O Radiohead da MP3


Para quem não sabe, o In Rainbows, o último CD do Radiohead, foi disponibilizado na Internet. Você pode baixá-lo diretamente no site oficial sem pagar nada, ou pagar a quantia que quiser pelo disco. Álbum, aliás, muito bom. Essa atitude da banda inglesa fez reacender o velho debate das gravadoras x mp3 e pode representar um marco na mudança das relações entre consumidor musical e vendedor/produtor.

Sinceramente, para mim, os ingleses estão de parabéns. Não adianta ficar insistindo na mesma tecla que a MP3 é ilegal, nem ficar proibindo o acesso a ela, isso não vai adiantar de nada como não adiantou nos últimos 8 anos. A MP3 é a grande revolução cultural do século XXI. E ganha quem souber melhor utilizá-la. O formato mudou até mesmo o conceito de fama, de celebridade no rock, exigiu dos artistas performances ao vivo para serem valorizados. Acabou com a "febre dos singles", quando uma banda estourava porque conseguia fazer uma única boa música. Cansei de ouvir bandas de uma música só e de CD ruim. Acabou (ou pelo menos quase) com o jabá das rádios. Acabou com artistas fabricados em laboratório (aqueles que conseguiam lançar um CD não por talento, mas por corrigir distorções na voz ou nos instrumentos em estúdio). Hoje uma banda é boa porque conseguiu fazer um álbum realmente bom, porque faz performaces boas e nos shows vende os seus CDs, as suas camisas, bottons e etc.

E o mais importante, a MP3 fez renascer os festivais de música. Tem em todo o país e de todas as vertentes do rock. Os festivais são excelentes para bandas novas, para a projeção delas no país e para o público que pode ver o que é produzido em escala nacional, ao vivo, porque o produtor do festival ouviu o álbum de uma banda lá dos cafundó do breja e gostou. Não havia grandes festivais no auge das gravadoras, ali na década de 80 e 90. Não havia inovação musical. E a relação artista-fã era algo separado por rios de distância. Hoje você pode tomar uma cerveja com o pessoal de uma das suas bandas preferidas, discutir música com ele e até virar seu amigo.

A MP3 democratizou o rock. A música, em si, ainda não. A MPB agora está seguindo nessa onda, com artistas novos, criativos e que fazem sucesso graças a grande rede. A Mp3 é a nossa grande revolução cultural. Tá certo que foi responsável pela demissão de muita gente, mas isso aconteceu porque os empresários da música ainda não aprenderam a pensar em como se readaptar nesse novo universo. Pensam apenas nos lucros bilhonários que não têm mais. Para o músico, o bom músico, foi melhor porque valorizou a qualidade e o talento dele, não a difusão massificada de "pseudo músicos". E o faturamento das bandas, tá certo, diminiu, mas ainda é bom para quem faz música por prazer e dá sim para sobreviver nesses tempos de capitalismo selvagem.

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