existe boas perspectivas por aqui.

A Bela Adormecida

Eu a admirava fazia alguns meses. Cabelo avermelhado, altura mediana, olhos castanhos, boca carnuda e aquele jeito de andar e de olhar que me tiravam do sério. Ela sabia muito bem da minha admiração física por ela. Não tinha como esconder isso dela. Era a mulher mais bonita que eu já havia visto e, como bom poeta, sempre acreditei que o que talvez seja uma das melhores coisas que a natureza fez, uma das mais esplendorosas, é a beleza e a sutileza de uma mulher.

As mulheres tem um jeito único e uma forma de beleza que até nas mais feias se encontra. É impressionante a perfeição da obra que é o ser feminino. E as mais belas então... É pura covardia com os homens como eu que são obrigados a passar o resto da suas vidas a admirar essas belas mulheres. E por ela, eu passaria o resto da minha existência apenas admirando-a no seu andar, no seu falar e no seu pensar-em-nada tão belo, tão sutil, tão poético. E, naquele dia, eu não aguentava o tamanho prazer de vê-la, nua, dormindo na minha frente.

Dormir nua. Foi essa proposta que lhe fiz no dia anterior. Falei que pagava a quantia que quisesse apenas para admirá-la dormindo nua, do meu lado, no meu apartamento. Vi quando seus belos lábios riram da minha proposta senil, vi o quanto o seu belo par de olhos dobraram quando falei que não era loucura minha e que aquilo era mais sério do que nunca. Ela virou o rosto fazendo com que o seus longos fios cabelo batessem levemente no meu rosto e soltando um cheiro de rosas. Sorriu e perguntou-me novamente acerca da minha proposta. Confirmei as minhas intenções e as reforçei dizendo que sabia muito bem que nunca a teria como mulher.

Mulheres desse tipo não são para canalhas como eu. Eu sabia muito bem disso e não estava disposto a querer provar isso para ela. Até porque ela namorava com um rapaz qualquer, aliás, qualquer não, um sortudo. Quando a conheci e descobri esse pequeno detalhe, vi que ela não era para mim. Namorava já a mais de 5 anos e pensava-se em casar-se com o felizardo. Um homem comum, sem nenhuma poesia dentro de si. Isso, francamente, decepcionou-me quanto a ela. Escolher alguém assim, tão pobre de lirismo, tão comum, tão normal e tão chato no seu modo de agir fez-me ver que com ela, muito provavelmente, eu não teria nada, além da sua amizade.

Ela então contou-me que precisava de um quantia não muito grande de dinheiro para ajudar a sua avó. Contou-me que estava desesperada por esse dinheiro pois havia perdido o emprego e não queria pedir isso ao namorado que ganhava pouco. Achei o valor justo. Mas antes de fecharmos ela certificou-se de que eu não a tocaria em momento algum e que ficaria apenas a observando dormir. Dei a minha palavra quanto a isso, não queria estragar o momento. Marcamos então para o dia seguinte. No meu apartamento, às 21.

Ela veio. Nunca esquecerei o modo com que entrou no meu apartamento e olhou tudo aquilo. A risada, como se não acreditasse na minha proposta louca e na loucura que estava fazendo. Refez as suas exigências de que eu não a tocasse em nenhuma instância. Reafirmei tudo aquilo que tinha dito no dia anterior. E ela me disse que aquilo tudo deveria ficar apenas entre eu e ela. Ela falou que amava demais o seu namorado e não conseguiria se imaginar sem ele. Eu, conformado com aquilo tudo, arrumei a cama do melhor modo possível. Ela despiu-se e eu pude ver a poesia do seu corpo. Era um perfeito soneto, dois quartetos e dois tercetos escritos naquela bela pele moreno-claro, tão lisa e tão suave que me enlouqueceram quando notei a textura e o cheiro sutil que dali exalava. Era mais bela ainda nua.

