Lugares legais para se visitar em Natal

A província de Natal é uma cidade com um imenso apelo turístico. Estima-se que recebe anualmente mais de um milhão de turistas. Muito deles, estrangeiros. O povo natalense é muito receptivo. Receptivo até demais, eu diria. A quantidade de turistas estrangeiros está ficando tão grande que, em alguns lugares, você olha para os lados e pensa não estar mais no Brasil. Se não fosse pelo calor constante, a brisa ocêanica e a gritante carência de infra-estrutura e falta de obras básicas, problemas típicos do chamado terceiro mundo, acreditaria estar em alguma cidadezinha européia.

Estava pensando com o tico e teco estes dias. Os principais pontos turísticos estão recheados das nossas maravilhosas belezas naturais, mas completamente sem nenhuma rota dedicada a cultura e a história da cidade. Nisso, pensei em enumerar locais de relevância histórica /cultural da cidade, esquecidas pelas rotas turísticas tradicionais.

O primeiro lugar que eu recomendaria é o Forte dos Reis Magos. Por motivos óbvios. A relevância histórica do local é absurda. O forte era usado pelos portugueses para evitar ataques dos corsários franceses que desembocavam na nossa terra em busca do pau brasil. E, em 1638, quando Natal deixou de ser natal para ser Nova Amsterdã (apenas dois locais do mundo tiveram esse nome, Natal e Nova York) o forte dos Reis Magos foi de domínio holandês e o seu nome fora mudado para Castelo Ceulen durante cerca de 20 anos, até a retomada portuguesas por essas terras.

O segundo local que não poderia faltar a um forasteiro que visita a cidade é a Ribeira/Cidade Alta. Centros históricos da cidade. Nestes locais estão localizado a maioria dos prédios antigos, construções dos séculos anteriores, muitas deterioradas pela falta de cuidado do poder público. A Ribeira e a Cidade Alta foram por muito tempo os principal locais da cidade. Neles temos o Teatro Alberto Maranhão, a rua dos sebos, a Praça José de Albuquerque (onde começou a cidade) e o Beco da Lama.

O beco da lama foi e ainda é o recanto da boemia dos intelectuais que nasceram, vivera, vieram, ou visitaram a cidade (não me recordo agora de nomes para citar). O beco consiste numa rua estreita cheia de bares com programação cultural diversa em algumas ocasiões do ano. Infelizmente é um local esquecido pelo poder público e que sobrevive por conta dos moradores e de uma associação chamada SAMBA (sociedade dos amigos do beco da lama). Muito, mas muito melhor que a badalada rua do salsa. E o preço, bem mais em conta.

E dentro do beco da lama, recomendo o bar da meladinha e o bar do chorinho. O primeiro leva esse nome por causa da sua bebida, especiaria da casa, a meladinha. Cana, mel e limão. Essa simples mistura, servida pelas meladetes, e tomadas de um gole só, resultam num efeito alcoolico quase transcendental. E não se engane, você pode ver diversas pessoas tentando realizar tal mistura, mas a original esta lá, no beco da lama. O segundo é um boteco, localizado a alguns metros do bar da meladinha. É um lugar simpático, com apresentações regulares de um grupo de chorinho dos moradores da região. Eles tocam numa mesa de bar, de frente a uma parede que tem um desenho muito legal do próprio grupo tocando. O clima do bar é excepcional com os clássicos da música brasileira bem tocados pelo grupo. Misturados com cerveja então, a alegria tá feita. É um excelente lugar para se visitar na noite.

Um outro ponto mais do que interessante é a Casa da Ribeira. O local é um Centro Cultural construído por iniciativa do grupo de teatro Clows de Sheakspere. Aconchegante, é um teatro com um café na parte de cima e um espaço para mostra artísticas, a Casa da Ribeira sempre tem uma programação interessante e de qualidade nos finais de semana. Um outro ponto interessante é que a Casa Cultural funciona num prédio do século 19 que, se não fosse a iniciativa do grupo, estaria em ruínas, assim como a maioria das construções antigas da Ribeira.

Outro lugar bom para se conhecer, caso o forasteiro goste de rock, é a Rua Chile, também na Ribeira. Na rua chile está localizada quase todos os bares dedicados a música rock da cidade. Nela temos o Dosol Rock Bar, o galpão 29 e agora o Armazem Hall que dá indícios de seguir o mesmo rumo das outras duas. Quando há um show "grande", geralmente fecha-se a Rua Chile para o evento.

Ainda na Ribeira, para quem gosta de cinema e música de qualidade, existe o Nalva Melo Café Salão. Local novo, recém inaugurado, bem próximo a Rua Chile e a Casa da Ribeira, na Tavares Lira, rua paralela a Rua Chile e a Frei Miguelinho(Casa da Ribeira). O lugar é um salão de beleza de dia e um café bastante aconchegante a noite. Por lá rolam apresentações culturais de bons artistas potiguares e nas sextas-feiras uma sessão ordinária do Cineclube Natal. Vale muito a pena conhecer.

Saindo da Ribeira, um lugar interessantíssimo é a Limbo Livros Selecionados. A Limbo localiza-se em Tirol, na Av. Afonso Pena, 666. A livraria é um espaço bem pequeno e que, segundo os seus donos, por causa do tamanho só entra lá o que for bom. É uma livraria que se orgulha de não vender livros de auto ajuda e best sellers sem qualidade. É o principal ponto de efervescência literária da cidade.

Um outro local legal é a Velvet Café e Disco que, recentemente, escrevi por aqui. Por isso, vou deixar o link da postagem.

Bem, esses são os principais locais que eu recomendaria a um amigo a conhecer, durante a sua estadia em Natal. É um trajeto pelo que tem de melhor na cidade, mas que infelizmente é esquecido.

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