A Época e o Futebol

A revista Época dessa semana traz uma matéria sobre a Copa do Mundo de 2014 e outra sobre o futebol brasileiro.

Na primeira deixa implícito que quem terá que financiar a Copa, em termos de melhoria na infraestrutura das cidades e na construção de novos estádios será o contribuinte, o cidadão comum que paga impostos. Não discordo disso. Ela argumenta, ainda, que uma Copa do Mundo gera mais despesas pro Estado do que receitas. É uma tese plausível, até porque isso ocorreu na Alemanha. E finalizou a matéria num tom pessimista.

Compreendo a revista, mas ela esqueceu de citar que para o Brasil sediar a copa, o país terá que, obrigatoriamente, melhorar a sua infraestrutura de transporte e de habitação. Deixá-las, ao menos, perto do níveis europeus. O Brasil sofre de um sério e crônico problema em infraestrutura tanto de habitação quanto de transporte, a copa com toda certeza irá ajudar nisso. O medo é a corrupção, o desvio de verbas e o super-faturamento, como ocorreu no Pan. Mas de resto, vejo com muito bons olhos tanto a realização da Copa quanto das Olímpiadas por aqui.

A segunda matéria (?) é hilária. Assinada por André Fontenelle, a Globo (editora da revista) mostra todo o seu "rabo-preso" quanto a CBF.

A matéria, que mais parece um artigo de opinião do jornalista citado, fala do excesso de erros de arbitragem do país e indica como melhor solução para isso, não a profissionalização dos árbitros, mas a adoção de um sistema de vídeo que dê replay nos lances polêmicos durante os jogos.

O problema é que o jornalista desconsidera totalmente as consequências que isso poderá ter.

Imagine um Flamengo x Vasco no Maracanã, final de cariocão, e lá pelos 20 minutos do primeiro tempo o árbitro marca um penalti inexistente para o Vasco. E aí, todos param, assistem ao telão e vêem que o penalti, de fato, não existiu e o penal acaba não sendo marcado. Gostaria de saber qual será a moral que o árbitro terá para dar prosseguimento na partida depois do ocorrido. Vamos supor ainda que aconteça um outro lance polêmico aos 40 ainda da primeira etapa em que o bandeirinha, num lance dificílimo, marca um impedimento que não existiu do Flamengo. Os flamenguistas certamente irão pensar que a arbitragem está contra o seu time e começarão a chiar em qualquer jogada contra o seu time, o juiz vai perder o jogo e tudo pode terminar em violência.

Na Inglaterra não é adotado esse sistema de vídeo. Mas lá ser árbitro é uma profissão remunerada mensalmente, não um bico com uma ajudinha de custo, como no Brasil. Há profissionalismo na Inglaterra. E lá é muito raro acontecer erros de arbitragens escandalosos como ocorrem por aqui, muito raro mesmo. A qualidade da arbitragem inglesa é infinitamente superior a brasileira. Não seria a profissionalização da arbitragem o melhor caminho?

Essa é opinião é quase unânime entre os especialistas de futebol. Menos os da Globo.

Por que?

A Globo detém os direitos exclusivos dos jogos da seleção brasileira e dos clubes brasileiros. Nenhuma outra emissora, a não ser que compre da Globo como no caso da Band, pode transmitir esses jogos. Isso no mundo todinho, se você estiver no Japão e não tiver a assinatura da Globo internacional, não pode assistir os jogos dos times brasileiros. E essa regalia é única. Não existe, no mundo, nenhuma emissora com esse poder.

E em troca dessa regalia, a Globo se compromete a não bater na CBF e nem em Ricardo Teixeira, um dos dez maiores pilantras brasileiros vivos e o principal responsável pela decadência do futebol.

Isso que é uma vergonha.

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