Deitou-se após tomar um pequeno comprimido para dormir. Eu, sentei-me a frente da cama, acendi um cigarro e abri um vinho tinto para aproveitar o momento. Era linda, perfeitamente linda com aqueles olhos fechados, aquele jeito infantil de dormir e de sonhar com o seu namorado sem graça, era magistral a forma com a qual ela passava o braço de um lado para o outro da cama procurando a melhor posição. Não me contive de prazer nesses momentos inesquecíveis. Deitei-me então ao seu lado e fiz as maiores e mais absurdas promessas de amor que eu já fiz. Recitei versos de amor total e dedicação exclusiva para ela. E chorei de imaginar que nunca a teria. Tive vontade de acordá-la, de propor uma fuga, de falar para ela o quanto eu estava a amando mais do que tudo. Tive vontade de gritar para o mundo o meu amor por aquela bela mulher. Versei enlouquecidamente naquela noite. E chorei a frieza da minha realidade.

Ao amanhacer, exausto e realizado com o prazer que tinha sido vê-la nua dormindo no meu quarto, preparei um café da manhã caprichado com tudo o que eu sabia que ela gostava, como um último mimo a essa menina que eu eu veria apenas uma vez daquele jeito. Servi o café na cama dela, acompanhado com alguns versos meus e o dinheiro devido. Ela comeu aquilo tudo, guardou meus versos e o dinheiro, disse-me para ficar bem e me cuidar e foi embora. Simplesmente foi embora como se nada tivesse acontecido.

Tropa de Elite


Eu prometi a mim mesmo que não baixaria e nem compraria a versão pirata Tropa de Elite. Prometi... Não resisti as tentações e baixei o mais novo trabalho do diretor carioca José Padilha. O filme conta a história de um capitão (Wagner Moura) da BOPE-RJ que, em função do nascimento do seu filho, desejava sair do batalhão e da guerra do tráfico. Mas, para poder cumprir o seu desejo, ele precisava encontrar um substituto digno de confiança, com as virtudes do bom policial, para ser o capitão da considerada melhor polícia de batalha urbana do mundo.

O filme é forte e carrega as melhores características do cinema brasileiro. O drama, a crueza da filmagem e a fotografia que, diferente dos filmes norte-americanos, não usa da palheta de cores para dar um ar específico para o filme. É cru, real. A todo o momento, o telespectador tem essa sensação de realidade. As atuações estão para lá de consistentes, Wagner Moura, com toda a certeza, fez a melhor atuação da sua vida no filme. Me surpreendeu.

Os personagens fogem da linha teatral característica de muitos filmes brasileiros e também passam longe dos estereótipos do Cinema. Não há um mocinho como nos filmes norte-americanos, nem um anti-herói característico do nosso cinema, mas personagens reais, com suas fraquezas e as suas forças, suas qualidades e seus defeitos. A direção do filme procura sempre se aproximar o máximo possível da realidade da Policia Militar brasileira e da guerra urbana que existe no Rio de Janeiro e de todos os seus segmentos. A caracterização do sistema feita pelo protagonista, não poderia ser menos real. Se a história não fosse fictícia, certamente o filme seria um documentário.

O filme empolga, a história prende e emociona o telespectador e o autor ganha méritos porque foi o primeiro a mostrar o lado do policial na guerra do Rio de Janeiro. Mostra a dificuldade de ser um policial honesto, ganhando uma mixaria por mês e sem saber se volta vivo ou não para casa e mostra a ação e o treinamento da melhor polícia de combate urbano do mundo e o seu modo de ação característico de uma guerra que tem começo, meio e fim na corrupção entranhada na política brasileira. O filme traz reflexões sobre o sistema com frases fortes e marcantes que tocam o espectador a todo o tempo

É mais uma obra prima de José Padilha que ousou mostrar o outro lado, depois do também excelente documentário Ônibus 174 em que o cineasta mostra como e porquê tanta gente acaba entrando para a criminalidade no Rio de Janeiro. É uma obra que tem que servir de exemplo aos governantes para mudar a situação dos policiais, dando mais preparo, melhorando as suas condições e principalmente aumentando a sua remuneração.

Com toda a certeza o melhor filme brasileiro do ano. E eu? Abrirei uma exceção (geralmente não vejo um filme mais de uma vez) e irei vê-lo de novo no cinema.

