Camarones Orquestra Guitarrística


Pouca coisa no rock é unanimidade. Aliás, pouca é exagero, quase nada. O grande quê do rock é a variedade de vertentes, de estilos, onde um odeia o outro e impõe rótulos para os seus colegas. Essa particularidade do estilo faz que todo mundo queira ter personalidade, ou ter atitude e ser único e diferente e blá, blá, blá. O grande problema é que ninguém consegue de fato atingir esse Santo Graal de todo rockeiro e acaba sendo mais um, fazendo parte de mais uma tribo ou um grupo de pessoas que ouve a mesma coisa e malha de quem ouve algo diferente.

Mas em meio a essa complexa relação de diferentes, algo une tanto o emo mais sentimental quanto o metaleiro mais from hell. A guitarra elétrica. Se elvis é o rei do rock, a guitarra certamente é a rainha. Ou até mesmo a alma. Não existe rock sem guitarra. Nunca existiu. Pode ser a vertente que for, ela tem que estar presente, nos solos, na base do ritmo. O som agudo, muitas vezes distorcido, é a marca de um ritmo que mudou paradigmas sociais e inspirou gerações de jovens.

Investir nessa unanimidade com um som criativo e puramente instrumental é a grande cartada da Camarones Orquestra Guitarrística. A fórmula é simples: três guitarras, um baixo, uma bateria e adaptações criativas de hits como a música tema de Pulp Fiction, o tema dos flintstones, Top Gear, além de belas releituras. Destaque para a versão de "Get Up, Stand Up" de Bob Marley, se eu não soubesse que era um reggae, acreditaria piamente que a música era um rock dos bons.

A banda ganha pontos também por ser, de fato, a primeira a tocar esse ritmo em Natal. Poucas bandas de rock se dedicam ao instrumental. A única que chegou perto disso foi João e os Bons Jovens, mas a carência de shows, a falta de EPs e acho que até a falta de vontade dos músicos a fizeram ser apenas um mito. Uma banda que todo mundo gosta, mas que raramente toca. Os Bonnies no seu CD investiu em uma música instrumental e no ano passado lançou o single "PRAM!", junto com o videoclipe vencedor do Curta Natal. Fora isso, mas nada.

Em meio e esse diferencial, o grupo consegue fazer um show animado. É difícil ver de metaleiros a ‘eletro rockers’, curtir a mesma coisa. No show que fui, pude ver isso, neguinho dançava alucinado. Se o pessoal do Camarones realmente levar a cabo essa idéia e continuar compondo e readaptando clássicos da forma criativa que estão fazendo, boto fé que com alguns ajustes quanto a presença palco (chegou a hora de ter idéias para fazer algo diferente no palco), finalmente poderemos ter uma banda potiguar de rock bem projetada nacionalmente. Só espero que não caiam na maldição das bandas de Natal de nunca levarem realmente a sério a sua música.


Quer ouvir?

Clique aqui para baixar o EP Corre, Cabron, Corre.

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