PAC, mídia e Hugo Chávez...

A principal pauta dos jornais de hoje foi o anúncio do Programa de Aceleração do Crescimento feito pelo presidente Lula que prevê investimentos na ordem de 500 bilhões de reais em setores como a infra-estrtura, a habitação e a energia. O programa lança uma meta para o governo de crescimento de 4,5% a 5% do PIB por ano, para isso a PAC prevê corte de juros, reforma tributária e da previdência nos próximos meses. Além disso tudo, esse programa de medidas mudará a forma pela qual é feita o aumento do salário mínimo. A partir de agora, os reajustes serão feitos com base na inflação mais o crescimento do PIB. Se tomarmos com base o ano passado, cuja inflação foi de 13% e o crescimento de 3,5%, o salário mínimo teria um acréscimo de 16,5%. Fazendo as contas, seria um aumento de (me corrijam os matemáticos) R$45,50.

O governo anunciou que cortaria apenas alguns gastos de ordem administrativa do executivo.

Isso provocou a ira de alguns economistas e da mídia. Para estes, o corte de gastos e a diminuição do Estado são essenciais para que se tenha recursos para investimentos dessa ordem.

Para o governo, a diminuição da meta do superávit primário é o suficiente para garantir o dinheiro para os investimentos estatais, e a renúncia fiscal do governo atrairia investimentos privados para o projeto. Para quem não sabe, o superávit primário é, pelo que eu entendi, o dinheiro que o governo economiza, ou seja, não investe, para o pagamento do juros da sua dívida externa.

Essa medida, é claro, não foi bem vista pelos bancos internacionais e pelo setor conservador do Brasil que defendiam o "corte de gasto público" (eufemismo para privatização) para tais investimentos.

A PAC também tem uma medida estratégica, a isenção de impostos para a venda de computadores de até 4 mil reais e para indústrias de TV digital. A inclusão digital é a aposta de Lula para minar os ataques da mídia, descentralizando o monopólio de informação e a opinião das grandes mídias brasileiras, dando acesso à população a outras opiniões, informações e notícias. Democratizando a mídia, a informação, a opinião e a notícia. Chávez também anda fazendo isso na Venezuela.

A mídia, em especial a TV Globo, tentou criticar o projeto hoje, usando opiniões de economistas neoliberais, declarações dos governadores tucanos e um toque de pessimismo.

A PAC não é perfeita e pode falhar, mas é um avanço louvável a atitude do governo em estabelecer metas e cifras de investimentos para áreas como a infra-estrutura e inclusão digital. Gostaria de ver FHC falar sobre isso.

Puxando para Chávez, uma outra notícia que me chamou a atenção foi o anúncio do presidente venezuelando da estatização da empresa de telecomunicações Cantv na Venezuela. Nossa mídia, é claro, meteu o pau em Chávez.

Se
relacionarmos essa notícia com a recente criação da Telesur, nota-se que Chávez está tentando criar uma grande corporação de mídia, envolvendo internet, telefonia fixa, celular e televisão. Ao considerar que um dos grandes ídolos do presidente venezuelano é Simon Bolívar, temos que futuramente Chávez usará essa grande corporação de mídia para tentar reunir culturalmente os países latino-americanos, o primeiro passo para uma maior integração entre essas nações.

Essa medida, é claro, foi mal vista pelo Tio Sam e provavelmente nos trará algumas indisposições políticas com os nossos primos ricos. Mas foi corajosa, inteligente e que, se der certo, calará a boca de muitos anti-chavistas.

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