O Segundo dia do Coquetel Molotov

O segundo dia em Recife foi mais tranqüilo. Não tivemos muito o problema de se perder na cidade, apesar de termos rodado muito para chegar na livraria cultura durante a tarde. A expectativa do festival estava muito boa, afinal, a programação estava muito boa.

Chegamos cedo no festival para tentar não perder muito shows. As primeiras bandas tocam na sala Cine UFPE, com a projeção de vídeos e no primeiro dia perdemos as três bandas que tocaram na sala Cine, por conta dos nossos atrasos. Mas, mesmo com o nosso esforço, chegamos na metade da primeira banda, a pernambucana Conceição Tchubas. Eu não vi a banda, fiquei do lado de fora analisando a feirinha para ver se achava algo interessante para levar. Pabllo, um amigo nosso que estava na mesma excursão que a minha viu o show e gostou muito. Eu ouvi uma música da coletânea do festival e gostei.

A segunda banda a tocar na sala Cine, foi uma das minhas surpresas agradáveis daquela noite. A sueca Hello Saferide. Mesmo com o desfalque de alguns componentes da banda, eles conseguiram empolgar o público com as suas melodias muito bem cantadas. Elas fazem um som experimental, algo meio folk (sou ruim pra rotular). E cantam de uma forma completamente apaixonante. Saí leve do show delas e já com o objetivo de conseguir o CD. A terceira banda foi a também sueca Suburbian Kids, infelizmente só consegui ouvir uma música porque, ao voltar para a sala cine, não consegui entrar. Estava lotado e um calor filha da mãe. Mas, segundo os meus amigos, o show foi muito bom.

Finalizados os shows na sala Cine, era a vez do teatro da UFPE abrir as suas portas para o público e as bandas que iriam encerrar o festival. Aliás, é fascinante o teatro. Muito grande, confortavel e bonito. Enfim, quem abriu foi os pernambucanos do Vamoz! O som deles é legal, mas confesso que não gostei muito do show. Ouvi-los gravado me soa melhor. Em seguinte foi o Wado. Uma das bandas da cena independente brasileira que eu mais queria ouvir. Com exceção das duas últimas músicas, não achei lá essas coisas.

Depois de Wado, foi a vez da Cibelle mostrar a sua deliciosa mistura de Marisa Monte com Björk. O início do show foi ruim, havia um problema no som que atrapalhou a execução da primeira música (Green Grass). Com o problema resolvido, a paulistana conquistou o público de Recife com as suas belas melodias do segundo CD e a interpretação que ela dava para cada música. Muito belo o show dela e a execução das músicas foram todas muito boas. O público saiu estarrecido e apaixonado pela paulistana e me parece que a recíproca também existiu.

Cibelle acabou e veio, talvez, a banda mais esperada do festival. A francesa Nouvelle Vague. A essa altura, não cabia mais uma viv'alma dentro do imenso Teatro da UFPE. E as francesas não deixaram a desejar. Surpreenderam tanto na performace de ambos quanto na execução das músicas. Além disso tudo, elas ainda distribuíram whisky para a platéia durante a música Too Drunk to Fuck e conseguiram fazer com que o público inteiro cantasse, sem a banda, durante alguns minutos, a música Love Will Tear Us Apart Again. O clímax do show.

Ao final estávamos todos felizes e prontos para voltar para a casa. O Coquetel valeu muito a pena e com toda a certeza estarei lá no ano que vem.

O Primeiro dia do Coquetel Molotov

Ontem foi o primeiro dia do Festival No Ar Coquetel Molotov.

Depois de uma viagem cansativa de 4 horas e mais algumas horas perdidos em Recife para, primeiro, achar o hotel e depois encontrar a UFPE, dá para dizer com todas as letras que valeu a pena.

Primeiro porque a feirinha do festival está muito boa, bem melhores das que encontro em Natal.

Sobre as bandas, o meu destaque vai para o ótimo show de Volver e de All in Love e para a boa música eletrônica de Prefuse 75 (ou 73).

Hoje tem Cibelle e Nouvelle Vague, além de Vamoz e Wado. A noite promete!

