Era uma Vez Breno Silveira


Quando o longa "2 Filhos de Francisco" de Breno Silveira foi o filme brasileiro escolhido para representar a nação canarinha no Oscar 2006, deu para sentir forte cheiro de peixe no ar. Peixada. Sob a batuta da Globo e a fama de uma das duplas sertanejas mais populares do Brasil, o mais-ou-menos longa entrou na lista de filmes brasileiros rejeitados pela academia Hollywoodiana com o seu devido merecimento. Dois anos depois e sem peixe assado, Breno tenta a sorte com outro mais-ou-menos: "Era uma Vez...".

A história é de Dé, morador do morro do Cantagalo no Rio de Janeiro que trabalha num quiosque de vendas de cachorro quente em Ipanema. O jovem apaixona-se por Nina, menina nascida em berço de ouro que mora num apartamento de luxo. Os dois namoram, tem todo aquele romance e problemas por serem de origens diferentes. Ai já viu: família não quer. Problemas. Problemas. Tráfico de drogas no meio disso tudo e toda essa novelinha até um desfecho tragicômico.

Para um filme em que o diretor brasiliense resumiu de "Cidade de Deus intimista" ficou mais parecido com um tentativa frustrada de ser um Sheakspere contemporâneo. As técnicas de edição podiam ser melhores exploradas e o roteiro, repensado. É uma pena que muitos filmes brasileiros insistem na fórmula narrativa e de produção das novelas para dar certo. Cinema é outra linguagem. No final das contas, "Era uma Vez..." termina sendo um conto de fadas mal contado.

Apesar disso tem uma boa fotografia, um elenco estável e uma trilha sonora que desce, (a não ser pelo Claudinho e Bochecha na cena em que o mocinho beija a sua amada). Vem também recheado do estilo documentarista de fazer ficção que é a vanguarda atual do cinema brasileiro e muito bem explorado por diretores como Fernando Meirelles e Walter Salles. E que em outubro terá outro estreante: Bruno Barreto. Pronto, só isso. O resto são alguns detalhes copiados de filmes como "Tropa de Elite" (o caso da maconha) e "Cidade de Deus" (o baile funk e o morro) e os outros "filmes de favela" insistentemente lançados todos os anos no mercado cinematográfico brasileiro.

No meio disso tudo o destaque positivo é a referência que o filme faz ao livro-reportagem "Cidade Partida" de Zuenir Ventura e também o ator Thiago Martins, que interpreta o protagonista. Fora isso e, agora, sem peixada o novo longa do ex-diretor de fotografia deverá ter um destino não tão glorioso como "2 Filhos de Francisco". Uma pena, mas merecido.

Só espero que o badalado "Linha de Passe" de Walter Salles, que estréia este mês no Brasil (não sei em Natal), não decepcione.

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