Mainardi é um Filho da Puta

Lendo a matéria que saiu no comunique-se ontem à noite cheguei a uma conclusão genial. Diogo Mainardi, colunista da revista Veja, é um filha-da-puta dos melhores. Antes de qualquer coisa queria dizer que a expressão filha da puta é dotada de dois sentidos diferentes. Uma é o sentido pejorativo embutido na própria palavra e que é usado com pessoas das quais não temos muito afeto, devido às suas idéias e atitudes diferentes das nossas ou qualquer tipo de sei-las-oquês que nos incomode. O outro é um sentido de elevação, arrisco a dizer que seja, até mesmo, um elogio. Uma expressão que muita gente usa quando um ser foi capaz de fazer algo genial, algo bem difícil de fazer, quase impossível e que todos queriam estar no seu lugar. Eu diria que é uma expressão ligada a inveja ao feito da outra pessoa ou a qualquer outra boa habilidade que tal ser tem ou desenvolveu.

Mainardi, para mim, está encaixado nos dois sentidos da palavra. Não preciso enumerar os motivos que o fazem ser um filha da puta no sentido pejorativo. Ele escreve textos racistas, deserespeitosos, pratica o denuncismo, apesar da habilidade investigativa; e escreve para, na minha opinião, a pior revista do país. Porém, refletindo um pouco e relendo alguns textos dele cheguei a conclusão que ele também consegue ser um filha da puta no bom sentido. E eu o invejo nesse sentido.

Ele simplesmente é genial na argumentação. Não há como pensar o contrário. Mainardi sabe usar as palavras para defender as idéias dele, por mais absurdas que essas idéias chegam a ser. Apesar de não medi-las com a sapiência necessária a um redator excepcional, ele sabe cadenciar as palavras para parecer que a verdade está com ele. Um leitor médio sem o devido senso crítico é capaz de aceitar que "comer bosta é bom" por causa da sua habilidade retórica. Algo raro de encontrar.

Outro ponto positivo de Diogo é a sua audácia. O colunista desafiou simplesmente três das maiores figuras do jornalismo brasileiro. Três ídolos meus. Franklin Martins, Paulo Henrique Amorim e Mino Carta. Na razão ele perdia, mas na argumentação era perfeito. As suas palavras fortes, incisivas, claras e até mesmo irônicas deixaram meus ídolos com alguns cabelos brancos de preocupação e, até ouso a dizer, medo. Um desafio desses não é para qualquer um, ainda mais quando não se tem a razão, mas ele topou, levou alguns processos, e conseguiu ser polêmico ganhando a visibilidade que queria.

Diogo lembra Chatô nesse ponto. Ambos foram polêmicos para construir as suas imagens. Quem seria Diogo hoje se ele não escrevesse as besteiras que escrevesse? Ele não teria nem a metade dos fãns (e dos odiadores) que tem hoje. É óbvio que a ética nesse quesito passa longe. Por isso que afirmo também que Mainardi é maquiavélico. Inteligentemente maquiavélico. Ele usa das palavras para conseguir fama e dinheiro e está conseguindo com isso, porque querendo ou não, praticamente todo o brasileiro que tem um nível médio de conhecimento e leitura sabe quem é a figura, e ou o odeia, ou o ama. Essa postura polêmica lhe da ibope, e audiência é dinheiro para a mídia, consequentemente, para ele também. O triste dessa história toda é que isso não vai mudar em nada o nosso país, a nossa condição social e a nossa história, só irá promover uma figura maquiavélica, mas de talento inegável, e levantar meia-dúzia de polêmicas e outra dúzia de processos na nossa lenta justiça brasileira. Agora jornalismo social, corajoso e ousado que é bom, nada.

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