Considerações sobre a absolvição de Renan

Como todo mundo sabe pelo alarde do noticiário, o senador e mais novo inimigo número 1 do Brasil, Renan Calheiros, foi absolvido na votação de hoje no Conselho de Ética do senado brasileiro.

Tudo acabou em pizza, como sempre, mas permito-me aqui a algumas considerações:

O fato é:

O governo queria a absolvição de Renan porque ele é util para o governo no Senado.

A oposição queria a punição de Renan porque visava as eleições para presidente do senado e queria eleger alguém da sua base, para atrasar as votações do governo e dizer que o governo não faz nada.

Ambos estavam pouco se lixando se Renan era culpado ou não das acusações. Até porque, lobby, concessões de rádio e tv e favorecimento a empresas privadas de parentes é coisas comum pelas bandas do Congresso e do Senado.

O mais irônico da coisa toda é que no senado a maioria é da oposição. Mas 40 senadores votaram pela absolvição do acusado e mais 5 se absteram. Podem ter certeza que teve senador do DEM e do PSDB que votaram a favor de Renan e que deve estar na mídia falando do absurdo da absolvição.

A única coisa boa que se tirou desse lamaçal todo foi o fato de se ter mostrado, de novo, para a mídia que ela não tem o poder todo que ela supõe ter. É engraçado ver notícias e 7, 8 a 10 minutos (uma eternidade na televisão) com a mídia literalmente se lamentando por não ter conseguido colocar o seu dedo na política, conforme ela queria.

O mais engraçado em relação ao nosso modelo democrático é o fato de que os próprios senadores julgam a inocência dos seus colegas. O mesmo acontece na câmara dos deputados. Ou seja, para um político e o seu partido, pouco interessa a culpabilidade ou não do réu, o que interessa é se isso será ou não politicamente melhor para determinado grupo. Isso favorece a impunidade

Mas é o nosso Brasil.

Aos Teus Olhos

Os teus olhos
tiram o meu ar
o meu chão
os meus olhos
a minha essência.

Os teus olhos
teu belo
par de olhos
tira a visão
de quem olha

Os teus olhos
hipnotiza quem observa
e conquista
até o mais canalha
dos poetas.

Os teus olhos
são pura poesia.

O Primo Basílio


Primo Basílio é um filme baseado no clássico romance de Eça de Queiroz, dirigido por Daniel Filho (Muito Gelo e Dois Dedos d'agua) e produzido pela Globo Filmes e que está no cartaz na maioria dos cinemas do Brasil. O filme conta a história de Luisa (Débora Falabella) que, após a viagem do marido, envolvido na construção da nova capital do Brasil, reencontra Basílio (Fábio Assunção) um antigo amor de infância que pretende ressucitar esse romance. Nesse meio termo, aparece Juliana (Glória Pires) empregada da casa de Luisa que descobre a traição e começa a extorquir Luisa para não contar nada ao seu marido.

Fui ver ontem o filme. Tem uma trama boa, é envolvente, a história tem elementos bem característico do bom cinema nacional. Dramático, com um toque de humor e sensualidade, o longa consegue prender o telespectador no drama de Luisa de não ter o seu segredo revelado. Mas tem falhas que o deixa simplesmente como um filme razoável, não um grande filme. Para começar com Reynaldo Gianecchini. O galã novelesco deveria ser um cara um pouco mais velho, mas a maquiagem não conseguiu esse efeito e o bigode que ele tinha para tentar disfarçar sua juventude ficou ridículo. Não combinou com o personagem. Na verdade, o personagem que Gianecchini interpretou no filme, nada tem a ver com ele do ponto de vista estético. Ele foi muito mal escolhido para o personagem. Além disso a sua atuação não está entre as melhores. Não convence. O personagem ficou fraco.

O outro ator que não está bem no filme é o Fábio Assunção. Mas não acho que nesse caso foi culpa da mal escolha do ator e nem do ator em si. A culpa foi da direção. Adianto logo que não li o romance. O personagem ficou um latin lover da pior categoria. O espectador do filme logo percebeu que ele era um malandro e que só queria sexo com a mulher. Não houveram dúvidas se ele amava a Luisa ou não e nesse aspecto o personagem fica previsível e fraco. Não ficou legal, a direção deveria ter pensado nesse aspecto. Ademais, achei que Débora Falabella e a Glória Pires estavam muito boas nos seus papéis.

