As Pelejas e o Cinema em Natal

Fui "atarefado", ou melhor, indicado por naldinho para falar acerca das expectativas da estréia do filme O Homem que Desafiou o Diabo, baseado no livro do potiguar Nei Leandro de Castro, dirigido pelo também potiguar Moacyr Góes e gravado em terras potiguares. E também da relação entre o cinema no RN e o cinema no cenário nacional.

A pré estréia do longa global, que conta no seu elenco com Marcos Palmeira, ocorreu na semana passada no cinemark em sessão fechada para imprensa, pessoal que participou da produção do filme e sortudos que conseguiram o ingresso. Tenho amigos que viram o filme e o classificaram como mediano.

A expectativa de quem gosta de cinema ou de quem leu o livro do Nei Leandro (por sinal, muito bom o livro) é de ansiedade. Nessa sexta será a estréia e com toda a certeza as salas de cinema aqui estarão recheadas desse público. Mas do ponto de vista do público em geral, não vejo muita expectativa. Houve mais na estréia do longa do Padre Marcelo que foi gravado por aqui também, o Maria, Mãe do Filho de Deus. Quanto a mim, perdi um pouco dessa expectativa pelo que alguns amigos me falaram sobre o filme. Mas, com toda a certeza estarei na estréia (se for possível) vendo o resultado do trabalho.

O que é indubitável é que o longa foi gravado e estreiará num momento de efervescência do cinema potiguar. E, talvez, depois da década de 60, num dos melhores momentos. Natal sempre foi uma cidade "cinematográfica" principalmente na época da ocupação americana nas nossas terras. Vários cinemas espalhados pela cidade e um cineclube muito atuante e forte, que foi o Cineclube Tirol. A década de 80 e até início dos anos 2000 foram a idade das trevas do cinema potiguar. Não havia produção cinematográfica e a exibição de filmes, com a falência dos cinemas da ribeira no final da década de 80, se reservavam a apenas 2 salas que passavam o circuito comercial e mais 2 que eram reservadas para o "circuito pornô".

A criação do curso de Rádio e TV e o ressurgimento do cineclube, sem falar no aumento do número de shoppings, contribuiu para melhorar esse quadro. E hoje temos uma produção de curta-metragens, sobretudo universitários, muito bom, oficinas de cinema se espalham pela cidade, uma exibição ainda fechada no circuito comercial, mas que tem ao menos mais opções do que antigamente e um cineclube atuante exibindo sempre bons filmes. Sem falar nos festivais de curta e longa metragem que antes não existiam e hoje temos três destes regulares. E, fora isso, alguns longas sendo produzidos por aqui, por pessoas daqui. É claro que o cinema potiguar ainda está muito atrás da maioria dos grandes centros urbanos do Brasil. No entanto, existe boas perspectivas por aqui.

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