Mania de crescimento econômico

Agora é quase mania nacional. Ligar a televisão e ver quantos por cento o Brasil cresceu economicamente para comparar com outros paises. É quase que fosse uma competição internacional, talvez até um tipo de Copa do Mundo da economia. Vários países, um crescimento do PIB e a comparação entre eles, os que têm maiores crescimentos são agraciados pelo desenvolvimento sócio-econômico, os perdedores dessa copa são sedados ao atraso e ao subdesenvolvimento.

Bem, interessante essa questão. Existe um ponto que a maioria dos maníacos por crescimento econômico desconsidera. A desigualdade social. Para estes, a desigualdade social pode ficar de lado, o negócio é crescer como a China ou a Índia com taxas de cerca de 10% ao ano. Ou então pelo menos alcançar o Chile, que conseguiu a marca de cerca de 7% ano passado. Estes maníacos choram, porque o país dos canarinhos amarga a penúltima posição na Copa do Mundo do PIB, ganhando apenas do Haiti.

Peço, a tais pessoas, para tomarem a pílula da lembrança e remeter às suas memórias à década de 70. É aquela década mesma, do chamado Milagre Econômico Brasileiro, do Brasil de primeiro mundo que atingia taxas de crescimentos entre 10 e 12%. Com o nosso querido ministro Delfim Neto proclamando, "vamos fazer o bolo crescer para depois dividi-lo".

Gostaria que os nossos queridos amigos-maníacos me respondessem onde está o meu pedaço do bolo. Preconizando as suas respostas, direi, na mão dos grandes empresários brasileiros. Os nossos torcedores pró-pib se esquecem que, coincidentemente, aquela foi a época em que o abismo que separa os ricos dos pobres aumentou monstruosamente. O crescimento produzido pelo Brasil ficou na mão apenas da elite brasileira, não foi dividido.

Se o PIB fosse tudo, como defendem os maníacos, hoje o Brasil não teria esses nosso excelentes indicadores sociais. Na verdade, se continuarmos do jeito que está, um crescimento acelerado do PIB será muito mais benéfico aos empresários do que aos trabalhadores. Faz-se necessário, antes de tudo, medidas para suprir esse abismo social que existe no nosso país, além de outras medidas sociais que procure dar uma condição mínima aos pobres e miseráveis do país. Além de outras inúmeras reformas, que vão desde as reformas político-eleitorais, até reformas da previdência, tributárias e legislativas.

Seria melhor, ao invés de votar em um candidato que defende esse crescimento como soluções para os nossos problemas, procurar candidatos que tenham propostas que ofereça às classes mais baixas empregos e oportunidades para uma ascensão social. Sem isso, o crescimento econômico brasileiro será apenas para os endinherados desse país, enquanto nós ficaremos esperando eternamente a nossa parte do bolo.

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