Outra falha do filme é o figurino (ou a cenografia, não sei especificar). O filme era para se passar no final da década de 50, mas por várias vezes acreditei que o filme estava na década de 20. As únicas coisas que faziam perceber o ano em que se passava a história era a televisão na casa da Luisa e os carros. Mas não sei bem especificar o que era que deixava a história do filme mais antiga do que é, mas ela causa essa impressão, o que é muito ruim para o telespectador. Outro ponto baixo do filme é a trilha-sonora. Parece trilha de novela mexicana. Com exceção da música no final do filme, todas as outras são péssimas.

O ponto forte do filme está na fotografia, sobretudo nas "cenas picantes". São muito bem feitas e dá uma força legal para o filme. Ah, e outra coisa, a arte desse pôster do filme é tosca.

A minha nota é 5 :)

Festival No Ar Coquetel Molotov


Segundo o wikipedia "O coquetel molotov (em Portugal cocktail molotov) é uma arma incendiária derivada do petróleo bruto. É uma arma química geralmente utilizada em protestos e guerrilhas urbanas."

Mas não se assuste, não é nada disso. Não é um festival de armas incendiárias e nem uma reunião de guerrilhas. O festival que intitula esse post é um evento cultural que acontece anualmente em Recife sendo muito conhecido por trazer atrações internacionais do cenário independente europeu e bandas brasileiras independentes muito boas. Além disso o Coquetel Molotov leva também exposições de filmes, debates sobre contra-cultura e música independente e exposições culturais muito legais.

A quarta edição do festival acontecerá este ano trazendo, como de costume, diversas atrações internacionais de vários países, com destaque para Nouvelle Vague. Banda francesa que faz versões em bossa nova de bandas como Depeche Mode, Billy Idol e outros clássicos do rock. E a cantora Cibelle, a mais nova musa brasileira no exterior. Cantora de voz bela e suave e recheadas de elogios da imprensa especializada tanto a brasileira como a estrangeira. Além de várias outras bandas estrangeiras e brasileiras das quais eu não conheço.

O rosk estará no festival, pela primeira vez, para ver como é que é e pretende compartilhar aqui, neste modesto blog, todas as suas impressões do festival. Desde as bandas legais (ou ruins) que irá ouvir, até as impressões sobre a mostra de curtas que acontecerá e os debates. Fiquem atentos.

Segue abaixo a programação completa do festival.

TERÇA A QUINTA | 11 a 14 de setembro
18h30 | Mostra Play The Movie | Cinema da Fundação

TERÇA | 11 de setembro
22h | Noite Bazuka Discos | UK Pub
Shows: The Dead Superstars e Sweet Fanny Adams | DJs: André Balaio e Love is All

SEXTA | 14 de setembro
14h | DEBATES
16h | MOSTRA DE CURTAS | SALA CINE UFPE
17h | SHOWCASES | SALA CINE UFPE
Backstages (PE); Fóssil (CE) e Elma (SP)
21h | SHOWS | TEATRO DA UFPE
Volver (PE); Supercordas (RJ); Love Is All (Suécia) e Prefuse 73 (EUA)

SÁBADO | 15 de setembro
14h | DEBATES
16h | MOSTRA DE CURTAS | SALA CINE UFPE
17h | SHOWCASES | SALA CINE UFPE
Conceição Tchubas (PE); Hello Saferide (Suécia) e Suburban Kids With Biblical Names (Suécia)
21h | SHOWS | TEATRO DA UFPE
Vamoz! (PE); Wado (AL); Cibelle (SP) e Nouvelle Vague (França)

Site: www.coquetelmolotov.com.br

A Praia

Andava no calçadão de Ponta Negra, todo assim, desarrumado. Bermudas largas, camiseta e havainas. Ele andava olhando os carros e observando as pessoas que caminhavam, esportivas, pelo calçadão, mesmo sendo por volta das 19 horas. As pessoas usavam roupas esportivas e caminhavam com aquele jeito esportivo, inalando todo o dióxido de carbono dos carros que passavam por ali, àquela hora, num trânsito que era na verdade um emaranhado de carros buzinando e soltando toneladas de dióxido de carbono que as pessoas esportivas que caminhavam ali estavam inalando.

Ele queria simplesmente dar uma passadinha na praia, a pé, olhar a lua, sentir a areia e ver todo aquele movimento da praia de Ponta Negra a noite, com aquelas luzes amarelas e as pessoas saindo do mar e conversando nos banquinhos. Ele todo largado andava rindo por dentro, ria de si mesmo e das pessoas que caminhavam inalando dióxido de carbono e ria também dos carros embaralhados e buzinando. Ele achava graça daquilo tudo. E ria dele mesmo, ali, todo largado, indo para a praia aproveitar um pouco daquela boa sensação que as praias sempre despertam.

Ele gostava daquela sensação da praia a noite. Das luzes amarelas cintilantes, das pessoas que saiam e conversavam entre elas mesmas, das mulheres, algumas, muito bonitas, que passavam por ali naquele horário e de sentir os pés descalços na areia e na água do mar. Gostava também de olhar aquele céu estrelado deitado na areia e de pensar sentindo o vento tão forte e tão saboroso daquele local. Ele adorava isso e queria aproveitar essa sensação, já que fazia tempo que não ia a praia.

Parou próximo da descida da praia e imaginou o quanto um vinho tinto barato e uma boa companhia seriam perfeitos para aquele momento. Foi num mercadinho próximo, do outro lado da rua, e comprou o seu vinho tinto barato. O primeiro problema estava resolvido, só faltava o segundo e, mais grave, a companhia.

Vasculhou a lista telefônica do celular e nada. Ninguém que valeria a pena chamar para aquela noite. Pensou então que a sua necessidade crônica de companhias era o que estragava a sua vida e decidiu, então, descer para praia e acabar sozinho com aquele vinho e aproveitar sozinho aquele boa sensação da praia.

Escolheu um gramado que ficava a poucos metros da praia e próximo da areia. Era conhecido como Paraíso, por causa dos coqueiros e do extenso gramado que havia ali. Gramado que abarcara bebedeiras de muita gente que freqüentava o local, inclusive as dele. Era uma terça-feira e por isso o Paraíso estava vazio. Escolheu um local que dava para ver bem o mar e as estrelas e abriu o seu vinho. Tomou o seu vinho arrependendo-se de não ter levado um caderninho para anotar os versos que saltaram da sua boca. Levantou, sentou-se, ainda com o vinho pela metade, na areia e ficou lá a sentir o mar e o vento e pensar na vida e nos seus amores.

Levantou-se, cambaleante, molhou os pés no mar e foi seguindo para a sua casa quando teve a visão. Não tinha certeza se aquilo ali era realidade ou era algo criado pela sua mente embriagada. Foi difícil de acreditar. Era linda. Andava sozinha com seus cabelos negros a tocarem a sua nuca, com aquele andar, com aquele olhar que lhe tirava o fôlego. Ela era um pouco mais baixa que ele e tinha um corpo bonito, na medida, nem muito magro, nem muito gordo. Ela tinha olhos pretos, uma pele moreno-claro e um formato de rosto equilibrado e muito belo, lábios carnudos avermelhados. E andava também com uma garrafa de vinho tinto barato cheio, de baixo do braço. Achou que o destino estava aprontando com ele, não é possível tamanha coincidência. Por um momento achou que ela olhou para ele, como se o convidasse para tomar daquele vinho e sentir daqueles lábios. Resolveu ceder. Bêbado perguntou se andava acompanhada.

Sóbria, ela respondeu.

- Meu namorado logo logo vai chegar seu tarado!
Consegui criar revoltas com um post abaixo, ao falar que não gosto de pessoas que olham um blog e não comentam. Eu faço o mesmo, caros senhores, sou um crápula. Aquele post foi simplesmente para ver se havia alguém que lia as besteiras que escrevo por aqui, até porque, 90% das minhas visitas que tenho, pelo sitemeter, são em buscas de fotos que eu hospedei aqui e de posts antigos, como os do heroes. Algumaszinhas são pelo meu perfil do orkut.

Foi só uma crise de tpm masculina (vou até colocar em vermelho isso no post) que aconteceu em virtude muito pela derrota do meu querido verdão.

Obrigado pessoas que leram, comentaram, e meteram o pau em mim, me fizeram um blogueiro feliz.

A Época e o Futebol

A revista Época dessa semana traz uma matéria sobre a Copa do Mundo de 2014 e outra sobre o futebol brasileiro.

Na primeira deixa implícito que quem terá que financiar a Copa, em termos de melhoria na infraestrutura das cidades e na construção de novos estádios será o contribuinte, o cidadão comum que paga impostos. Não discordo disso. Ela argumenta, ainda, que uma Copa do Mundo gera mais despesas pro Estado do que receitas. É uma tese plausível, até porque isso ocorreu na Alemanha. E finalizou a matéria num tom pessimista.

Compreendo a revista, mas ela esqueceu de citar que para o Brasil sediar a copa, o país terá que, obrigatoriamente, melhorar a sua infraestrutura de transporte e de habitação. Deixá-las, ao menos, perto do níveis europeus. O Brasil sofre de um sério e crônico problema em infraestrutura tanto de habitação quanto de transporte, a copa com toda certeza irá ajudar nisso. O medo é a corrupção, o desvio de verbas e o super-faturamento, como ocorreu no Pan. Mas de resto, vejo com muito bons olhos tanto a realização da Copa quanto das Olímpiadas por aqui.

A segunda matéria (?) é hilária. Assinada por André Fontenelle, a Globo (editora da revista) mostra todo o seu "rabo-preso" quanto a CBF.

A matéria, que mais parece um artigo de opinião do jornalista citado, fala do excesso de erros de arbitragem do país e indica como melhor solução para isso, não a profissionalização dos árbitros, mas a adoção de um sistema de vídeo que dê replay nos lances polêmicos durante os jogos.

O problema é que o jornalista desconsidera totalmente as consequências que isso poderá ter.

Imagine um Flamengo x Vasco no Maracanã, final de cariocão, e lá pelos 20 minutos do primeiro tempo o árbitro marca um penalti inexistente para o Vasco. E aí, todos param, assistem ao telão e vêem que o penalti, de fato, não existiu e o penal acaba não sendo marcado. Gostaria de saber qual será a moral que o árbitro terá para dar prosseguimento na partida depois do ocorrido. Vamos supor ainda que aconteça um outro lance polêmico aos 40 ainda da primeira etapa em que o bandeirinha, num lance dificílimo, marca um impedimento que não existiu do Flamengo. Os flamenguistas certamente irão pensar que a arbitragem está contra o seu time e começarão a chiar em qualquer jogada contra o seu time, o juiz vai perder o jogo e tudo pode terminar em violência.

Na Inglaterra não é adotado esse sistema de vídeo. Mas lá ser árbitro é uma profissão remunerada mensalmente, não um bico com uma ajudinha de custo, como no Brasil. Há profissionalismo na Inglaterra. E lá é muito raro acontecer erros de arbitragens escandalosos como ocorrem por aqui, muito raro mesmo. A qualidade da arbitragem inglesa é infinitamente superior a brasileira. Não seria a profissionalização da arbitragem o melhor caminho?

Essa é opinião é quase unânime entre os especialistas de futebol. Menos os da Globo.

Por que?

A Globo detém os direitos exclusivos dos jogos da seleção brasileira e dos clubes brasileiros. Nenhuma outra emissora, a não ser que compre da Globo como no caso da Band, pode transmitir esses jogos. Isso no mundo todinho, se você estiver no Japão e não tiver a assinatura da Globo internacional, não pode assistir os jogos dos times brasileiros. E essa regalia é única. Não existe, no mundo, nenhuma emissora com esse poder.

E em troca dessa regalia, a Globo se compromete a não bater na CBF e nem em Ricardo Teixeira, um dos dez maiores pilantras brasileiros vivos e o principal responsável pela decadência do futebol.

Isso que é uma vergonha.
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